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Falta vontade
Para ser campeão, é preciso querer. Onde está essa vontade dos times?
Por Isabel Kieling • 02/09/2008

O Campeonato Brasileiro está tão sem graça... Só vejo um time com vontade de ser campeão: o Grêmio. Os demais estão tentando não cair, tentando chegar ou não sair do grupo dos quatro. Somente o Palmeiras fala em correr atrás do Grêmio. Claro, seguindo a cartilha de seu técnico, Vanderlei Luxemburgo - que me parece empurrando o time enquanto fica tentado a "secar" o Dunga nos próximos jogos da Seleção Brasileira. Taí um acontecimento que pode favorecer o Grêmio. O Dunga cai e o Vanderlei assume a seleção, fato que pode abalar a "corrida" atrás do Palmeiras.

Enquanto isso, a torcida do Flamengo já sacou que o título "já era". Que aquele momento mágico, quando o time estava na liderança, não volta mais. Estava bem quieta no Fla x Flu. Vibrou nos gols, mas ficou com um gostinho amargo de perder dois pontos no momento em que não podia. O Fluminense fez seu papel: tentar fugir ao máximo da zona de rebaixamento. E é só o que pode esperar sua torcida por enquanto, depois de ter colocado todas as fichas na Libertadores perdida.

As torcidas estão meio anestesiadas, não sabem mais o que esperar dos seus times, não podem ter mais ídolos. Eles não param. O campeonato brasileiro virou somente uma vitrine para os europeus e árabes

O São Paulo sofre com o desânimo e com a perda de jogadores. Não consegue nem mais entrar no tal "G4". Isso porque esnobou a Copa Sul-Americana, colocando um garoto de 16 anos para cobrar um pênalti que decidiria sua continuidade na competição. Era para o time se poupar para o clássico contra o Santos... Mas poupar de quê, heim? Não saiu de zero a zero com o peixe. Já o Cruzeiro está na fase da queda livre, perdendo pontos no final das partidas. E o Inter não consegue ganhar fora de casa. Começou o campeonato como time favorito no papel, mas só no papel. Perdeu muitos jogadores para a janela e bem antes dela. certo, comprou muitos também, repatriou alguns - mas não consegue manter um mesmo time jogando. O Nilmar, atacante colorado, está sendo bombardeado de propostas de transferências. Talvez quando essa coluna for ao ar já esteja na Itália ou na Espanha. O que é uma pena, porque se conseguiu ser convocado para a seleção brasileira, voltando depois de muito tempo, foi graças ao futebol jogado aqui no Brasil. Na Europa, talvez caia no esquecimento, sentado num banco qualquer, de algum time espanhol ou italiano, dirigido por um daqueles técnicos europeus esquisitos que adoram pontapé e força. Olhem a situação do Robinho.

Definitivamente, já podemos afirmar que, neste ano, a janela de transferências impactou o campeonato brasileiro. Acabou com o interesse do torcedor, com a curiosidade, com o brilho do campeonato. A tabela está achatada entre o "G4" e o último da classificação para a Sul-Americana. Fruto do fraco rendimento da maioria dos times. Pudera: é tanta mudança que já não se sabe quem é quem. As torcidas estão meio anestesiadas, não sabem mais o que esperar dos seus times, não podem ter mais ídolos. Eles não param. O campeonato brasileiro virou somente uma vitrine para os europeus e árabes. E a gente que se contente com esses jogadores argentinos, paraguaios e chilenos, comprados por "DVD", que quando dão certo aqui, também vão embora para a Europa. Veja o recente caso do Valdivia, do Palmeiras...

Por tudo isso o Grêmio, um time certinho e com poucas mudanças, querendo ganhar de verdade, sem brilho e muito faltoso, mas eficiente, com muita garra e disciplina, está caminhando a passos largos para conquistar seu terceiro título brasileiro, igualando-se ao seu arqui-rival, Inter.







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