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Amor e Sexo
Rosaninha de Jesus
A mulher moderna, como a de Jesus, quer três cavalheiros para levantar
Por Rosana Caiado • 26/05/2008

De uma queda

fui ao chão.

Acudiram três cavalheiros,

todos três chapéu na mão.

O primeiro me chegou como um pai - um homem maduro, dos cabelos prateados e olhos de esmeralda. De fala chiada, marcou hora para sexta-feira, mas aceitou meu pedido para antecipar para quarta, tamanha a minha apreensão. Mostrou autoridade, me passou segurança e fez o que pôde pelo meu conforto, sem levar nada em troca. Além do previsto, por gentileza ou superproteção, lixou minha porta da frente, que estava dando para agarrar no caixonete. Disse que eu não podia chegar tarde em casa, fazendo um barulho daqueles.

Antes de sair, passa pano no chão da sala, pergunta ao porteiro onde deixar o lixo graúdo, oferece-se para pendurar lustre no teto e trocar os interruptores de luz

O segundo me chegou como um irmão mais velho. Esperto, tem solução para tudo. É o homem mais presente em minha casa, a quem logo dei as chaves. Antes de sair, passa pano no chão da sala, pergunta ao porteiro onde deixar o lixo graúdo, oferece-se para pendurar lustre no teto e trocar os interruptores de luz.

O terceiro me chegou como quem chega do nada, no Palácio das Ferramentas, entre o Paraíso das Pelúcias e a Feira dos Lustres. Diante da parede coberta por dobradiças de diversos tamanhos, cores e preços, estava muito perto das lágrimas, quando fui salva por um homem franzino. Ele me ofereceu ajuda e decifrou uma lista de enigmas que me foram encomendados pelo primeiro e pelo segundo cavalheiros, incluindo lixas de 120 e 180, fechaduras, espelhos, parafusos e espuma de poliuretano.

O primeiro foi meu marceneiro - que trabalhou e ainda não recebeu.

O segundo, o pintor - que também fez as vezes de eletricista, furador de paredes e oráculo.

O terceiro foi aquele que me deu a mão - quando precisei de ajuda para comprar o que jamais saberia identificar.

Levantei-me lá do chão

e sorrindo disse a ele:

- Eu te dou meu coração.



Rosana Caiado nasceu no Rio de Janeiro, em novembro de 77. Desde então só quer ser amada. É devota do amor à primeira vista, do amor eterno e do amor após o matrimônio. Seu primeiro amor foi a publicidade, depois flertou com o jornalismo e veio a casar de véu e grinalda com a dramaturgia. Para fugir da rotina, faz aulas de jazz e dança de salão, inventa moda, joga charme e escreve no blog Pseudônimos.  Leia mais deste autor.





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