• Crédito: Divulgação


Comer, comer!
Que tal dar uma voltinha gastronômica pela Cidade-Luz?
Por Daniela Pessoa • 23/05/2008

Estão todas convidadas, mas o passeio de hoje é dedicado aos gourmands de plantão! Porque Paris, afinal de contas, não fascina só pelo brilho, pela grandeza, pelo glamour, mas também pela gastronomia! E, confesso, a cozinha daqui já me pegou de jeito! Não que eu tenha me tornado uma chef (ainda estou aprendendo a não deixar o arroz empapar), mas já provei tantas delícias que engordei, sem dúvida, uns cinco quilos! Não me arrependo. Olha que, para uma mulher dizer isso, é porque Paris - com seus sabores, bistrôs, cafés, salões de chá, brasseries e pâtisseries - enfeitiça os nossos sentidos. Pela manhã e pela tarde, as ruas têm sempre um aroma convidativo de pão fresquinho, de bolo quentinho, de chocolate derretido. E, a cada degustação, hmmmm, descobre-se um novo (e suculento!) sabor. É de dar água na boca!

A maioria dos franceses coloca, de verdade, a mão na massa e cozinha todos os dias. Reunir os amigos ao redor de uma mesa de queijos e vinhos, então, é quase um clichê - delicioso, por sinal! Porém, para eles, cozinhar é coisa séria, é savoir-faire. Quer ver um francês torcendo o nariz e perdendo o apetite? Diga que comprou o queijo mais barato do mercado, requente o queijo brie ou volte a comer salgados depois da sobremesa. Qualquer uma dessas atitudes é considerada um atentado à boa cozinha - e você, a terrorista.

Não acredito! Vocês estão comendo salgado de novo, depois da dessert?". Mais uma gafe... Mas ninguém, mesmo sob olhares de protesto, deu bola

Pois é, foi assim que me senti na festinha de aniversário de uma amiga brasileira. O pessoal já tinha detonado torradinhas com queijo brie quando, inocentemente, resolvi derretê-lo novamente para iniciarmos uma nova rodada de comilança. Fui apoiada por todos os brasileiros, mas um dos franceses presentes na festa, de olho no que aprontávamos com a comida, logo protestou: "o quê??? Requentar queijo brrrrie? Nem pensar!" - e delicadamente tirou a tigela da minha mão. Mais tarde, depois do ‘parabéns' e do bolo, voltamos a beliscar os salgados (inclusive o tal queijo, mesmo molengo e frio). Não deu outra: "Não acredito! Vocês estão comendo salgado de novo, depois da dessert?". Mais uma gafe... Mas ninguém, mesmo sob olhares de protesto, deu bola.

Aí você vê a diferença: para um brasileiro, comer é simplesmente comer, pelo simples prazer do ato. Entretanto, para os franceses, é mais do que isso: comer é, também, uma arte. Li que eles gastam em média US$ 2.260,00 por ano para se alimentarem, contra US$ 1.990,00 gastos por um americano e US$ 1.340,00 por um japonês. Isso porque, por aqui, a qualidade dos produtos é um item essencial. Tudo passa pela escolha do açougue, da peixaria, da feira e até dos itens de supermercado certos.

Mas pop mesmo, em Paris, é fazer compras nos mercados de alimentos, onde você encontra tudo o que há de mais tradicional da cozinha francesa - e do mundo! Tudo sempre muito bem apresentado, muito bem disposto em vitrines deliciosas. Sem contar que a qualidade dos produtos, como manda o figurino (ou cardápio) francês, é excelente. Frutos do mar, lagostas, escargots e caranguejos são vendidos ainda vivos em mercados à céu aberto na charmosa St. Germain des Prés, por exemplo, onde as noites também são animadas nas ótimas creperias, restaurantes e bistrôs da região. Em Montmartre, a rue des Martyrs, que vai em direção à Sacre Coeur, é outra rua supertradicional em termos de comércio alimentício. Já a feira da praça da Bastilha é ótima para quem quer comprar frutas fresquinhas, apetitosas e baratas.







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