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Há algumas semanas, após ler uma matéria na Elle inglesa do mês de novembro, cheguei à seguinte conclusão: Marc Jacobs, sem dúvida, é hoje querido na América, na Europa, no mundo inteiro. Não há uma mulher que não queira uma peça de sua coleção ou mesmo fazer parte de seu círculo de amizades. Sofia Coppola que o diga! Amiga íntima e musa do designer, está sempre presente em suas festas e badalações e acabou sendo a garota propaganda da fragrância da grife.
Tendo que se dividir entre o estúdio em Nova York e a maison Louis Vuitton, em Paris, esse gênio da atualidade mantém a discrição sempre que pode. No entanto, sua sensibilidade para perceber o que a mulher contemporânea realmente deseja faz desse jovem nova-iorquino um dos mais celebrados criadores do nosso tempo.
"Eu não sonho em fazer roupas que um dia vão parar num museu. Minha recompensa é ver as pessoas nas ruas ou nas festas usando o que eu crio. Eu quero ser ´usável´", disse à Elle. Pode ter certeza de que você o é, Jacobs. Quem pode pagar por uma peça da grife desfila com a segurança de quem fez a escolha certa.
O pai do designer faleceu quando ele tinha apenas sete anos e sua mãe se casou ainda três vezes depois. Toda essa instabilidade no ambiente familiar acabou por incentivar Jacobs a ir morar com a avó. Uma sábia decisão, já que ela o recebeu com carinho e o incentivou a seguir a carreira na moda. Fora o fato de que o ensinou a tricotar! Após se formar pela Parsons School of Design, em 1987, Marc Jacobs lançou sua própria marca de roupas e desenvolveu sua famosa e controversa coleção grunge para a Perry Ellis.
A vida de Marc Jacobs mudou radicalmente desde que assumiu a criação artística da Louis Vuitton, em 1997. Ele não só passou a dividir seu tempo entre Nova York e Paris, como foi obrigado a deixar de lado a rotina agitada e soberba da cidade que nunca dorme. Com certeza, a mudança foi para melhor. Ele chegou ao ponto de se internar para um processo de desintoxicação.
Hoje, leva uma vida saudável, com alimentação balanceada e até personal trainner. Jacobs deu a volta por cima. Assina as peças de uma das grifes francesas de maior prestígio e reconhecimento no mundo. Além disso, agregou o pop moderno e o kitsch ao tradicionalismo da Louis Vuitton e fez a marca rejuvenescer.
Tamanho sucesso tem apenas um segredo: atenção aos detalhes. Marc Jacobs se diz obcecado pelos mínimos detalhes, passando horas a fio analisando e criticando aviamentos, costuras, arremates, forros e, principalmente, etiquetas. "Penso no lado de dentro tanto quanto no lado de fora. Não importa se é roupa, bolsa ou sapato, a pessoa tem que se sentir bem usando uma peça da minha grife. Tudo tem que parecer perfeito, aberto ou fechado" - assim pensa o designer.
O resultado não podia ser outro senão seu sucesso absoluto nos quatro cantos do planeta, tornando-se inspiração para muita gente. As grandes cadeias de varejo de moda como Zara, H&M e Mango rapidamente copiam seus modelos na China e os colocam nas ruas a preços acessíveis. O próprio designer já pensou em ter uma outra grife, mais popular, mas admitiu que jamais conseguiria competir com essas lojas em termos de custos. O máximo que conseguiu até agora foi desenvolver uma segunda linha - a Marc by Marc Jacobs - voltada para o público mais jovem, mas ainda com preços salgados para a maioria da população.
O designer abriu, no início de 2007, sua primeira flagship em Londres, um presente de Natal mais do que especial para as inglesas. Aliás, não só para as inglesas, mas para todas as mulheres que vivem, trabalham, passeiam nesta cidade multicultural. Como mencionei no início da coluna, Marc Jacobs é, definitivamente, o queridinho de todas e de todos. Indagado pela repórter da Elle sobre o que vai ser usado na próxima estação, ele respondeu, com toda a naturalidade e simplicidade de quem realmente sabe fazer moda: "Não sei... Ou melhor, devem usar o que quiserem!".
Ciça Mattos 35 anos, é publicitária estudou Moda na London College of Fashion e Marketing na New York University (NYU). Trabalhou 15 anos em agência de publicidade e se dedica hoje ao estudo do comportamento de consumo de moda.  Leia mais deste autor.
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