• Crédito: Pacha Urbano
Alimentação de verão
Você toma cuidado com a alimentação da sua família no verão?
Por Lívia Diniz • 04/02/2006

O verão é sinônimo de lazer e muita agitação. São tantas opções de divertimento que uma das últimas coisas que queremos é ficar presos a horários e regras. O primeiro balde que chutamos é o da alimentação - vai, confessa! Viagens, praias e fins de semanas ensolarados não combinam em nada com dieta, é não é? Chopinho gelado e petiscos pra lá de duvidosos fazem a cabeça, o estômago e o cardápio de muita gente nesta época do ano. Portanto, se você abusa do camarão, da casquinha de siri, do queijo coalho, amendoins e afins, fique atenta, pois eles podem ser muito perigosos para a sua saúde.

Gostosos? Com certeza todos esses alimentos são. Aliás, deliciosos! No entanto, quase todos são ricos em calorias e gorduras. E não é só isso. Dependendo de onde você for degustá-los, a má conservação, a excessiva exposição ao sol e ao ar poluído são verdadeiras ameaças à saúde – já que estas condições podem contaminar os alimentos com vírus e bactérias, acarretando vários tipos doenças. Férias frustradas total.

O processo de digestão

Com a alta dos termômetros, o organismo tem trabalho redobrado para manter a sua temperatura constante. A respiração acelera, fica mais profunda e, por conseqüência, perdemos mais água ao respirarmos. Então, quando abusamos de alimentos de digestão mais lenta, desviamos parte da energia para esse processo. É por isso que temos aquela sensação de mal-estar no calor. "No verão, o processo digestivo não deveria ser tão trabalhoso. É por isso que recomenda-se os alimentos mais leves e uma maior ingestão de água", afirma o clínico geral e homeopata Luiz Felipe D. Guimarães.

Aliás, o próprio corpo pede alimentos menos calóricos e mais gelados. Conforme a temperatura vai subindo, o organismo vai mandando avisos que é hora de mudar o cardápio. Resta ficar atenta a esses recados. "A pessoa vai perceber que se alimentando de comidas mais saudáveis, sem gordura, a digestão e a evacuação ficam melhores, e o cansaço também é menor", exemplifica o nutricionista Albino Portela.

A alimentação na prática

Na teoria tudo funciona. O problema é a prática. Horas na praia, debaixo do sol quente, vendo comes e bebes passar, nos faz presas fáceis da má alimentação. Para evitar cair de boca nessas tentações, o nutricionista recomenda levar um lanche de casa. "Pode ser um sanduíche de peito de peru com queijo magro, sem maionese, e uma fruta", Albino dá a dica. Se não conseguir preparar com antecedência, evite, ao menos, alimentos gordurosos e faça algumas substituições. "Prefira o picolé ao sorvete, pois ele tem gordura hidrogenada. E troque o amendoim pelo biscoito de polvilho", exemplifica Albino.

Uma outra recomendação clássica é ingerir bastante líquido. Nesta época, as pessoas sentem mais sede em um intervalo de tempo menor. Mas atenção: sentir sede já é um sinal de desidratação. Por isso devemos beber água antes de a sede aparecer. E as opções são muitas – sucos, água-de-coco, bebidas isotônicas. De acordo com Albino, é melhor dar preferência a bebidas geladas, pois a absorção é mais rápida. No entanto, deixe de lado a cervejinha. O álcool desidrata, não é bom para competir com o calor.

Os pequenos são as grandes vítimas

Todos esses cuidados devem ser redobrados com as crianças. Os pequenos têm mais facilidade de perder água, por causa da pele mais fina e da grande atividade metabólica durante o crescimento. Além disso, o sistema digestivo é mais frágil e suporta com mais dificuldade os abusos alimentares. Os pais devem oferecer muito líquido (os refrigerantes estão proibidos!) e observar os sinais de desidratação. Os sintomas mais comuns são olhos fundos, diminuição da viscosidade da pele, moleza, boca seca, choro sem lágrimas e sede intensa. "A criança que apresenta esse quadro deve sempre ser avaliada por um pediatra que dará as orientações necessárias aos pais", afirma Dra. Ângela Mattos, pediatra do setor de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Comendo com os olhos

Só que não basta apenas tomar cuidado com o que se come e se bebe, a qualidade e a procedência dos alimentos exigem toda a nossa atenção. Devemos sempre observar a coloração e o odor dos produtos que vamos consumir. Os alimentos com mais propensão à deterioração são aqueles com maior quantidade de água, como o leite e as carnes. Já os cereais, pães e derivados, doces, condimentos e nozes têm menor chance de se estragarem. "Também é importante observar as condições higiênicas do vendedor e do estabelecimento, já que eles são uma importante fonte de contaminação", afirma a bióloga e nutricionista Carla Carneiro.

Mesmo com todos os cuidados, o risco é grande e o mal, microscópico. A temperatura do verão brasileiro é ideal para a proliferação de bactérias e vírus. Carla Carneiro alerta que, quanto mais contaminado o produto, maior será a decomposição dele e mais doenças ele ocasionará. "Os principais sintomas de infecção ou intoxicação, por causa de alimentos contaminados, são dores abdominais, náuseas, vômitos, diarréia e febre. Essas reações são causadas por bactérias como a salmonela, o staphilococcus, o vibrião do cólera, entre muitas outras, encontrados em aves, frutos do mar, carnes e ovos", informa a bióloga.

E atenção: a diarréia, neste período de calor, é ainda mais delicada por causa da grande perda de água. "A primeira medida é aumentar a ingestão de líquidos para que haja a reposição da água perdida. Se o sintoma continuar, é necessário entrar com um medicamento adequado", explica Carla Carneiro. Isso porque, depois de afetada pela diarréia, é muito importante reconstruir a flora intestinal.

Bom senso, o melhor tempero

As dicas para uma boa alimentação já são mais que conhecidas. Comer em intervalos de três horas, ingerir muito líquido, abusar de frutas, verduras e grãos e manter uma dieta equilibrada. "A alimentação interfere diretamente na saúde orgânica das pessoas. Os brasileiros são privilegiados por terem grande variedade de alimentos naturais. É só saber aproveitar", finaliza Dr. Luiz Felipe.


Lívia Diniz   Leia mais deste autor.





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