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Estão todas convidadas, mas o passeio de hoje é dedicado aos gourmands de plantão! Porque Paris, afinal de contas, não fascina só pelo brilho, pela grandeza, pelo glamour, mas também pela gastronomia! E, confesso, a cozinha daqui já me pegou de jeito! Não que eu tenha me tornado uma chef (ainda estou aprendendo a não deixar o arroz empapar), mas já provei tantas delícias que engordei, sem dúvida, uns cinco quilos! Não me arrependo. Olha que, para uma mulher dizer isso, é porque Paris - com seus sabores, bistrôs, cafés, salões de chá, brasseries e pâtisseries - enfeitiça os nossos sentidos. Pela manhã e pela tarde, as ruas têm sempre um aroma convidativo de pão fresquinho, de bolo quentinho, de chocolate derretido. E, a cada degustação, hmmmm, descobre-se um novo (e suculento!) sabor. É de dar água na boca!
A maioria dos franceses coloca, de verdade, a mão na massa e cozinha todos os dias. Reunir os amigos ao redor de uma mesa de queijos e vinhos, então, é quase um clichê - delicioso, por sinal! Porém, para eles, cozinhar é coisa séria, é savoir-faire. Quer ver um francês torcendo o nariz e perdendo o apetite? Diga que comprou o queijo mais barato do mercado, requente o queijo brie ou volte a comer salgados depois da sobremesa. Qualquer uma dessas atitudes é considerada um atentado à boa cozinha - e você, a terrorista.
Pois é, foi assim que me senti na festinha de aniversário de uma amiga brasileira. O pessoal já tinha detonado torradinhas com queijo brie quando, inocentemente, resolvi derretê-lo novamente para iniciarmos uma nova rodada de comilança. Fui apoiada por todos os brasileiros, mas um dos franceses presentes na festa, de olho no que aprontávamos com a comida, logo protestou: "o quê??? Requentar queijo brrrrie? Nem pensar!" - e delicadamente tirou a tigela da minha mão. Mais tarde, depois do ‘parabéns' e do bolo, voltamos a beliscar os salgados (inclusive o tal queijo, mesmo molengo e frio). Não deu outra: "Não acredito! Vocês estão comendo salgado de novo, depois da dessert?". Mais uma gafe... Mas ninguém, mesmo sob olhares de protesto, deu bola.
Aí você vê a diferença: para um brasileiro, comer é simplesmente comer, pelo simples prazer do ato. Entretanto, para os franceses, é mais do que isso: comer é, também, uma arte. Li que eles gastam em média US$ 2.260,00 por ano para se alimentarem, contra US$ 1.990,00 gastos por um americano e US$ 1.340,00 por um japonês. Isso porque, por aqui, a qualidade dos produtos é um item essencial. Tudo passa pela escolha do açougue, da peixaria, da feira e até dos itens de supermercado certos.
Mas pop mesmo, em Paris, é fazer compras nos mercados de alimentos, onde você encontra tudo o que há de mais tradicional da cozinha francesa - e do mundo! Tudo sempre muito bem apresentado, muito bem disposto em vitrines deliciosas. Sem contar que a qualidade dos produtos, como manda o figurino (ou cardápio) francês, é excelente. Frutos do mar, lagostas, escargots e caranguejos são vendidos ainda vivos em mercados à céu aberto na charmosa St. Germain des Prés, por exemplo, onde as noites também são animadas nas ótimas creperias, restaurantes e bistrôs da região. Em Montmartre, a rue des Martyrs, que vai em direção à Sacre Coeur, é outra rua supertradicional em termos de comércio alimentício. Já a feira da praça da Bastilha é ótima para quem quer comprar frutas fresquinhas, apetitosas e baratas.
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