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Freud explica...
Você sabe no divã de que profissional sentar num momento de crise?
Por Renata Agostini • 29/09/2007

Problemas fazem parte da vida. Muitas vezes, porém, enfrentá-los parece missão quase impossível. São momentos em que nem o melhor ombro amigo, o mais poderoso livro de auto-ajuda ou extrema determinação pessoal são suficientes. A verdade é que a mente humana é bastante complexa e costuma nos pregar muitas peças. Quando fica muito difícil entender tudo o que se passa, pode ser a hora de buscar a ajuda de um psicólogo. Ou será melhor um analista? Pode ser também um terapeuta... Os títulos são muitos e muita gente se confunde. Antes de buscar ajuda é bom entender as diferenças entre estes profissionais.

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Quando falamos em psicologia nos referimos de uma maneira geral ao estudo dos processos mentais e do comportamento humano. Ela é a base para todos os tratamentos psíquicos modernos. Mas procurar alguém para tratar as angústias do dia-a-dia está longe de ser uma idéia recente, explica Maria Luiza Bustamante, coordenadora do curso de psicologia da UERJ. Ela lembra que, nos séculos XVI e XVII, esta função era feita de alguma forma pelos padres: "As famílias com um nível social melhor tinham um padre como conselheiro".

Com a expansão das pesquisas, a psicologia foi se desdobrando em áreas de conhecimento específicas. Antes, ela se dividia basicamente em clínica, do trabalho e da educação

Freud passou a explicar...

No final do século XIX, a psicologia, que antes estava atrelada à filosofia, se tornou uma ciência independente, abrindo espaço para investigações sistemáticas sobre a saúde mental. Surgiram, então, diferentes correntes teóricas e propostas para o tratamento psicológico dos pacientes. A psicanálise é a mais conhecida delas. Não é à toa que todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já proferiu a irônica frase: "Só Freud explica".

Outros dois sistemas se tornaram também importantes dentro da psicologia: o behaviorismo e a Gestalt. Para os behavioristas, ou comportamentistas, os processos mentais não podem ser medidos ou analisados, sendo, portanto, de pouca utilidade para a psicologia. Só é possível teorizar e agir sobre o que é cientificamente observável. O foco deve estar, então, no estudo do comportamento. O behaviorismo baseia-se na idéia de que o aprendizado ocorre em função de uma mudança no comportamento, conjunto de reações a estímulos externos que produzem uma conseqüência: bater em uma bola, solucionar um problema matemático.

Já para os gestaltistas, o comportamento humano é o resultado de processos perceptivos. Em sua origem, eles se preocupam entender quais os meios psicológicos estavam envolvidos na ilusão de ótica, como no caso do cinema. Na tela, é projetada uma seqüência de imagens estáticas, percebidas por nós, porém, como movimento.

Não é tão complicado quanto parece. Estas correntes são abordagens possíveis dentro da psicologia clínica, uma das especializações da psicologia, diz Maria Luiza Bustamante. "São maneiras de conduzir o tratamento terapêutico", explica. A necessidade de procurar um analista pode surgir após sucessivas frustrações no trabalho ou em relacionamentos, causadas não por coincidência ou azar, mas por padrões de comportamento que levam a pessoa sempre a fracassar. Outras vezes, mesmo sendo bem sucedida, ela convive com sintomas de depressão, ansiedade, problemas sexuais ou até mesmo físicos, apesar do corpo estar perfeitamente saudável. Estes sintomas podem ser tratados sob diferentes perspectivas, de acordo com a linha escolhida pelo profissional. Além da psicologia clínica, há ainda outras dez especializações do curso de psicologia, entre elas a psicologia do trabalho, a psicomotricidade, a neuropsicologia e a psicopedagogia. "Com a expansão das pesquisas, a psicologia foi se desdobrando em áreas de conhecimento específicas. Antes, ela se dividia basicamente em clínica, do trabalho e da educação", afirma Maria Luiza Bustamante.

A terapia

Para muita gente, terapeuta é sinônimo de psicólogo. Mas, apesar de se basear nos estudos sobre a mente humana e comportamento, os psicoterapeutas - como realmente devem ser chamados - podem, ou não, ter formação em psicologia. São profissionais da área de humanas que se especializaram no tratamento de problemas de fundo psíquico. As terapias de casais e de família são exemplos de tipos de tratamento conduzidos pelos psicoterapeutas.

A terapeuta familiar Ana Beatriz Macedo explica que a maneira usada para eliminar os sintomas é o que difere psicólogos, terapeutas e psicanalistas. "Quando cuido de uma adolescente com anorexia, por exemplo, busco entender o problema pelo viés familiar. São relações que influenciam no comportamento e nos sintomas produzidos por ela. De certa forma, toda a família está doente", exemplifica. A denominação para psicoterapia surgiu no corpo da psicanálise, que foi a primeira corrente a estudar a metodologia de trabalho com o paciente. Para os psicanalistas, eles utilizavam um método único e todos os demais faziam psicoterapia. "Em linhas gerais é muito simples. A psicoterapia implica na existência de um indivíduo sofrendo psicologicamente e de um profissional capacitado para ajudá-lo", diz Maria Luiza Bustamante.







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