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Mulheres ao ataque
Mesmo se você é daquelas que não quer ouvir falar em gol, time, estádio, ou qualquer sinônimo que lembre a tal prática, não adianta negar: futebol é uma paixão nacional. E mais, tem muita mulher que também já caiu de amores.
Por Maíra Donnici • 26/11/2004
Apesar de desafeto da maioria das mulheres, ninguém contesta que futebol é uma paixão nacional. E está expulsa de campo quem disser que nunca torceu em pelo menos um jogo. Olha: vale até final de Copa do Mundo, ou aquela partida de um jogador lindo que você nem sabe de que time é. Tudo bem, convenhamos que é difícil entender esse sentimento incondicional que acomete quase todos os membros do sexo masculino. Ainda mais quando eles vibram com qualquer partida, até em amistoso de time da terceira divisão. Rumo ao contra-ataque, algumas mulheres vêm provando que o futebol está longe de ser um adversário nos seus relacionamentos, e uma prática estritamente masculina. Elas afirmam que, também nesse quesito, dão goleada em muito homem por aí.
Falando sério, como aceitar que eles troquem a nossa companhia para assistirem a um bando de marmanjos uniformizados correndo atrás de uma bola? E o pior, obedecendo a um cara vestido de preto, que, entre um apito e outro, ainda é chamado de ladrão. Cartão vermelho pra eles! Pois é, e tem mulher que já nasce nesse impasse. Desde pequena, a professora Nathália Castañeda foi obrigada a agüentar pai, irmão, primos, tios, todos loucos por futebol. No entanto, ao invés de ficar lutando contra essa cisma masculina, ela entrou no time e tornou-se uma fanática como eles. “Eu tinha que conviver com a paixão deles pelo futebol sem entender muito. Até o dia em que eu resolvi jogar na aula do meu irmão. Aí não deu outra, tomei gosto pela coisa! Comecei a praticar e a acompanhar o meu time. Não demorou muito para virar torcedora de carteirinha”, conta Nathália, que usa camisa, gorro, bandeira e todo o aparato futebolístico na hora de ver sua equipe em campo. “Quando tem gol, eu berro, solto fogos, é uma emoção indescritível. Mas se o Flamengo perde, eu fico bem triste. Se for campeonato então, eu até choro! Ainda bem que todos os meus namorados gostavam de futebol e o mais importante, também eram flamenguistas, senão seria um problema”, confessa a professora.
Infelizmente, nem todas têm a mesma sorte que nossa amiga Nathália. Já que a gente não é técnica de futebol para escalar quem joga no nosso time, mulher que gosta muito de esporte corre o risco de ser mais fanática que o namorado. Não acredita? Então é porque você nunca conheceu alguém como a estudante Daniela Cazaroli, uma palmeirense doente, como ela mesma se apresenta. “Sou daquelas que se mete em torcida organizada, canta, xinga o juiz e acorda rouca no dia seguinte. Já o meu ex não era tão ligado como eu e, ainda por cima, torcia para o São Paulo! Ele odiava as minhas idas ao estádio, mas eu enfrentava a cara feia”, relembra Daniela, que deixava seu namorando no banco de reservas para ver seus jogos. E como todo fanático é fiel até morrer, ela garante não virar a casaca por homem nenhum. “Meu namorado não seria nem louco de pedir que eu mudasse de time. Pra mim, é uma coisa sagrada”, declara ofendida.
Querendo ou não, os homens são um mal necessário. Tentando não ficar no zero a zero, muitas mulheres passam a adotar uma tática para se tornarem artilheiras. Segundo elas, se em uma partida não se pode vencer o time adversário, o melhor a fazer é juntar-se a ele. A produtora Renata Rossi é uma dessas que sempre ficava impedida toda vez que tentava conquistar a atenção do seu namorado em dia de jogo. Para não cair para a segunda divisão, ela começou a ver as partidas com ele e até a fazer delas mais um programa de casal. Não é que foi bola no ângulo? “Eu torcia para o Fluminense, mas era indiferente. Até que eu comecei a namorar um flamenguista incondicional. Quando eles são muito fanáticos, não dá pra competir. No início, via um jogo ou outro, e quando dei por mim, lá estava eu na torcida do Flamengo quase todos os domingos”, diverte-se Renata, que virou o jogo ao ocupar o sofá, ao invés de ficar de fora enquanto via seu namorado ser hipnotizado por um time de desconhecidos. “Acho que tem muita mulher que não gosta de futebol porque parou para entender como funciona. Depois que eu resolvi fazer companhia para o meu namorado, virou um passatempo”, explica. Essa merece até uma ola...
Esse lance de futebol feminino é levado tão a sério que tem mulher arriscando até uma pelada. Bola na trave se você já foi pensando besteira. Estamos falando em praticar uns chutes mesmo. Querendo ir além da arquibancada, a estudante Bruna Araújo começou a treinar com algumas amigas na escola. O placar? Passemos a bola para ela: “Começamos a jogar na escola, mais por brincadeira. Aí a coisa foi ficando séria, entramos em campeonatos e o time deu certo. Hoje eu sou tri-campeã paulista e campeã brasileira na categoria juvenil de time de escolas”, conta a estudante orgulhosa. Quer mais um gol? Como esse esporte já está no sangue dos homens, não há risco de ter um namorado “joão-chuteira”. Pelo contrário, em dia de jogo, não tem como embolar o meio de campo. “Eu era a única namorada que não brigava por causa do futebol no sábado. Quando a gente também gosta não tem aquela de ficar chateada. Vou junto aos jogos. O problema é que rola machismo da parte dos homens, que ainda são maioria nos estádios”, comenta a craque. Parece que até no futebol as mulheres vem virando o jogo. E como todo mundo sabe - ou já cantou um dia - que de virada é mais gostoso, troféu para elas!
Maíra Donnici   Leia mais deste autor.
Falando sério, como aceitar que eles troquem a nossa companhia para assistirem a um bando de marmanjos uniformizados correndo atrás de uma bola? E o pior, obedecendo a um cara vestido de preto, que, entre um apito e outro, ainda é chamado de ladrão. Cartão vermelho pra eles! Pois é, e tem mulher que já nasce nesse impasse. Desde pequena, a professora Nathália Castañeda foi obrigada a agüentar pai, irmão, primos, tios, todos loucos por futebol. No entanto, ao invés de ficar lutando contra essa cisma masculina, ela entrou no time e tornou-se uma fanática como eles. “Eu tinha que conviver com a paixão deles pelo futebol sem entender muito. Até o dia em que eu resolvi jogar na aula do meu irmão. Aí não deu outra, tomei gosto pela coisa! Comecei a praticar e a acompanhar o meu time. Não demorou muito para virar torcedora de carteirinha”, conta Nathália, que usa camisa, gorro, bandeira e todo o aparato futebolístico na hora de ver sua equipe em campo. “Quando tem gol, eu berro, solto fogos, é uma emoção indescritível. Mas se o Flamengo perde, eu fico bem triste. Se for campeonato então, eu até choro! Ainda bem que todos os meus namorados gostavam de futebol e o mais importante, também eram flamenguistas, senão seria um problema”, confessa a professora.
Infelizmente, nem todas têm a mesma sorte que nossa amiga Nathália. Já que a gente não é técnica de futebol para escalar quem joga no nosso time, mulher que gosta muito de esporte corre o risco de ser mais fanática que o namorado. Não acredita? Então é porque você nunca conheceu alguém como a estudante Daniela Cazaroli, uma palmeirense doente, como ela mesma se apresenta. “Sou daquelas que se mete em torcida organizada, canta, xinga o juiz e acorda rouca no dia seguinte. Já o meu ex não era tão ligado como eu e, ainda por cima, torcia para o São Paulo! Ele odiava as minhas idas ao estádio, mas eu enfrentava a cara feia”, relembra Daniela, que deixava seu namorando no banco de reservas para ver seus jogos. E como todo fanático é fiel até morrer, ela garante não virar a casaca por homem nenhum. “Meu namorado não seria nem louco de pedir que eu mudasse de time. Pra mim, é uma coisa sagrada”, declara ofendida.
Querendo ou não, os homens são um mal necessário. Tentando não ficar no zero a zero, muitas mulheres passam a adotar uma tática para se tornarem artilheiras. Segundo elas, se em uma partida não se pode vencer o time adversário, o melhor a fazer é juntar-se a ele. A produtora Renata Rossi é uma dessas que sempre ficava impedida toda vez que tentava conquistar a atenção do seu namorado em dia de jogo. Para não cair para a segunda divisão, ela começou a ver as partidas com ele e até a fazer delas mais um programa de casal. Não é que foi bola no ângulo? “Eu torcia para o Fluminense, mas era indiferente. Até que eu comecei a namorar um flamenguista incondicional. Quando eles são muito fanáticos, não dá pra competir. No início, via um jogo ou outro, e quando dei por mim, lá estava eu na torcida do Flamengo quase todos os domingos”, diverte-se Renata, que virou o jogo ao ocupar o sofá, ao invés de ficar de fora enquanto via seu namorado ser hipnotizado por um time de desconhecidos. “Acho que tem muita mulher que não gosta de futebol porque parou para entender como funciona. Depois que eu resolvi fazer companhia para o meu namorado, virou um passatempo”, explica. Essa merece até uma ola...
Esse lance de futebol feminino é levado tão a sério que tem mulher arriscando até uma pelada. Bola na trave se você já foi pensando besteira. Estamos falando em praticar uns chutes mesmo. Querendo ir além da arquibancada, a estudante Bruna Araújo começou a treinar com algumas amigas na escola. O placar? Passemos a bola para ela: “Começamos a jogar na escola, mais por brincadeira. Aí a coisa foi ficando séria, entramos em campeonatos e o time deu certo. Hoje eu sou tri-campeã paulista e campeã brasileira na categoria juvenil de time de escolas”, conta a estudante orgulhosa. Quer mais um gol? Como esse esporte já está no sangue dos homens, não há risco de ter um namorado “joão-chuteira”. Pelo contrário, em dia de jogo, não tem como embolar o meio de campo. “Eu era a única namorada que não brigava por causa do futebol no sábado. Quando a gente também gosta não tem aquela de ficar chateada. Vou junto aos jogos. O problema é que rola machismo da parte dos homens, que ainda são maioria nos estádios”, comenta a craque. Parece que até no futebol as mulheres vem virando o jogo. E como todo mundo sabe - ou já cantou um dia - que de virada é mais gostoso, troféu para elas!
Maíra Donnici   Leia mais deste autor.
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