• Crédito: Pacha Urbano


Outros craques
Não é só Zidane que faz sucesso, o Bordeaux também bate uma bola
Por Sonia Melier • 07/07/2006

Zidane é o melhor dos franceses? Amigas, não estou entre os 179.900 milhões de técnicos de futebol que o Brasil possui (agora de férias forçadas por pelo menos quatro anos). Sou a minoria da minoria no assunto. Para mim os verdadeiros craques franceses estão atuando em Bordeaux, Borgonha, Champagne, Loire, Vale do Ródano, Alsácia, Beaujolais, Languedoc, Roussillon, Jurançon, Mardiran, Provence. Isso entre os vinhos (devo ter esquecido uma ou outra região), pois temos também geniais craques nos destilados de Cognac e Armagnac.
O Zidane pode até se aposentar, mas Bordeaux, nosso assunto de hoje, dificilmente se cansará de produzir a maioria dos vinhos mais queridos, procurados e caros do mundo.

Bordeaux é um importante porto no rio Garonne, ligado ao estuário do famoso rio Gironde, na costa oeste francesa, bem perto do Atlântico. Porém, mais do que um porto, Bordeaux dá nome às vinícolas do departamento de Gironde, que produz vinhos de alta qualidade: são 100 mil hectares, mil km2 de vinhedos, já pensou? Os 13 mil produtores jogam no mercado anualmente cerca de 660 milhões de garrafas (dependendo, claro, das condições climáticas, da safra). Cerca de 70% dos vinhos produzidos são tintos. Os restantes são brancos, rosados e espumantes (crémants). E destilados divinos são também produzidos, em Cognac e Armagnac.

O poeta latino Decimus Ausonius (c. 310-395 d.C.), nasceu em Burdigala, nome original de Bordeaux. Lá, além de poemas, produzia seus vinhos. Foi o primeiro produtor conhecido da região. O hoje famoso Chateaux Ausone deve seu nome ao poeta. Mas a fama, a proeminência de Bordeaux começa mesmo na Idade Média, quando a irrequieta Eleanor d'Aquitânia se casa com o grosso do Henrique Plantageneta, em 1152. Henrique veio a se tornar rei da Inglaterra e também duque da Normandia. Aí ficou fácil para os bordaleses venderem seus vinhos para a Inglaterra, quase que exclusivamente. Isso era feito a partir do porto de Gasconha (sim, a terra de D'Artagnan - herói do romance Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, pai). Para vocês sacarem a natureza desse intercâmbio: Eleonor foi mãe de Ricardo, o famoso Ricardo Coração de Leão, também rei da Inglaterra, o cruzado que combateu Saladino, mas sem sucesso. Bons negócios continuaram fazendo os vinhateiros de Bordeaux. Nem a Guerra dos 100 anos os interrompeu.

Os 13 mil produtores jogam no mercado anualmente cerca de 660 milhões de garrafas


Os vinhos da região não tinham nada com o moderno Bordeaux. Eram fracos, ralos, claros (daí os ingleses o chamarem até hoje de "claret", "claros"), pois não havia nem garrafas, nem rolhas. Tinham que ser consumidos rapidamente, nada de grandes extrações para dar cor e sabor, nada de amadurecimentos longos em barris. Mas a qualidade começa a melhorar a partir do século XVI-XVII.

Onde. Como vimos, estamos falando de uma região no sudoeste francês, perto da costa Atlântica, estendendo-se pelas margens do rio Gironde - que no final divide-se entre os rios Garonne e Dordogne.

Na margem esquerda temos o Médoc, região que compreende as comunas vinícolas de St-Estèphe, Pauillac, St-Julien, Margaux, Pessac-Léognan, Barsac e Sauternes.
Na margem direita estão as áreas de Fronsac, Cânon, Pomerol e St-Emilion. Há uma língua de terra entre os dois rios conhecida como Entre-Deux-Mers.





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