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Lá na China...
China off-Olimpíada: sutilezas, delícias e belezas de Xangai e Pequim
Por Emilia Ferraz • 08/08/2008

Acabamos de voltar de uma visita curta, mas proveitosa, a amigos que moram em Pequim e Xangai. Foi a nossa primeira ida à China e já estamos com vontade de retornar e conhecer muito mais. Em Pequim, pudemos acompanhar alguns dos preparativos para as Olimpíadas, que começam neste sábado e ficamos com a impressão de que a capital não pára de se modernizar: a cada dia, aparece mais um arranha-céu espetacular, um restaurante ou hotel chiquérrimo (como o "Aman Resorts Summer Palace") e por que o governo vem tomando todas as medidas necessárias para combater e/ou camuflar a famosa poluição, pudemos aproveitar vários dias de céu límpido e azul (para padrões de Pequim, isto é), o que parece ser raridade nessa cidade com fama de cinzenta.

Apesar de estar patrocinando a Olimpiada mais cara da história, a capital não nos pareceu tão hospitaleira como a sua "rival" mais próxima, Xangai (entre as duas metrópoles existe uma leve rivalidade como entre São Paulo e Rio), que nos pareceu ter habitantes mais solícitos e calorosos. Como não falamos quase nada de mandarim (vide nosso vocabulário limitado abaixo), sofremos em ambas cidades da chamada síndrome de "Encontros e Desencontros" (que assim batizei em homenagem ao filme de Sofia Coppola), onde a impossibilidade de se dialogar por vezes nos leva a situações cômicas - como a da paciente garçonete de Xangai que não entendia nada do que eu tentava pedir como sobremesa - ou frustrantes, como na maioria dos casos em Pequim, onde sentimos maior frieza e uma certa resistência a tentar entender ou ajudar o turista perdido.

Fica claro para o visitante que há uma ordem a ser mantida e, em alguns momentos, cheguei a ter vontade de tocar em algum assunto "tabu", só para ver o que aconteceria

Pode até ser coincidência que os pequineses sorriam menos, mas, de qualquer modo, sente-se que a atmosfera na capital é de maior cautela e vigilância (basta dizer que, ao desembarcar em Pequim, um policial da alfândega examinou os livros que trazíamos na mala!). Por todos os bairros e ruas víamos paramilitares. Fica claro para o visitante que há uma ordem a ser mantida e, em alguns momentos, cheguei a ter vontade de tocar em algum assunto "tabu", só para ver o que aconteceria (mas claro que não o fiz!). Apesar de o regime ser o mesmo, em Xangai, o clima é mais descontraído e a gente se sente imediatamente mais à vontade.

Isso nao quer dizer que Pequim não tenha o seu lado divertido, afinal, há milhares de lugares interessantes espalhados pela cidade: parques, templos, o bairro artístico (Dashanzi art district), spas, comércio de luxo, milhares de bares "da moda", restaurantes suntuosos como o "Green T House" e o novíssimo "Duck de Chine". Também é interessante observar o contraste entre os novos prédios mirabolantes e os poucos bairros antigos (as "Hutongs"), que escaparam à demolição contínua ao longo dos anos. Com tanto dinheiro e tanto marketing, parece que a cidade está tentando passar a frente de Xangai, e quem sabe até de Hong Kong, como a próxima fantasia futurística da China. Já tendo investido tanto em tecnologia, só fica faltando um pouquinho mais de simpatia!







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