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Planejamento caseiro
Na hora de sair de casa, fazer um orçamento detalhado é imprescindível
Por Letícia Motta • 01/07/2008

Na hora de colocar o plano em prática, o mais importante é não ter preguiça. Correr atrás do menor preço em móveis, caminhão de mudanças e utensílios domésticos, apesar de cansativo, compensa. Mas não se engane: depois de instalado em seu lar, o planejamento não acaba. É hora de organizar as tarefas domésticas e o orçamento que, segundo o economista Clelton Santos, é essencial. "Com tantas responsabilidades novas, uma planilha ajudaria a lembrar as datas de vencimentos, já que não é uma boa pagar juros de contas, e a controlar melhor os gastos", recomenda.

A recém-formada Alice Dias diz que sua maior descoberta na hora de deixar a casa dos pais e montar sua própria casa foi que não sabia que iria gastar tanto dinheiro. "Morar sozinho não tem preço, é bom demais, porém um dos fatores que mais pesam nesse momento é a grana: não é baratinho, pelo contrário, tem muita conta para pagar. Na época, imaginei que seria muito menos", analisa Alice.

Calcular os gastos, planejar e economizar para um investimento inicial necessário, com a compra de itens como fogão, geladeira, computador, será fundamental


O economista Renner Diápoli diz que o planejamento é realmente o fator mais importante da decisão. "Sair de casa custa caro. Se os pais puderem ajudar no início, melhor. Mas se não, calcular os gastos, planejar e economizar para um investimento inicial necessário, com a compra de itens como fogão, geladeira, computador, será fundamental", aconselha. Dividir um apartamento ainda é a melhor forma de economizar, mas é preciso pesar a falta de privacidade e ver se vale a pena. Antes de tomar a decisão de assumir uma vida independente, é preciso planejamento, por isso, aqui vão dicas importantes para que suas finanças estejam sempre saudáveis e, para que num momento de "vacas magras", você não seja obrigado a voltar para a casa de seus pais.

1- Controlar os gastos

Pode parecer óbvio, mas o primeiro cuidado começa com as suas despesas. Faça uma lista de todos os seus gastos mensais fixos. Coloque também o quanto você gasta com baladas, restaurantes e todas aquelas despesas que costumam variar a cada mês. Aproveite os recursos e ferramentas do seu computador para organizar suas finanças. Assim, você terá uma idéia do quanto você está gastando todo mês e para onde seu dinheiro está indo. Aproveite e reflita: Seus gastos são compatíveis com a sua renda? Você não está gastando mais do que deveria? Se a resposta for positiva, quais despesas podem ser cortadas da sua planilha? As baladas estão ocupando muito espaço no seu orçamento? Por que não aproveitar que você está morando sozinho e promover mais reuniões em casa com os amigos?

2- Reservas

O próximo passo é subtrair todas as despesas do valor da sua renda. O indicado é que o resultado seja positivo. Além disso, para ter uma vida financeira estável, sem mudanças drásticas no seu padrão de consumo, é razoável pensar numa poupança mensal. Recomenda-se economizar pelo menos 10% da sua renda. Se você ganha R$ 1.000 por mês, assim que o dinheiro cair na sua conta, procure poupar pelo menos R$ 100. É importante ter dinheiro guardado para situações de emergência. Mesmo que você ainda seja sustentado pela família, o ideal é ter o suficiente para cobrir gastos num período de seis meses. Como no exemplo acima, se suas despesas mensais são de R$ 800, multiplique esse valor por seis e o resultado será o montante que deve estar guardado para tempos difíceis. Lembre-se que você pode perder o emprego, ou optar trabalhar menos para estudar para um concurso etc. Melhor estar prevenido.

3- Não se esqueça das despesas eventuais
Um erro bastante comum é menosprezar o impacto dos gastos eventuais no seu orçamento. Apesar do nome, eles acabam sendo mais recorrentes do que se imagina, portanto vale a pena reservar algum dinheiro para este tipo de despesa. Fazem parte desta categoria de gastos as despesas com remédios, com presentes, pequenos reparos em casa, consertos, ou gastos excepcionais com lazer. Isto sem falar nos gastos sazonais, como volta às aulas, Dia das Mães, Natal etc.

4- Mudando seus hábitos
São as pequenas coisas que fazem diferença no nosso dia-a-dia, tornando-o mais ou menos agradável. Da mesma forma, são os pequenos gastos que juntos podem fazer uma grande diferença no seu orçamento. Economizar não precisa ser difícil, basta incorporar alguns hábitos à sua rotina.

Para a psicóloga, as mulheres ainda têm um agravante. "Os compromissos com a higiene e beleza têm que estar dentro desse planejamento, ter uma boa aparência é bom tanto para o trabalho, como para o relacionamento afetivo".

Em todo caso, com dinheiro ou sem, o importante é ser a melhor companhia para si mesmo. "Tem que saber se virar quando os amigos não estão próximos. Alugar um filme, cuidar das plantas, se ocupar com trabalho manual, usar o tempo com algo que tenha habilidade e fazer coisas que dêem prazer", aconselha.







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