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Eddie Vedder
Eddie Vedder, do Pearl Jam, pode ser considerado um artista completo
Por Emilia Ferraz • 22/08/2008

Há duas coisas que me fazem abandonar rapidinho a minha xícara de chá e o apertado conforto do meu apartamento londrino: a primeira é a possibilidade de torrar os miolos sob o quente verão novaiorquino (já que em Londres não tem verão...) e a segunda é o grupo de rock Pearl Jam, meu Zeus no Olimpo das melhores bandas de rock. Melhor ainda quando eu posso combinar as duas coisas: se viajar para assistir ao Pearl Jam em qualquer buraco no mundo já é uma experiência única (não é toda banda de rock que oferece a seus fãs shows épicos de três horas com um repertório diferente a cada noite), vê-los ao vivo em Nova Iorque tem um charme todo especial: são esses os shows mais bem cotados e os que mais dão o que falar, em suma: são o tipo de evento que os fãs mais dedicados da banda querem ter em seus currículos.

Por isso quase pulei da cadeira quando soube que Eddie Vedder, o líder de voz aveludada do grupo, estava embarcando em sua primeira turnê solo para promover a premiada trilha sonora do filme "Na Natureza Selvagem" (aliás, esse filme por si só merece uma coluna...), incluindo uma breve passagem por Nova Iorque e Nova Jersey. Há algum tempo, Eddie vem se dedicando paralelamente a projetos musicais bastante interessantes, seja compondo para os filmes do seu amigo, ator e diretor Sean Penn ("Os Últimos Passos de um Homem", "Uma Lição de Amor" e o próprio "Na Natureza Selvagem"), ou colaborando com músicos como Jack Johnson, Bruce Springsteen e até Kings of Leon (vide a divertida versâo de "Slow Night So Long" que os Kings e Eddie tocaram juntos no festival Lollapalooza em 2007)

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Eddie, um banquinho, sua guitarra alternando com violão, ukelele e gaita. Com um som puro e, claro, lá estava a prova de que Eddie Vedder tem uma das vozes mais interessantes e poderosas no mundo da música moderna

Na mesma hora fui providenciar uma passagem baratinha para Nova Iorque, organizar hospedagem e sofrer por meia hora no lentissímo site do teatro NJPAC, disputando com milhares de fãs norte-americanos um par de ingressos para o show. Que agonia! Mas, como diz o ditado, no fim tudo da certo e numa bela quinta-feira no começo do mês me encontrava no NJPAC, Nova Jersey ouvindo Eddie Vedder ao vivo e em cores.

Já na primeira canção da noite ("Walking the Cow", de Daniel Johnson) o queixo da platéia caiu. Simplesmente a acústica do teatro era perfeita. Mais perfeita até do que no lendário show que Eddie & cia fizeram em Madison Square Garden (Nova Iorque), em 2003, até hoje o melhor que vi da banda em termos de qualidade sonora. Ajudava o fato da atmosfera no NJPAC ser bem mais intima: Eddie, um banquinho, sua guitarra alternando com violão, ukelele e gaita. Com um som puro e, claro, lá estava a prova de que Eddie Vedder tem uma das vozes mais interessantes e poderosas no mundo da música moderna. Ele cantava com tanta clareza que as canções pareciam penetrar em nossos poros.

Os grandes destaques da noite foram canções densas como "Dead Man Walking" or "Man of the Hour" (do filme "Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas "), ou faixas urgentes como "I Am Mine" (em versao nova e vigorosa), " Masters or War", "Setting Forth" and "Rise". Até o próprio Eddie reconheceu a qualidade acústica do teatro novinho em folha e brincou que o NJPAC iria fazer parte da sua lista de locais preferidos para shows. O que me fez pensar em como esse teatro seria perfeito para uma performance acústica, nas mesmas linhas do historico show que a banda fez no Benaroya Hall (Seattle) em 2003.

Após três horas, 29 canções, incluindo vários encores, o show terminou literalmente com o pôr do sol (a faixa "Hard Sun"), eu sai do teatro flutuando numa nuvem musical. Espero que alguma performance dessa turnê solo de Eddie tenha sido gravada, pois ele não é somente uma das "grandes vozes dos nossos tempos" (como disse a revista Time Out NY), ele também é um dos artistas mais completos.

Ah, e o clima em Nova Iorque estava mesmo de torrar os miolos, do jeito que eu gosto!

Altamente recomendáveis:

Eddie Vedder

Into the Wild/Na Natureza Selvagem (trilha sonora)

Dead Man Walking/Os Ultimos Passos de um Homem (trilha sonora)

Pearl Jam

Live at the Garden 2003 (DVD)

Live at Benaroya Hall 2003 (CD)



Emilia Ferraz é anglófila inveterada e mora em Londres desde 1997. Nas horas vagas, adora passear por vários cantos do mundo e experimentar todo tipo de tira-gosto cultural, desde que bem temperado: da literatura ao teatro, da música clássica ao rock punk, da arte vitoriana ao surrealismo e da gastronomia fina ao simples arroz com feijão. Emilia mantém um diário de suas experiências no blog Monomania Diaries.  Leia mais deste autor.





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