-
Colunistas
Últimos blogs atualizados
Liankel10h59m | " Sou delle"KarlaRúbia10h57m | Bárbaralucilenesilva23_leonina10h43m | parabensdeakarla7010h40m | AMOOOOOOOOOOOO
Últimos foruns
Criança de cidade sofre. E nos idos da década de 70, quando não havia os programas educativos dos canais de TV a cabo ou as "Fazendinhas modelo" para pais e professores mostrarem aos filhos coisas exóticas como vacas ou porcos, as crianças de cidade viviam assim, com o que lhe era apresentado.
Eu, por exemplo, nascida e criada em cidade e sem parente próximo vivendo em áreas rurais, era praticamente um E.T. quando se tratava de natureza e suas conseqüências. Basta dizer que a única árvore frutífera com a qual tive contato até lá pelos seis anos de idade foi uma pitangueira valente, firmemente plantada no pátio da pré-escola que eu freqüentava, apesar dos ataques constantes dos demais anjinhos.
Eu achava, por exemplo, que macarrão era planta. Imaginava uma plantação de macarrão como se fosse uma plantação de trigo, dourada como os quadros de Van Gogh, com aqueles fios imensos de espaguete voando ao sabor do vento, sob céus tempestuosos. Dependendo do tipo de macarrão a plantação era diferente. A de penne, por exemplo, era mais rústica, como um bambuzal (cuja referência eu também não tinha na época) e os pedaços de massa eram cortados depois de colhidos, na diagonal, para ficar bonitinho. Fusillis e Farfalles davam em árvore, nas pontas dos galhos. Como eram basicamente esses os tipos de massa que eu conhecia, não tive necessidade de imaginar outros tipos de plantação. Massas recheadas, frescas, como ravióli e caneloni pertenciam a outra forma de vida que eu nem considerava "planta" porque às vezes, vovó fazia gnocchi em casa e eu via que havia ali uma certa alquimia de ingredientes.
Minha fantasia com pés de macarrão acabou no dia em que meu pai cismou de fazer fettuccini em casa. Que fique registrado que isso foi muito antes da invenção da máquina de macarrão, pelo menos em nossos domínios. Foi um dia de muita farinha e muita, muita bagunça na cozinha. Depois de horas amassando uma massa impossível, chegou o momento de esticar tudo com o rolo de macarrão e - como trabalho pouco é bobagem - cortar os fios. Só que depois de cortados, os fios de massa fresca precisam secar. E lá se foi o meu pai, estender o macarrão no varal, para desespero da minha mãe, que viu a carga de roupas da semana ameaçada.
Outro mistério da minha infância eram os ovos. Eu também achava que ovo era planta e que dava em árvore. Vocês devem estar imaginando, "Dãns! Mas que menina burra! Nunca ouviu falar em galinha?" Ouvi, sim. Ouvi e sabia com clareza que galinhas punham ovos e que, dos ovos, nasciam pintinhos. PIN-TI-NHOS e não gemas e claras de comer. Para mim, o ovo que a galinha punha era uma coisa e o ovo que a gente comia era outra, totalmente diferente. O ovo que virava pintinho vinha do bicho. O que a gente comia, vinha da árvore, ficou claro? A árvore que dava o ovo era frondosa e os moços que colhiam precisavam ter muito cuidado para colher sem quebrar. Para isso, tinham escadas altas e, à medida que iam colhendo, colocavam os ovos naquelas caixinhas de papelão que ficam até hoje nos supermercados. Faz todo sentido, não? Coisas de criança da cidade.
Hoje, embora adore fazer pão, eu morro de preguiça de fazer macarrão. Aliás, tanta preguiça que nunca fiz nem lasanha em casa. A única coisa que me meto a fazer é um canelone de mentirinha, que não engana nem meu filho de cinco anos. Não engana porque ele é muito mais esperto do que eu era com a mesma idade e está careca de saber que macarrão não dá em árvore, e sim no supermercado. A receita? Nem tem receita, mas vamos lá:
Canelone de mentirinha
1 pacote de massa pronta para pastel, cortada em discos.
1 colher (sopa) de manteiga
100 g de presunto
100 g de queijo mussarela.
1 colher (sopa) de queijo ralado
150 ml de leite
150 ml de creme de leite fresco
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Corte as fatias de queijo e presunto ao meio e recheie cada disco de massa. Enrole. Unte um refratário retangular com manteiga e disponha os canelones de mentirinha lado a lado, sem deixar espaço entre um e outro. Misture o leite com o creme de leite, salgue e despeje com cuidado por cima dos canelones. Polvilhe com queijo ralado e leve ao forno médio para gratinar por cerca de meia hora.
Fácil demais. Aliás, tão fácil, que você pode se dar ao luxo de inventar. Às vezes, eu troco o queijo e presunto por mussarela e gorgonzola. Em outras, recheio com mussarela e ricota e cubro tudo com molho de funghi. Para os puristas, opções não faltam: recheie com mussarela, tomate-cereja e manjericão fresco; mussarela e tomate seco ou ainda com carne moída. Nesse último caso, troque o molho branco por molho de tomate.
Uma vez, eu estava cheia de boas intenções, mas sem um pingo de inspiração e, aproveitando o mesmo "molho" de leite e creme de leite, recheei os discos com damasco seco picado e queijo brie. Não é que ficou bom?
Ana Téjo tem 37 anos, é publicitária, redatora, tradutora, nadadora, planejadora, cozinheira, mãe e escritora, quase nunca nesta ordem. Administra, sempre que possível, dois filhos elétricos, uma babá rabugenta, um trabalho eletrizante, uma mãe obstinada, um namorado apaixonante e uma vontade compulsiva de escrever.   Leia mais deste autor.
- Mulherinvest - Ano novo, emprego novo
- Beleza - De bem com o espelho
- Amor e Sexo - Amor de verão
- Mundo Melhor - Fernando de Noronha
- Corpo e Bem-estar - Dieta para desintoxicar
- Casa e Família - Agite as férias do seu filho
- Estilo de Viver - Charme nos pés
Novidades por email





Indicar Matéria
Imprimir Matéria


