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Uma pergunta de peso
Taças de cristal podem significar um risco aos degustadores de vinho
Por Sonia Melier • 10/01/2008

Pergunta: Sônia, um dos presentes que ganhei no Natal foi um maravilhoso jogo de taças de vinho, todas em cristal. Ouvi dizer que louças de cristal contêm chumbo, um veneno. Devo ou não usar essas taças?

Resposta: O mais seguro seria usar essas taças apenas no período de uma refeição. O cristal vai desprender mínimas partículas de chumbo com praticamente nenhum risco para a nossa saúde. Isso foi demonstrado por uma pesquisa realizada, em 1991, pela Universidade de Colúmbia, Estados Unidos. O governo canadense também fez o mesmo teste e verificou que no espaço de tempo de uma refeição a quantidade de chumbo liberada por uma taça de cristal no vinho está bem abaixo da concentração de chumbo numa bebida permitida pelas leis do Canadá: 200 partes por bilhão.

Exposição a níveis altos de chumbo podem causar vômitos, diarréia, convulsões, coma. E até a morte

A legislação brasileira a respeito, através de uma Portaria de março de 1996, da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, (veja aqui) determina que vasilhames contendo metais pesados como o chumbo podem chegar até uma concentração de 4,0 mg/kg. Mas observa que "o cristal fica permitido para fabricação de artigos de uso doméstico, somente destinados a contatos breves e repetidos com alimentos". As refeições estão entre esses "contatos breves".

Isso porque não devemos colocar nessas taças (ou em qualquer vasilhame de cristal, com um decantador) bebidas ácidas (vinhos brancos, suco de laranja - ou de qualquer fruto cítrico) que tenha ficado nelas por mais de duas horas.

O cristal é um vidro que pode conter até 35% de óxido de chumbo, o que torna o vidro denso, menos quebradiço, translúcido e bem mais atraente, pelo seu intenso brilho. Se friccionarmos o corpo de uma taça de cristal com o dedo, ele vai ressoar como se fosse um sino. A taça de vidro comum não gosta muito de música.

Na União Européia, louças contendo menos de 4% de chumbo são definidas como vidro. A partir de 10% passam à categoria de cristais. Peças com mais 30% de chumbo são as de cristal de alta qualidade - categoria em que provavelmente estão as taças da leitora. Nos Estados Unidos, o rigor é maior: o vidro é considerado "cristal" com apenas 1% de chumbo.

No Brasil, apenas os vidros borossilicatos e sódio-cálcicos são permitidos para fabricação de embalagens e equipamentos para qualquer contato com os alimentos. Os de cristal, só por "breves momentos".

Aqui, até o uso de chumbo em materiais de pesca (em anzóis e chumbadas) está proibido (serão substituídos por materiais como argila, areia e pó de pedra). Tintas à base de chumbo também estão sob controle.

Riscos. Exposição a níveis altos de chumbo podem causar vômitos, diarréia, convulsões, coma. E até a morte. Anemia é um problema comum, perda de apetite, dores abdominais, constipação, fadiga, insônia, irritabilidade, dores de cabeça, problemas nos rins, até danos ao sistema nervoso central.

As crianças são mais suscetíveis à contaminação, pois seus corpos absorvem o chumbo mais facilmente e seus sistemas nervosos, ainda em desenvolvimento, são rápida e permanentemente prejudicados pelos efeitos do metal. A Saúde Pública dos EUA estima que entre 5 e 10% das crianças americanas carregue uma quantidade nociva de chumbo em seu sangue.

Em concentrações maiores, o envenenamento pelo chumbo leva a ataques apoplécticos, coma e morte. Em níveis de baixos a moderados pode causar desvios de atenção, perda de audição, insônia, crescimento retardado, dificuldades de aprendizado, dores de cabeça e de estômago.







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