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O perfume
Respire o fascinante mundo das fragrâncias especiais
Por Lívia Duarte • 20/05/2008

Mesmo em uma sociedade tão ligada na imagem como é a nossa, os odores nunca passam despercebidos. O olfato é um dos nossos sentidos menos explorados, mas certamente o mais visceral e talvez venha daí o pré-histórico encantamento do ser humano pelos perfumes. Acredita-se que a arte da perfumaria nasceu no Egito Antigo e na Mesopotâmia, e que se desenvolveu a partir dos romanos e árabes. Desde a antigüidade, sempre estiveram ligados às divindades e à nobreza, devido à dificuldade na obtenção das essências a partir de substâncias naturais. Com o passar dos séculos, os perfumes ganharam caráter profano e sintético. Hoje, apesar dos preços proibitivos de algumas fragrâncias, permanece o fascínio pela arte de criar perfumes e pelas sensações que os odores são capazes de causar.

Desde o século XIV, com o cultivo de flores e o aprimoramento da arte da perfumaria, a França constrói sua fama nesse ramo. Até hoje o país é o centro de pesquisas e produção de perfumes na Europa. Em Versalhes está uma das mais tradicionais escolas de perfumistas, onde - quem tem um nariz talentoso, claro - pode aprender a reconhecer aproximadamente três mil matérias-primas e as 500 fragrâncias mais conhecidas e consagradas do mercado. É com elas e com muita imaginação que são criadas essências que lembram momentos, despertam sentimentos e acentuam a personalidade. Também é possível se formar dentro de algumas das empresas da área, que têm suas próprias escolas.

Na moda, toda a tendência de cores é determinada pela indústria têxtil e depois usada pelos estilistas. Da mesma maneira, o nez traz o universo de essências para o produtor de perfumes

A perfumista Maira Jung, criadora dos perfumes Vermelho e Flô, da loja de cosméticos Época, herdou da família o talento e o gosto pela criação de fragrâncias. Conta a história que sua avó foi conquistada pelo delicioso perfume criado por seu avô. A essência virou tradição familiar e inspirou Maira na carreira. Ela explicou que o termo perfumista se aplica a dois tipos de profissionais: os que criam os buquês dos perfumes, também conhecidos como nez - do francês nariz - e aqueles com boa capacidade olfativa, que sabem definir como querem seus perfumes e trabalham nas formulações com a ajuda dos nez e posteriormente investem na produção e na venda - que é o seu caso. "Na moda, toda a tendência de cores é determinada pela indústria têxtil e depois usada pelos estilistas. Da mesma maneira, o nez traz o universo de essências para o produtor de perfumes", explica Maira.

Ela conta que não acredita em pesquisas para saber o que o consumidor quer usar para criar suas fragrâncias. "Eu parto de um desejo interior de manifestar uma criação. Eu jogo esse desejo para o universo e espero que ele traga algo bom de volta. E tem acontecido", metaforiza.

"Perfume é tendência"

A especialista em perfumes da RR Perfumes e Cosméticos, Samaritana Moraes, diz que, assim como na moda, cada época tem um tipo de perfume. Além disso, na hora de trazer um lançamento para o Brasil, é preciso pensar na realidade e no gosto das consumidoras. "As brasileiras gostam muito dos florais, e os florais frutais estão em voga hoje." As estações também são determinantes. "Os perfumes importados muitas vezes não combinam com o clima e por isso esperamos chegar o inverno ou o verão para certos lançamentos. Se o produto tem a cara de um momento, como o dia dos namorados, esperamos também".

Não é difícil notar como perfumes e grifes estão ligados. Segundo Samaritana, os estilistas têm consumidores fiéis para seus cosméticos e quanto mais sucesso nas passarelas, mais frascos vendidos. "Se você não pode comprar uma bolsa Gucci, pode ter um perfume da marca. Tanto é que se a pessoa está usando o perfume e alguém elogia, ela não vai dizer o nome do perfume, mas a marca, por questão de status". Outra coisa comum no mundo dos perfumes é associar uma fragrância a uma celebridade. "Perfumes como os da Jennifer Lopez chamam a atenção porque qualquer pessoa sabe quem ela é, conhece sua aura de sensualidade", comenta Samaritana, que também afirma que perfumes com nome de personalidades são uma ponte entre o consumo de produtos nacionais e importados - esses perfumes costumam ter preços mais acessíveis que os de grife.

Daqui ou de fora?

A especialista explica que os perfumes importados têm uma concentração de essências maior que os nacionais e por isso mais fixação. O perfumista Eduardo Vaz, que com Maira Jung criou o Eau de Toillete Vermelho, explica que, na verdade, não se faz perfume no Brasil, apenas colônias: "As pessoas se recusam a pagar um parfum feito no Brasil, pela falta de conhecimento e crença de que os importados são melhores. O preço de um perfume brasileiro seria tão alto quanto o dos importados para se obter as melhores substâncias na concentração de um perfume, que chega a conter até 30% de essências".

Eduardo revela que não existe "o fixador", mas uma série de substâncias que vão "ancorar" o odor. Essas substâncias são chamadas de notas de fundo e seriam as últimas a aparecer em uma escala de evolução do cheiro, partindo da ocasião em que se abre o frasco até os últimos momentos de fixação. A primeira impressão que se tem do perfume vem das notas de saída, que têm características mais voláteis. Posteriormente sentimos as notas de meio ou de coração, que são a personalidade da fragrância. "Deve haver um desenrolar suave entre uma e outra nota. A mudança deve ter certa estabilidade", comenta.

Sabemos que a concentração de essências e o tipo de substâncias são fundamentais no que diz respeito à fixação, mas não são os únicos fatores determinantes. As pessoas mais branquinhas fixam menos os odores, assim como as que têm pele mais oleosa. A alimentação e o uso de remédios também entram na conta, assim como o clima - o calor faz a fragrância evaporar.







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Comentários (2)
  • janna62
  • K>A


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