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Para aonde foi o dinheiro?
Eleição controversa no COB e disputa acirrada do Brasileirão
Por Isabel Kieling • 07/10/2008

Falamos aqui e muita gente falou sobre os péssimos resultados do Brasil nas Olimpíadas de Pequim. Vimos que algumas Federações recebem muito do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), através da Lei Piva, sem resultado nenhum - e o que é pior: as que deram bons resultados recebem muito pouco. Houve muito questionamento no final dos Jogos, mas até hoje sem resposta do COB, sobre quais seriam os critérios usados para a distribuição dos recursos, calculados em torno de R$ 690 milhões. Dinheiro público, meu, seu, nosso, de todos os brasileiros.

Houve muito questionamento no final dos Jogos, mas até hoje sem resposta do COB, sobre quais seriam os critérios usados para a distribuição dos recursos, calculados em torno de R$ 690 milhões

O Tribunal de Contas da União, em relatório divulgado recentemente, criticou os gastos excessivos com o Pan por parte dos governos e do COB, ocasionados por erros na organização do evento. O ministro-relator Marcos Vinícios Vilaça disse que a infra-estrutura carioca não se beneficiou com o Panamericano. O impressionante é o custo calculado pelo TCU da diária de cada atleta: R$ 1.137/dia. Dizem que nem no Copacabana Palace custaria isto! E o preço de cada refeição? R$ 150. Dá para jantar nos melhores restaurantes da cidade, com vinho indicado por Sonia Melier...

Ninguém responsável explica. Numa entrevista recente, o Ministro dos Esportes disse que todo valor investido pelo Governo Federal já teve as contas prestadas e foi explicado ao TCU. Fez questão de dizer "que a verba federal utilizada no Pan foi maior que a que o governo desejava, porque o nome do país estava em jogo". Falou também que os convênios feitos para o Pan com Estado e Município terão prestação de contas.

O Comitê Olímpico Brasileiro ainda não deu as devidas explicações. Seu presidente, Carlos Artur Nuzman, com medo da oposição das pequenas federações, correu para antecipar sua eleição, com ações suspeitas: convocação tardia de algumas confederações e federações e publicação do edital em jornais de menor circulação, sem mencionar à imprensa, como faz quando quer divulgar seus projetos. É claro que nesta eleição secreta e de chapa única, Nuzman foi eleito pela quarta vez, para mais quatro anos. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, entrou em confronto com o COB, pedindo a anulação das eleições. Aproveitou a atenção da mídia para dizer que o pessoal do COB "quer o futebol fora do esporte olímpico" e que em Pequim "eles só apareceram nos jogos da seleção para tirar nosso emblema das camisetas dos jogadores".







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