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Luxo e sensualidade
A moda de Tom Ford revolucionou a Gucci e firmou o luxo como sensual
Por Ciça Mattos • 07/09/2007

Nunca um homem foi tão desejado por mulheres e homens ao mesmo tempo.

Tom Ford, assumidamente homossexual, vivendo uma relação estável com o jornalista Richard Buckley por mais de 20 anos, ainda é apontado por muitas revistas femininas como o "solteiro" mais cobiçado do ano. No entanto, o desejo por Ford vai além de sua beleza, charme e elegância. Após vários anos à frente da Gucci e da YSL, Tom Ford é hoje dono da grife que leva o seu nome, além de ser um ícone da moda do século XXI.

Texano de origem, Tom Ford nasceu em Austin, mas foi criado em Santa Fé, Novo México. Seu bom gosto e sensibilidade artística são atribuídos à mãe, que o ensinou a fazer uso correto da moda e a se vestir de forma apropriada a cada ocasião. Ela costumava dizer que "andar mal vestido era um desrespeito aos outros". Sua família o criou de forma liberal, respeitando sempre suas escolhas e a sua real vocação. Aos 12 anos, ganhou seu primeiro par de sapatos Gucci. Talvez seu destino estivesse sendo traçado naquele momento.

Apesar de ser apontado como um profissional de talento nato e abundante, Tom Ford credita seu sucesso à sua energia, muito mais que aos seus dotes criativos

A carreira do belo e atraente Tom Ford teve início na Parsons School of Design em Nova York, onde ele estudou primeiramente design de interiores, para depois se especializar em moda. Em 1990, Ford foi contratado pela Gucci, tradicional grife do mercado, apesar de ser considerado por alguns integrantes da equipe como um pouco ousado, sexual demais. No entanto, sua apreciação pelo luxo e o talento de trabalhá-lo de forma suave e equilibrada fizeram com que suas peças se tornassem clássicos instantaneamente.

Até o dia de seu traumático desligamento da renomada Gucci em abril de 2004, Ford foi responsável pelo desenvolvimento de todas as linhas de produto desta grife (de roupas a perfumes), além de supervisionar a criação de campanhas publicitárias e a decoração das lojas. O resultado foi uma mudança radical na imagem da marca, uma renovação completa assim como uma reviravolta financeira. Tom Ford não só salvou a empresa da falência como fez a Gucci voltar a ser um nome relevante no mundo da moda. A grife passou a ser vista como uma lançadora de tendências, desejada e copiada mundialmente.

Para isso, este jovem estilista, apesar de mais de 20 anos de carreira, simplesmente seguiu seus instintos e injetou um glamour sensual às roupas vendidas pela Gucci. Em entrevista, declarou que se sentia privilegiado por entender o gosto das pessoas e por poder criar uma moda adequada a elas. "Não devemos mais discutir o que serve para mulheres e o que serve para homens. Temos que pensar naquilo que é melhor para o momento que cada um está vivendo".

Em Janeiro de 2000, Ford passou a acumular a direção criativa da Yves Saint Laurent Cuture e da YSL Rive Gauche, marcas recém adquiridas pelo grupo detentor da Gucci, o LVMH.

Apesar de ser apontado como um profissional de talento nato e abundante, Tom Ford credita seu sucesso à sua energia, muito mais que aos seus dotes criativos. Confessa que dorme pouco, de duas a três horas por noite, e não dispensa seu bloco de "post-its", já que morre de medo de se esquecer de alguma idéia brilhante que teve ao longo do dia (ou da noite!).

Recentemente, o estilista abriu sua própria loja, na Madison Avenue, em Nova York, apresentando uma coleção masculina extremamente sofisticada, mas também com um forte apelo sexual. "Os homens estão aceitando, cada vez mais, que podem e devem ser sedutores através de suas roupas", diz ele.

E Tom Ford parece saber mesmo o que faz. Sua clientela VIP aumenta a cada dia, a lista de espera por seus acessórios, principalmente os óculos da grife, é interminável e os planos de expansão incluem praças como Londres e Tóquio.

Com um serviço de alto padrão de qualidade e personalizado ao extremo (os clientes têm seus nomes gravados nas embalagens dos produtos, no momento da compra), a mais nova loja de Tom Ford já é motivo de alegria e orgulho. O mais interessante e inusitado é que sua intenção explícita de resgatar o luxo real, verdadeiro e caro não soa, como poderia acontecer nos dias de hoje, absurdo ou elitista.

Pelo contrário. Nadando contra a maré e diferente da maioria das grifes Tom Ford decidiu não massificar o luxo, mas colocá-lo novamente num pedestal, acessível a poucos. Mas, sem dúvida alguma, um luxo muito sensual.



Ciça Mattos 35 anos, é publicitária estudou Moda na London College of Fashion e Marketing na New York University (NYU). Trabalhou 15 anos em agência de publicidade e se dedica hoje ao estudo do comportamento de consumo de moda.  Leia mais deste autor.





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