• Crédito: Divulgação
Estilo de Viver
Paris na cabeça
Aventuras de uma viajante em busca do corte de cabelo perfeito
Por Daniela Pessoa • 16/05/2008

Até que provem o contrário, você entra no Jean Louis David, que fica no coração de Paris, e pensa que está em um salão de beleza como outro qualquer. Aos poucos, pistas de que aquilo não é um salão comum vão aparecendo, a começar pelo preço. Apenas sete euros para transformar o visual com um belo corte e oito se você quiser fazer mechas, reflexo etc. Estranho. Porque, por aqui, é preciso desembolsar normalmente em torno de 35 euros para cortar as madeixas no cabeleireiro da esquina (mas ele provavelmente tem tantos diplomas e certificados quanto o presidente da França). Corte de cabelo, em terra francesa, é coisa séria. Os cabeleireiros estudam, treinam, fazem cursos, workshops, estudam mais um pouco, treinam de novo. E é no meio dessa divagação que ouço a recepcionista dizer: "E então? Já escolheu o seu corte?", apontando para um caderninho onde se lê "Catálogo".

Veja as fotos da transformação!

Curioso escolher o corte de cabelo já na recepção! Bom, teoricamente eu já deveria ter escolhido desde que saí de casa, mas achei bem legal aquela coisa de catálogo mostrando todas as tendências de corte para a primavera/verão 2008. Ficaram curiosas, né? Dou uma palhinha: o slogan da nova coleção Jean Louis David é "dinâmica, criativa e moderna". Quem manda é o desfiado e o dégradé trabalhado de forma geométrica. Os cortes são feitos, aliás, não com tesoura, mas sim com aquele aparelhinho que parece um barbeador elétrico. Assim, ficam mais precisos. Os cabeleireiros percebem melhor e mais rapidamente os volumes e as dimensões.

Não estávamos em um salão de beleza qualquer, mas no Centro de Formação Jean Louis David, onde você paga mais barato para ser a modelo (eufemismo de "cobaia") dos alunos aspirantes a cabeleireiros

Bom, voltando à recepção, onde eu me via rodeada por prateleiras com os mais variados produtos para cabelos recebendo luz indireta como se fossem obras de arte no Louvre, havia também enormes telas de TV planas que exibiam desfiles com modelos que passaram pela mão da renomada equipe de Jean Louis David. A amiga que me acompanhava foi mais rápida no gatilho e logo apontou o look que desejava na brochura. A recepcionista continuou: "Ótimo! Agora vamos ver quem é o estagiário que está treinando esse corte para podermos marcá-lo".

Hein? Estagiário? Voilà, elucidado o mistério! Não estávamos em um salão de beleza qualquer, mas no Centro de Formação Jean Louis David, onde você paga mais barato para ser a modelo (eufemismo de "cobaia") dos alunos aspirantes a cabeleireiros. Que seja! Convenhamos que ser ratinha de laboratório da elite francesa no quesito corte de cabelo não seria a pior experiência das nossas vidas. Mesmo se algo desse errado, que viagem não precisa de uma boa história para ser contada?

Mas, de fato, tudo é muito profissional. Dois meses depois (pois é, a agenda deles é lotada. Então não poderia ser tão ruim assim, não é mesmo?), quando a minha amiga foi cortar os cabelos, fui acompanhá-la. Amiga é para essas coisas, não é mesmo? No entanto, confesso que eu queria mesmo era ver como funcionava todo o procedimento para só então decidir se eu também deixaria os meus cabelos passarem, ou não, por mãos novatas.

Pena que não deu para ver a transformação de perto - tive que ficar sentada numa espécie de segunda recepção, para não atrapalhar os alunos. Entre perucas passando para lá e para cá (na sala ao lado, tenho a impressão de que os estagiários ainda estavam treinando em perucas), respirei aliviada pela minha amiga quando percebi que havia sempre alguém de preto, o professor, passeando entre os trainees, vestidos de branco, e inspecionando o trabalho deles, checando se haviam aprendido tudo direitinho. A estagiária responsável pela minha amiga deve ter levado um 10, porque o corte ficou uma graça!







bolsa de mulher no seu celular


Compartilhe: Facebook Del.icio.us LiveSpaces RSS


  
Os últimos comentários





XML Assine nosso RSS