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Amor não tem idade
Não transforme o namoro com alguém mais novo numa guerra em família
Por Cynthia Magnani • 15/02/2008

"Amor não tem idade", frase muito propagada e defendida por várias pessoas. Até aí, tudo bem, mas quando a diferença de idade atinge os próprios pais, a história muda de figura. Imagina descobrir que seu pai ou mãe está namorando uma pessoa da mesma idade que você? É, nem sempre a reação dos filhos é boa e o namoro, que deveria ser motivo de extrema felicidade, acaba se tornando dor de cabeça e um enorme problema familiar...

Cinco anos depois da separação dos pais, a estudante Julia Almeida, 27 anos, se deparou com uma situação inusitada. Sua mãe, Glória, 54, encontrou a felicidade ao lado de um jovem de apenas 28 anos. "Ela demorou uns seis meses para apresentá-lo a mim, e antes de fazer isso, fez questão de me contar a idade dele numa conversa meio séria, em casa, só nós duas, para que eu não tivesse uma reação negativa ao perceber que ele era muito mais novo que ela", conta.

A conversa é fundamental, sempre, mas se mesmo com toda a transparência o seu filho não compreender ou não aceitar a situação, pergunte se ele preferia descobrir por meio de outra pessoa. Assim, perceberá que você agiu de maneira honesta e que está em busca de felicidade

Apesar do susto inicial, Julia foi bastante compreensiva e esperou para tirar conclusões sobre o novo "padrasto" apenas depois de conhecê-lo melhor. "Ele foi lá em casa algumas vezes, conversamos sobre muitas coisas, e só depois de um tempo minha mãe perguntou o que eu havia achado. Eu só perguntei se ela estava feliz e disse que isso era a única coisa que me importava. Nos abraçamos e ficamos muito emocionadas". De acordo com a estudante, hoje em dia, eles são como uma família. "Nos respeitamos muito e o trato como um amigo, aliás, muito divertido. Saímos, fazemos churrascos, vamos a festas - os três juntos!", diz, animada.

O empresário Kassio Lima, 53 anos, não teve a mesma sorte e sua convivência com a filha Anne Marie, de 25, parece ter ruído depois do início do namoro com Camila, também com 25 anos. "Foi maravilhoso conhecer a Camila. Depois que começamos a namorar minha vida passou a ser muito mais leve e divertida! Entramos juntos em uma aula de dança de salão, coisa que eu queria fazer há muito tempo, mas minha ex-mulher não gostava. O problema é que minha filha começou a sentir muito ciúmes de nossa relação e passou a se afastar de mim. Eu a procuro para sair, ligo quase todos os dias, mas ela não me atende, sempre diz que tem compromissos e que não pode me encontrar. Essa é a única coisa que falta para minha vida ficar completa", lamenta Kassio.

Bárbara Muniz, de 22 anos, deve entender a situação de Camila, pois passa pelo mesmo caso. Depois que o pai, Josias, 51 anos, arrumou uma namorada de parcos 20 aninhos, começou a freqüentar boates, churrascos dos amigos dela, festinhas aonde só vão pessoas dessa faixa etária. A filha reclama. "O que mais me irrita é que quando ele ainda estava morando com a minha mãe, dizia odiar tudo isso. Sempre que ela o chamava para sair, falava que estava cansado, sem disposição. Ele é ridículo!"

Muita, muita conversa

"Muitas vezes a situação é difícil, e só muita conversa pode melhorar o clima familiar quando um dos pais resolve namorar uma pessoa da mesma idade dos filhos", afirma o psicólogo familiar Pedro Vaz. Uma separação por si só já costuma ser um processo traumático, e para não causar melindres nos filhos, que podem se sentir preteridos pelos pais, Pedro afirma que transparência e carinho também são praticamente infalíveis. "A conversa é fundamental, sempre, mas se mesmo com toda a transparência o seu filho não compreender ou não aceitar a situação, pergunte se ele preferia descobrir por meio de outra pessoa. Assim, perceberá que você agiu de maneira honesta e que está em busca de felicidade. Além disso, os momentos a sós com eles precisam ser ainda mais intensos, para que haja ciúmes, afinal, é preciso entender que os pais estão em busca de um companheiro, e não em busca de outro filho", aconselha.

Privacidade é outra palavra-chave nesse complicado processo familiar. "Sem ela, nunca haverá respeito, e a iniciativa deve partir dos pais, que são os responsáveis pela educação e por grande parte da formação do caráter dos filhos", afirma Vaz.

Lúcia Magno, 58 anos, agiu exatamente desta forma e hoje colhe os frutos de um estável relacionamento com seu namorado, 30 anos mais novo que ela e apenas dois anos mais velho que seu filho, Mateus. "Sempre respeitei a privacidade dos meus filhos. Quando comecei meu relacionamento, tratei logo de conversar com toda a família e já os preveni de que não aceitaria falta de respeito, pois sempre fui muito gentil com as namoradas de meus filhos e queria receber o mesmo tratamento. Fui rapidamente compreendida e logo meu namorado se tornou parte da família, sendo bem recebido por todos", comenta ela, acrescentando ainda que "amor e respeito são, sempre, a base de qualquer relação bem-sucedida, seja entre pais e filhos ou entre homem e mulher".



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