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  • Em defesa da comida - Um manifesto


Manifesto pró-saúde
Autor americano lança manifesto: coma aquilo que estraga e viva melhor
Por Liliana de La Torre • 13/09/2008

"Coma comida. Não em excesso. Principalmente vegetais". Eis a primeira recomendação de Michael Pollan, autor de "O dilema do onívoro", em seu novo livro "Em defesa da comida - Um manifesto"

Uma volta à alimentação tradicional, orgânica e saudável dos nossos avós e a valorização do ato social e cultural de comer. Esta é a tônica do novo livro de Michael Pollan que dá dicas de como qualquer um pode se alimentar com "comida de verdade". Mas, afinal, o que é comida de mentira? É aquela cheia de conservantes, acidulantes, corantes, enfim, aquela que geralmente sai dos nossos freezeres, diretamente para nossos microondas e depois pratos, em um fim de semana preguiçoso.

Resumindo: alimentos frescos e integrais são melhores que os industrializados. É o que significa a recomendação "coma comida", citada logo no início

Pollan disseca as contradições do marketing da indústria alimentícia, que movimenta 32 bilhões de dólares nos Estados Unidos, e fala aberta e diretamente sobre a produção norte-americana de alimentos, suas suspeitas relações com cientistas, sistema de saúde, órgãos governamentais de regulamentação e a mídia. No livro, você vai saber também sobre um pouco da história da alimentação (principalmente o fast food).

A partir da década de 60, os cientistas condenaram a gordura animal e passamos a ver a comida a partir de uma lógica nutricionista. O problema é que esses estudos científicos mudam e se contradizem com muita freqüência. Um exemplo são os resultados de duas pesquisas de instituições renomadas nos EUA (Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências e Harvard) sobre as gorduras ômega-3, publicados em 2006. Enquanto o primeiro estudo não encontrou provas conclusivas de que a substância fizesse muito bem ao coração, o outro trouxe a notícia promissora de que comer determinadas porções de peixe por semana (ou tomar cápsulas de óleo de peixe) diminui em mais de um terço o risco de morte por ataque cardíaco.

Segundo Pollan, como conseqüência dessa notícia, não tardará o momento em que cientistas da indústria da alimentação, visando a aumentar as vendas para o público preocupado com as doenças cardíacas, adicionarão óleo de peixes e algas a alimentos totalmente terrestres, como pães e massas, leite, iogurtes e queijos, sob a alegação de seus benefícios para a saúde do coração. Urgh... você já se imaginou comendo um pãozinho sabor bacalhau?

Resumindo: alimentos frescos e integrais são melhores que os industrializados. É o que significa a recomendação "coma comida", citada logo no início. Outra recomendação de Pollan diz respeito a esses elementos artificiais cujos nomes mal se consegue dizer. "Evite comidas contendo ingredientes cujos nomes não se possa pronunciar", explica. Portanto, diante de uma lista de substâncias como "diglicerídeos hidrolizados", melhor não arriscar, porque não se trata de comida, mas de química. Produtos que, em geral, duram muito. Logo, outra dica do autor é "não coma nada que não possa um dia apodrecer" - porque se nem fungo quis comer, significa que não é comida!

Recomendações de Michael Pollan para uma alimentação saudável:

1. Não coma nada que sua avó não reconhecesse como comida.

2. Evite comidas contendo ingredientes cujos nomes você não possa pronunciar.

3. Não coma nada que não possa um dia apodrecer.

4. Evite produtos alimentícios que aleguem vantagens para sua saúde.

5. Dispense os corredores centrais dos supermercados e prefira comprar nas prateleiras periféricas.

6. Melhor ainda: compre comida em outros lugares, como feiras livres ou mercadinhos hortifruti.

7. Pague mais, coma menos.

8. Coma uma variedade maior de alimentos.

9. Prefira produtos provenientes de animais que pastam.

10. Cozinhe e, se puder, plante alguns itens de seu cardápio.

11. Prepare suas refeições e coma apenas à mesa.

12. Coma com ponderação, acompanhado, quando possível, e sempre com prazer.



Liliana de La Torre é jornalista, carioca da gema, da clara e da casca, e mãe de João Paulo e Gabriel, suas grandes paixões. Bibliófaga, lê até bula de remédios com letras corpo 5. Começou a carreira na TVE Brasil, passou pelo Jornal do Brasil e foi assessora de imprensa por mais de dez anos. Atualmente, faz parte da equipe de Novas Mídias de uma grande agência. Apaixonada por Comunicação, diz que o mais importante não é o que se diz ou escreve, e sim, o que os outros interpretam.   Leia mais deste autor.





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