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Uma garrafa custa 20 reais, a do lado 50. Ambas são da mesma cepa, da mesma safra e da mesma região. O consumidor se confunde: como uma pode custar 250% mais que a outra? Uma resposta bem simples, simplista até, seria dizer que um vinho mais caro costuma apresentar sabores, aromas e texturas mais complexas. Ou seja: a bebida deve nessas condições oferecer mais qualidades. Será que vale a pena investir mais dinheiro e ficar com a garrafa mais cara?
O preço de uma garrafa de vinho reflete o seu custo de produção, claro, como qualquer outro item de consumo. São inúmeros os fatores determinantes desse custo, do seu aumento ou de sua redução.
Começamos pelo custo da terra: você precisa plantar num local com clima e terreno adequados para o cultivo de uvas de qualidade, o que significa, no caso brasileiro, encontrar um espaço no paralelo 31º de latitude sul, na mesma situação dos vinhedos chilenos, argentinos, uruguaios, australianos, e da África do Sul. Para resolver essa dificuldade, vamos precisar pagar mais pela terra.
Veja só o caso da Miolo, que se expandiu para Candiota, na Campanha, região próxima à fronteira uruguaia. Entre os motivos estava a dificuldade de encontrar terras na Serra gaúcha, já lotada de vinícolas. Um pedaço de terra apropriada por lá está custando muito.
Na Califórnia, uma garrafa do Two-Buck Chuck custa US$ 1,99, daí o seu nome, um vinho de no máximo dois dólares a garrafa - e que vende como água. A vinícola que o produz não fica no valorizado Vale de Napa e tira 14 toneladas de uvas por hectare. Muita quantidade costuma ser igual a baixa qualidade, o que se reflete no preço. Já em Napa, uma vinícola de ponta pode fazer sete toneladas por hectare, a metade da "Two-Buck Chuck". Menor produção geralmente é igual a maior qualidade. O seu vinho custaria aritmeticamente o dobro? Nem sempre: nem todos os vinhedos são iguais.
Um hectare em Napa custa entre 150 e 300 mil dólares. Um milhão de dólares é o que custa um pedaço de terra na região do famoso vinho Barolo, feito com a uva Nebbiolo, num cantinho do Piemonte, Itália, tido como um dos melhores vinhos do mundo. É praticamente impossível você comprar um vinhedo na Borgonha: o custo da terra é tão alto que levaria gerações para pagar de volta o investimento.
Fora esse tremendo encargo inicial, o vinicultor tem que investir em pesquisas para saber que variedades se sairiam melhor na área selecionada, mapear o terreno de modo a saber como se desenvolve fisiologicamente e, assim, determinar o potencial e qualidade de cada pedaço do vinhedo.
Em seguida, preparar o terreno, plantar, cultivar suas uvas. Isso leva um ano. Num terreno novo, suas videiras só conseguirão oferecer uvas de qualidade em três ou quatro anos. A colheita será feita manualmente, e à mão serão descartados os cachos com menos de 17 folhas (dependendo do critério do vinicultor).
Esse serviço poderá ser feito mecanicamente, com ajuda de tratores, reduzindo o custo de mão-de-obra. Contudo, uvas maduras serão colhidas ao lado das verdes, com possibilidade de misturar-se a folhas e talos. E novamente entra a mão do homem: uma seleção é feita, com uvas mais sadias de um lado e outras menos do outro - isso se você quiser que uma parte da colheita contenha uvas de qualidade. No geral, se junta tudo e seja o que Deus quiser: menos qualidade, preço mais baixo.
Então, chega a hora de produzir o vinho. Para isso, você terá já adquirido o equipamento necessário, prensas, tanques para fermentação etc. e até os barris de carvalho, onde seu vinho ficará por mais ou menos um ano, para onde seguirá para a linha de engarrafamento.
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