• Crédito: Divulgação


SPFW, terceiro dia
Reinaldo Lourenço faz um inverno colorido e com um quê country
Por Rita Avellar • 19/01/2008

No terceiro dia do SPFW a revirada no baú de algumas marcas continua. E peças que já faziam parte do imaginário do consumidor são reinventadas com ar novo e moderno. Um certo cowboy também rodou em alguns desfiles e vimos botas e botas country. A mulher é romântica e delicada em alguns desfiles e, em outros, totalmente urbana e clean. Viva a democracia da moda!

Veja as fotos dos desfiles

Reinaldo Lourenço

Partindo de uma inspiração divertida, a coleção conta uma história com referências à velha e sempre bacanérrima bota cowboy. Assim, elementos dos vaqueiros norte-americanos, como franjas, estampas de cavalinhos e flores, fitas, golas altas, camisaria e calças retas, apareceram de forma elegante. Os vestidos têm silhueta anos 1950, com cintura bem marcada e saia rodada. Os ombros foram destaque, aparecendo em recortes mas, mesmo quando escondidos, estavam ornamentados. Os trench-coats apareceram com corte reto e seco. As cores são mais empoeiradas, como os beges, cinza chumbo, preto e um vermelho e roxo bem fortes, para colorir. E como não poderia deixar de ser, muita bota cowboy nos pés. Irrrá!

Gisele Nasser

A delicada estilista apresentou uma coleção sem se preocupar muito com as tendências da estação. Com a sua releitura de como seria o misticismo no futuro, Gisele Nasser criou utilizando um mix de referências de índios norte-americanos, personagens e deusas. A silhueta é mais para anos 1970 e as estampas Paisley apareceram em vestidos e blusas. As listras finíssimas também aparecem delicadas. Pantalonas de cintura alta, saia-lápis, saia-tulipa, vestidos curtinhos surgem sempre com algum detalhe de franjinhas e vivo colorido. Muitos recortes e destaque para os ombros. As cores são suaves e mais "terrosas". A lã e o tricô são trabalhados e com aspecto rústico, aquecendo na medida. Nos acessórios, muito couro. Bolsas enormes, uma releitura da pochete e botas cowboy. E penas coloridas apareciam em brincos, colares e acabamentos. Feminina e delicada.

Mário Queiroz

O homem desta coleção é um ser da noite. Peças com um ar sombrio e muito preto, roxo e azul royal para iluminar aparecem em calças skinnies, ponchos, casacos com capuz, macacões e casacos de lã. Tudo bem reto e rente ao corpo. O vinil aparece para a noite desse motoqueiro-fantasma, que usa bota, lenços com estampa de caveira e gravatas. Ele pega sua moto e saí misteriosamente pelas ruas. Quer encontrá-lo?

Huis Clos

A mulher romântica e chique desfilada na passarela da Huis Clos foi inspirada nas imagens em preto e branco da fotógrafa francesa Sarah Moon. O trabalho com proporções trouxe vestidos amplos e sempre com bolsos, estampas graúdas de xadrezes e estampas criadas com patches de tecidos. Calças retas e no tornozelo, macacões e muitas mangas trabalhadas. O romantismo aparece através de grandes laços e o veludo com brilho. As cores são sóbrias, muito cinza chumbo, com pinceladas de amarelo, preto, roxo dália e cobre. Os sapatos fazem contraste com a feminilidade das roupas, são masculinos e com salto. Tudo na medida.

UMA

A mulher e o homem da UMA são urbanos e sofisticados. Sempre com alguma referência esportista nos cortes das roupas, a marca se inspirou na alfaiataria para criar peças clean e poéticas. Poesia que também aparecia bordada em algumas peças. Foram versos criados pela designer carioca Mana Bernardes, que também desenvolveu alguns acessórios para a coleção feitos de material reciclável. A poesia não só aparecia em forma de palavras, como nos detalhes de flores espalhadas em trench-coats, saias e alças de blusas. As calças femininas saltaram do guarda-roupa masculino e eram mais curtas. O homem acompanha essa mulher com um ar despojado, de tênis, listras e cachecol. Prontinhos para darem uma volta em qualquer metrópole antenada do mundo.

Triton

Mais uma marca que buscou referências em sua própria trajetória. Descobriu nesta busca um lado college forte. Assim, nasceu uma coleção com a essência mais pura da marca jovem e moderna. E dá-lhe vestidos e saias curtinhas, t-shirts, balonês, camadas e mais camadas, macacões, um ar meio anos 1950 na silhueta. Muita feminilidade e romantismo nos acessórios, como as carteiras e as sandálias e botas anabelas. O menino é um college perfeito, com cardigãs, cachecol, calças retas e camisetas com direito a desenho de gravata. Fofo, fofo, fofo!

Lino Villaventura

Comemorando 30 anos de carreira, o estilista Lino Villaventura revirou o seu baú para recriar peças que homenageiam 30 mulheres que fazem parte da sua mente. Mulheres reais e imaginárias trouxeram muita feminilidade e sensibilidade para suas peças que são artesanais e incrivelmente elaboradas. Parabéns!



Rita Avellar é formada em Design de Moda e Figurino e atua na área de marketing e comunicação de moda desde 1999. Ministra cursos e palestras sobre o tema, pesquisas de tendências e visual merchandising em instituições como Senai Cetiqt e Universidade Estácio de Sá. Presta também consultoria de marketing de varejo de moda, além de desenvolver trabalhos como personal stylist e produtora na área.  Leia mais deste autor.





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