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Na semana passada, estive trocando e-mails com uma amiga acerca da pré-estreia mundial do longa-metragem "Sex and the City", que aconteceu no mês passado em Londres (ambas estranhamos o local, afinal, a série se desenrola nas rendodezas de Manhattan). Minha amiga confessou que, para ela, o seriado já nao tinha mais o mesmo charme. Pois, enquanto Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha continuavam as mesmas, nós evoluíamos e, a cada reprise, o seriado se tornava mais e mais uma peça de museu. É bem verdade que no nosso círculo há poucas que ainda estejam a procura de um Mr. Big, mas será que vale aposentar Carrie & Cia. da nossa coleção de DVDs? Pelo jeito, a maioria das londrinas acha que não.
Os críticos de cinema bem que tentaram nos avisar, argumentando que o longa, ao seguir as simples tramas de encontros e desencontros do seriado, se negava a correr riscos (mas, já dizia o ditado, não se mexe em time que está ganhando - de preferência se o time em questão está ganhando lucros polpudos para os produtores). Isso não impediu que o público feminino desse total vazão à síndrome de abstinência de quatro anos, lotando os cinemas, debatendo o filme em bares, restaurantes (numa mesa ao lado da minha uma moça argumentava com um amigo que em Nova Iorque "Sex and the City" era muito mais do que comédia de costumes, era um verdadeiro estilo de vida), nos elevadores do meu escritório, por toda a cidade. Na mesma semana em que as mulheres de Gustav Klimt finalmente chegaram a Tate Liverpool (numa exposição que rola até o final de agosto), eram as mulheres de Manhattan que estavam dando o que falar. Sinal dos tempos...
Os críticos também fizeram objeções ao fato das quatro amigas parecem mais consumistas do que nunca, e de o filme endeusar "moda" e "marcas". Por um lado, eles têm razão (custaria aos roteiristas mostrar as quatro tendo discussões um pouquinho além dos temas de sempre - "sexo e sapatos"?), por outro, há o argumento de que a moda em "Sex and the City" merece tanto destaque como as protagonistas.
Os modelitos desfilados no filme refletem a criatividade, a sensibilidade artística, o estilo de vida e as diferentes personalidades das quatro amigas. Se o roteiro se recusa a tomar riscos, a figurinista Patricia Field os adota como seu mantra, coisa que aliás já vinha fazendo tão bem no seriado de TV. Field ao que parece está lutando mais uma vez pelo Oscar de melhor figurino, tendo perdido para a imbatível Milena Canonero dos sublimes figurinos de "Maria Antonieta" ao concorrer em 2007 com "O Diabo Veste Prada". Quanto mais disparatado o visual de Carrie, mais apreciamos a sua coragem em se revelar alegre, sexy e extrovertida através dos seus experimentos sartoriais - mesmo que alguns tenham resultados desastrosos.
A gente sai do filme inspirada, achando que não seria má idéia revirarmos nossos próprios guarda-roupas em busca de novas combinações e um novo visual. Não precisamos radicalizar, mas qualquer acessório que ajude a tornar nosso o dia-a-dia no trabalho mais divertido é válido. Pelo menos nesse aspecto o conceito "Sex and the City" continua moderno e relevante.
Emilia Ferraz é anglófila inveterada e mora em Londres desde 1997. Nas horas vagas, adora passear por vários cantos do mundo e experimentar todo tipo de tira-gosto cultural, desde que bem temperado: da literatura ao teatro, da música clássica ao rock punk, da arte vitoriana ao surrealismo e da gastronomia fina ao simples arroz com feijão. Emilia mantém um diário de suas experiências no blog Monomania Diaries.  Leia mais deste autor.
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