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O título lembra uma história da Carochinha, não é? É que na coluna de hoje temos uma heroína diminuta, metade de um polegar, muito linda, com vestes variadas e vibrantemente coloridas, parece uma fadinha. Ela é muito valente, sua missão é lutar contra seres incrivelmente maus e daninhos. E seu sucesso é tanto que sua aparição é sempre tida como sinal de boa-sorte e de felicidade.
Pois essa história começa com o João Araújo, um leitor lá do Porto, Portugal, que procurava no Google informações sobre as joaninhas, até que encontrou a Soninha. O caso é que ele está tentando ajudar um amigo, também de Portugal, que começa a produzir vinho em cinco hectares na região da Bairrada. Esse amigo, o Luis, vai seguir a produção orgânica, em que a agricultura é desenvolvida sem que se usem pesticidas e herbicidas, pois emprega apenas fertilizantes naturais. E não utiliza energia fóssil, nada de tratores ou qualquer outro tipo de veículo: prefere arados e carroças movidos a mulas. Promove a biodiversidade (em suas terras, os vinhedos estão ao lado de oliveiras etc), busca equilibrar o ecossistema e evita o que pode de sulfitos nos vinhos.
O Luis, amigo do João, deixa ficar entra as vinhas um tapete verde, de modo a ajudar o solo. Essa área precisa ser revolvida de tempos em tempos. E é justamente nela que uma multidão de joaninhas apareceu: vive por lá, feliz da vida. Fazendo o quê? Ajudando o Luis, pois elas se alimentam de pequenos insetos, piolhos de planta, pulgões, larvas, moscas da fruta - um povo extremamente nocivo às plantas.
O problema do Luis é esse: toda a vez que ele tem de revolver o solo, sem querer elimina muitas joaninhas - coisa que tenta evitar a todo o custo, pois elas não se cansam de ajudá-lo. Sem elas, ele teria de usar herbicidas. Um absurdo! Através do João do Porto, o Luis está atrás de algum produto ou processo que afugente as joaninhas e evite que sejam destruídas quando tem de remexer o solo. Ele, na verdade, tem verdadeiro afeto por elas.
Portanto, a trama da coluna de hoje é parecida com a das histórias da Carochinha, dos Contos de Fada, agentes transformadores da realidade infantil e que se submetem a fórmulas características para começar e acabar: Era uma vez... E viveram felizes para sempre. Segundo um psicólogo que tratou profundamente desse assunto, Sheldon Cashdan, essa fórmula implica em quatro etapas:
Travessia, na qual "nosso herói ou heroína é levada a uma terra diferente, marcada por acontecimentos mágicos e criaturas estranhas". Ai está: nossa joaninha saiu lá da Ásia e foi parar nas vinhas do Luis, na formosa Bairrada, uma terra diferente. E acontecimentos e criaturas estranhas marcam a sua presença lá.
Encontro é a segunda etapa: É quando se registra o encontro com "uma presença diabólica, uma madrasta malévola, um ogro assassino, um feiticeiro ameaçador". Pois a nossa joaninha não se depara com pulgões, lavas, insetos - as madrastas más, os bruxos que vivem querendo destruir a vinha do Luis?
Conquista é a penúltima fase. "O herói ou heroína mergulha numa luta de vida ou de morte com a bruxa, que leva inevitavelmente à morte desta última". É justamente isso que aconteceu e está acontecendo. Nossa valente joaninha luta com contra pulgões, lavas, insetos e os elimina a todos.
A quarta e última parte parece ser a mais problemática. É a da Celebração: "um casamento de gala ou uma reunião de família, em que a vitória sobre a bruxa é enaltecida e todos vivem felizes para sempre".
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