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O meu réveillon
Junto com os fogos, histórias memoráveis acontecem na passagem do ano
Por Renata Agostini • 31/12/2006

Reunião entre amigos, ceia em família, viagem com o namorado ou uma grande festa. Não importa a maneira escolhida para a comemoração, todos procuram uma forma especial de brindar ao ano que está por vir. Uma época que fazemos um balanço dos meses que passaram, no qual se colocam tanto as conquistas feitas, como as frustrações vividas e, principalmente, se faz planos para o futuro. Como o fim de ano é momento de recordações, algumas mulheres decidiram lembrar - e contar - o réveillon que se tornou inesquecível em suas vidas.

Depois de passar um ano particularmente difícil, a jornalista Maíra Donnici recebeu um convite que para muitos parece um sonho: uma viagem a Paris. A proposta de seus pais seria perfeita se seus chefes não tivessem pedido para que ela escolhesse entre o réveillon no exterior e seu emprego. "Estava infeliz no trabalho, minha vida estava uma zona. Fora que eu queria muito trabalhar em outro lugar, para onde a prova era muito difícil. Fiquei com medo de não passar na seleção do trabalho e ficar sem nada", conta a jornalista.

Um dia após o Natal, Maíra fez a última entrevista para o emprego de seus sonhos e, com a passagem para Paris nas mãos, ainda não tinha decidido o que fazer. "Adiei o embarque para a França para o dia 30 de dezembro. Minha família estava organizando essa viagem há meses. Fui pra casa de uns amigos pensar. Saí de lá às 6 horas da manhã sem saber se eu iria ou não. Aí me deu um estalo: ‘Quer saber? Eu vou!'", narra.

Vou te contar que, para quem sabe o que é ver a virada na praia de Copacabana, aquele milênio em Paris valeu mesmo pela aventura no metrô


Foi o tempo de colocar as roupas na mala e pegar um táxi para, antes de seguir para o aeroporto, passar no trabalho e pedir sua demissão. "Foi uma adrenalina imensa. Quando cheguei em Paris, no último dia do ano, eu olhei aquilo tudo e respirei fundo, senti aquele frio", brinca.

Mesmo com dúvidas se teria ou não um novo emprego na volta ao Brasil, Maíra decidiu que aproveitaria ao máximo todos os momentos da viagem. Com uma garrafa de champagne nas mãos, foi para um dos pontos mais charmosos da cidade, aproveitar a véspera do réveillon. Um momento que, hoje em dia, ela considera um divisor de águas em sua vida. "Meus pais estavam muito felizes com a minha presença. E eu, bom, eu estava em Paris, ora bolas! Tomei todas. Quando deu meia-noite, gritei. Tirei o peso. Foi uma sublimação", afirma.

O réveillon do milênio

Passar o réveillon na Cidade Luz pode ser uma grande satisfação ou, em alguns casos, uma grande aventura. Para a gerente de projetos Yami Trequesser, o ano novo passado em Paris ao lado do namorado foi uma experiência inesquecível, no melhor estilo "seria cômico, se não fosse trágico". Depois de uma viagem cansativa, e já estabelecido em um hotel, o casal decidiu descansar e acabou dormindo além da conta. Quando percebeu, faltavam apenas uma hora e meia para a virada do milênio. "Foi aquela correria, pois queríamos passar na Torre Eiffel, que fica quase do outro lado da cidade. O pior de tudo foi que não tínhamos idéia de que metrô pegar. Põe roupa quente, pega dinheiro, coloca gorro, luva, mais um par de meia - só pra garantir que não íamos congelar no frio de quatro graus", descreve. Após alguns momentos perdidos em busca do metrô, os dois conseguiram encontrar a linha que os levaria ao grande cartão postal da cidade. Sentados perto da janela, tudo parecia finalmente tranqüilo. "A cada estação que passava, o danado do metrô ficava mais cheio. Chegou um ponto que não cabia mais uma alma naquele vagão", conta. Até aí tudo bem, afinal quem nunca pegou um meio de transporte cheio na vida? O problema foi que, como se não bastasse a lotação do espaço, alguém decidiu lançar uma bomba de gás lacrimogêneo no chão. "Eu não sabia, mas o gás lacrimogêneo faz com que fique impossível respirar. Foram gritos e choro pra tudo quanto é canto. Meu namorado teve um ataque de rinite alérgica e não parava de espirrar. Fiquei com tanto medo que a menina ao meu lado parasse de respirar, que a peguei pelo pescoço e a coloquei com a cabeça quase fora do vagão para pegar um ar fresco. Fiz o mesmo com o meu namorado, por sinal", observa.

A aventura extra atrasou ainda mais a chegada do casal à Torre Eiffel, já que o metrô ainda teve de ficar parado por mais vinte minutos na estação. O importante é que faltando quinze minutos para a virada, Yami e o namorado estavam sentados e abraçadinhos no lugar onde queriam estar, só não contavam com o que estava por vir. "Ficamos esperando os fogos do tão falado milênio. Olha, foi uma decepção. Meia dúzia de estalos, que nem coloridos eram, e pronto! Vou te contar que, para quem sabe o que é ver a virada na praia de Copacabana, aquele milênio em Paris valeu mesmo pela aventura no metrô", confessa.





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