• Crédito: Divulgação


Somente para mulheres
Música, champanhe e... homens! Uma noite alucinante em Paris!
Por Daniela Pessoa • 11/04/2008

Ladies night! O nome já diz t-u-d-o. Na Queen, primeira boate gay de Paris (e a mais famosa também. Pudera! Fica na Champs-Elysées), é engraçado imaginar que as quartas-feiras sejam reservadas para as mulheres. Mas são! O princípio é simples: a gente entra de graça, os homens pagam. Seleção natural, meu bem! E depois, para nós, mulheres, são feitos todos os paparicos do mundo: drink colorido com gostinho de chiclete na entrada é só o começo. Toda noite, um mimo extra, uma surpresinha diferente. Sem contar tudo o mais que vem pela frente... Uma loucura! E a noite está só começando... Pode entrar porque é de graça!

Veja as fotos da noite!

Nessa quarta-feira, vocês não vão acreditar! O presente da Queen para nós foi mesmo digno de realeza. Um cantinho da parte superior da boate foi fechado pela L'Oréal para as mulheres que quisessem arriscar um penteado ou corte de cabelo. Era só pedir e o seu desejo era uma ordem. O salão de beleza era improvisado: ao som de techno e, no lugar das revistas de fofoca, a vista panorâmica de tudo o que estava rolando no andar de baixo da boate. Cheguei meia-noite e uns quebrados e peguei a fila do corte de cabelo (sim, cortei! Mas, confesso, não ousei. Já estava me sentindo ousada demais por estar num lugar onde o show de strip-tease dos go-go boys estava prestes a começar a qualquer momento! Ops! Eu e a minha boca grande! Isso era para depois! Mas, já era. O show é mesmo um arraso - e muito engraçado! A mulherada vai à loucura, principalmente as mais "alegrinhas").

Para quem chega aqui achando que vai ser assediada pelos franceses gracinhas, loiros e de olhos azuis, doce ilusão brasileira. Os bichinhos aqui são lentos, só pegam no tranco!

Pois bem, eu na fila e a música rolando solta. De repente, lá por uma e meia da manhã, toca uma sirene. "Meu Deus, o lugar está pegando fogo ou o quê?". Uma voz anuncia "pour les filles, pour les filles!", o que quer dizer "para as mulheres, para as mulheres!" E, de repente, vejo uma massa disforme de pessoas correndo para um canto, lá embaixo, que identifiquei como sendo o bar da boate. Não entendi nada, mas, já com o corte de cabelo novo (OK, pontas aparadas) e, de brinde, spray "modelante" da L'Oréal (existe isso no Brasil? Senão trago um estoque! Quem quiser é só pedir!), desci.

Meninas, era open-bar de nada mais nada menos do que champagne! Não, cherie, não é espumante, sidra, nem prosecco. É champagne de verdade! O barman (lindinho, por sinal), até mostra as garrafas antes de abri-las e começar a servir. A bebida é totalmente liberada, de hora em hora, ao soar da sirene. Para quem, e só para quem? Para as mulheres, é claro! Nossa, é nessas horas que eu digo: como estou amando Paris!

Nessa história toda, só é uma pena os parisienses não terem um pouquinho mais de atitude. Para quem chega aqui achando que vai ser assediada pelos franceses gracinhas, loiros e de olhos azuis, doce ilusão brasileira. Os bichinhos aqui são lentos, só pegam no tranco! Mas, acredito, faz parte do charme. Pelo menos não encontro outra explicação! Porque aqui funciona assim: se você não chega junto, não são eles que vão chegar! Na França, não há paquera, pelo menos não como no Brasil. Aqui eles são, com certeza, bem mais comedidos e discretos. Se no Rio tem homem que puxa pelo braço, aqui eles mal olham nos olhos. Uma amiga, na seca de homem desde que chegou a Paris, mas encharcada (leia-se "alegrinha") de litros e litros do champagne liberado, teve que pedir "un bisou" (um beijo) para um francês aleatório. Senão ia continuar na crise de abstinência.

E se alguém chegar em você na noite parisiense, pode apostar que não é francês, é turista. Você vai ter 90% de chance de acertar! Pode ser, no máximo, um greco(ou qualquer outra nacionalidade)-francês, como foi o caso de um rapaz que se engraçou para o lado de uma amiga. Aí é aquela contradição: no Rio de Janeiro, por exemplo, você não respira. A cada esquina alguém te fuzila com o olhar ou manda uma daquelas cantadas do tipo que te fazem rir ou querer chorar. Já aqui em Paris você pode andar pelada na rua que não estão nem aí. É um negócio bem esquisito para quem está acostumada ao "calor" brasileiro. E depois as mulheres é que são complicadas! Será que os homens não conseguem chegar num consenso e eleger um meio-termo na hora de paquerar?







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