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Soccer Boys e Alpha Girls
As aventuras (e desafios) de uma mãe com seus filhos em Nova York
Por Simone Klabin • 28/10/2006
Tudo pelo sucesso! Foi esse objetivo em comum que levou um seleto grupo de profissionais bem posicionados a se reunir em plena tarde de terça-feira no West Side de Manhattan. O grupo contava, entre outros, com dois banqueiros importantes, um cirurgião proeminente, um acadêmico da Columbia University, um jornalista prestigiado do canal de televisão NBC e um advogado de renome, além de homens de terno que não consegui identificar. O assunto não era política americana, muito menos a economia mundial. Naquele momento, o único assunto com algum interesse para eles era o time de futebol dos filhos de dez anos!
À medida que a popularidade do futebol (soccer) aumenta nos EUA, a expectativa das famílias com relação aos seus jogadores mirins também cresce. Sem perceber, esses pais e mães são cada vez mais absorvidos pelos times de seus filhos. Essa é a realidade de qualquer família que mora por aqui quando os rebentos se dedicam a algum esporte, seja qual for. As ligas competitivas de esporte organizado, como beisebol, hóquei ou basquete, têm um propósito definido na cultura americana. Em parte, as atividades desportistas servem para estimular na criançada valores tais como disciplina, comprometimento, responsabilidade e noção de "trabalho" em equipe. Parece bastante saudável, entretanto, numa sociedade que estimula, sem constrangimento, a competição, a vitória e o mérito do sucesso, a realidade não é tão doce assim...
Ser mãe é padecer na torcida antes do sol nascer
No caso do futebol, ou melhor, soccer, a diferença da relação com o esporte nos EUA e no Brasil é tão grande que fica impossível não tomar o soccer como emblemático da cultura americana. Até as mães dos meninos que jogam bola ganharam uma posição com nome definido: são as "Soccer-Moms".
Não existem "Baseball-Moms" ou "Basketball-Dads". Ser "Soccer-Mom" ou "Mãe-Futebol" significa abrir mão das manhãs de sono durante os sábados e domingos, esquecer feriados ou finais de semana prolongados (sempre tem um campeonato para levar o filho). Para quem mora em Manhattan, também quer dizer conhecer bem as rodovias locais, assim como o nome de todas as cidadezinhas no estado de Nova York com um campo de futebol - no mínimo razoável - e um time de futebol - nem sempre razoável. Para uma cidade onde pouca gente usa carro particular como meio de transporte principal, isso representa um novo modus operandi.
O calendário de treinos, jogos e campeonatos é determinado com um ano de antecedência, bem como o processo de seleção dos times para a temporada seguinte. Então, se a Soccer-Mom precisar marcar qualquer outra atividade que coincida com os horários do futebol, é melhor que se tenha uma boa razão. As "Soccer-Moms" (e seus filhos) devem esquecer festas de aniversário ou o "Maracanã" no domingo. É verdade que em Nova York não tem Maracanã, mas o equivalente seria um jogo de baseball no Yankee Stadium, ou quem sabe a possibilidade de uma matinê na Broadway. Só uma mãe desnaturada não teria complexo de culpa ao ver seu filho ser penalizado, sentado no banquinho dos reservas durante o jogo.
Latinos com chapéu de gringo
As mães brasileiras, argentinas, italianas ou francesas têm que se adaptar às exigências das famílias americanas (pasmem, são a maioria!) sob pena de ver seus filhos jogando bola só uma vez por semana com um bando de pernas-de-pau. Mas, mesmo com todo o empenho dos nova-iorquinos - e alguns meninos são realmente extraordinários - nada substitui a espontaneidade das crianças que têm a chance de jogar bola em terras onde se respira futebol. Recentemente, ouvi um americano dizer que, quando no time adversário tem nomes como Lucas ou Mateus, ele fica preocupado pelo time do filho.
Enquanto isso, Michael e Brian usam camisas da seleção brasileira, Jack veste a camisa da Itália e Lucas e Mateus aprendem logo que "jogar pelada" não é um conceito traduzível em Nova York.
Orlando, o técnico colombiano, chega para a reunião de terça-feira trazendo gráficos, dados estatísticos e projeções que informam os pais sobre o futuro desportivo dessas crianças no esporte. Ele fala de bolsas universitárias e dos índices crescentes da audiência televisiva. Orlando, que mora em Nova York há muitos anos, já entendeu que futebol Yankee não é puro lazer. Numa cidade competitiva como essa, o ritmo frenético do dia-a-dia nos lembra constantemente que não há tempo a perder. Total dedicação e empenho carregam a promessa de um futuro brilhante.
Esporte é uma atividade saudável e melhora o currículo de qualquer estudante. Além de transformar o grupo de meninos em atletas mais preparados e capacitados, o técnico vai torná-los atletas vencedores. Orlando pensa também em seu próprio futuro profissional - quer manter a reputação de técnico vitorioso. Afinal, ele também tem uma família para cuidar.
À medida que a popularidade do futebol (soccer) aumenta nos EUA, a expectativa das famílias com relação aos seus jogadores mirins também cresce. Sem perceber, esses pais e mães são cada vez mais absorvidos pelos times de seus filhos. Essa é a realidade de qualquer família que mora por aqui quando os rebentos se dedicam a algum esporte, seja qual for. As ligas competitivas de esporte organizado, como beisebol, hóquei ou basquete, têm um propósito definido na cultura americana. Em parte, as atividades desportistas servem para estimular na criançada valores tais como disciplina, comprometimento, responsabilidade e noção de "trabalho" em equipe. Parece bastante saudável, entretanto, numa sociedade que estimula, sem constrangimento, a competição, a vitória e o mérito do sucesso, a realidade não é tão doce assim...
Ser mãe é padecer na torcida antes do sol nascer
No caso do futebol, ou melhor, soccer, a diferença da relação com o esporte nos EUA e no Brasil é tão grande que fica impossível não tomar o soccer como emblemático da cultura americana. Até as mães dos meninos que jogam bola ganharam uma posição com nome definido: são as "Soccer-Moms".
Numa cidade competitiva como essa, o ritmo frenético do dia-a-dia nos lembra constantemente que não há tempo a perder. Total dedicação e empenho carregam a promessa de um futuro brilhante
Não existem "Baseball-Moms" ou "Basketball-Dads". Ser "Soccer-Mom" ou "Mãe-Futebol" significa abrir mão das manhãs de sono durante os sábados e domingos, esquecer feriados ou finais de semana prolongados (sempre tem um campeonato para levar o filho). Para quem mora em Manhattan, também quer dizer conhecer bem as rodovias locais, assim como o nome de todas as cidadezinhas no estado de Nova York com um campo de futebol - no mínimo razoável - e um time de futebol - nem sempre razoável. Para uma cidade onde pouca gente usa carro particular como meio de transporte principal, isso representa um novo modus operandi.
O calendário de treinos, jogos e campeonatos é determinado com um ano de antecedência, bem como o processo de seleção dos times para a temporada seguinte. Então, se a Soccer-Mom precisar marcar qualquer outra atividade que coincida com os horários do futebol, é melhor que se tenha uma boa razão. As "Soccer-Moms" (e seus filhos) devem esquecer festas de aniversário ou o "Maracanã" no domingo. É verdade que em Nova York não tem Maracanã, mas o equivalente seria um jogo de baseball no Yankee Stadium, ou quem sabe a possibilidade de uma matinê na Broadway. Só uma mãe desnaturada não teria complexo de culpa ao ver seu filho ser penalizado, sentado no banquinho dos reservas durante o jogo.
Latinos com chapéu de gringo
As mães brasileiras, argentinas, italianas ou francesas têm que se adaptar às exigências das famílias americanas (pasmem, são a maioria!) sob pena de ver seus filhos jogando bola só uma vez por semana com um bando de pernas-de-pau. Mas, mesmo com todo o empenho dos nova-iorquinos - e alguns meninos são realmente extraordinários - nada substitui a espontaneidade das crianças que têm a chance de jogar bola em terras onde se respira futebol. Recentemente, ouvi um americano dizer que, quando no time adversário tem nomes como Lucas ou Mateus, ele fica preocupado pelo time do filho.
Enquanto isso, Michael e Brian usam camisas da seleção brasileira, Jack veste a camisa da Itália e Lucas e Mateus aprendem logo que "jogar pelada" não é um conceito traduzível em Nova York.
Orlando, o técnico colombiano, chega para a reunião de terça-feira trazendo gráficos, dados estatísticos e projeções que informam os pais sobre o futuro desportivo dessas crianças no esporte. Ele fala de bolsas universitárias e dos índices crescentes da audiência televisiva. Orlando, que mora em Nova York há muitos anos, já entendeu que futebol Yankee não é puro lazer. Numa cidade competitiva como essa, o ritmo frenético do dia-a-dia nos lembra constantemente que não há tempo a perder. Total dedicação e empenho carregam a promessa de um futuro brilhante.
Esporte é uma atividade saudável e melhora o currículo de qualquer estudante. Além de transformar o grupo de meninos em atletas mais preparados e capacitados, o técnico vai torná-los atletas vencedores. Orlando pensa também em seu próprio futuro profissional - quer manter a reputação de técnico vitorioso. Afinal, ele também tem uma família para cuidar.
bolsa de mulher no seu celular
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