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China, uma grande vinícola
De olho grande no ocidente, os chineses investem no mercado de vinho
Por Sonia Melier • 14/08/2008

Se houvesse uma olimpíada para vinhos, a China ameaçaria ganhar, em pouco tempo, um punhado de medalhas. Imaginem se apenas uma pequena parcela de sua população, hoje de um bilhão e trezentos e trinta milhões de habitantes, passasse a consumir um litro de vinho por mês. Poderia até faltar vinho em nossas mesas! E a bebida começa a cair no gosto dos chineses...

Há cinco anos, a China mal conhecia vinho feito de uvas: era apenas um "acontecimento marginal", relata a minha guru e sempre citada Jancis Robinson. Mas nesse curto espaço de tempo, o país tornou-se o sexto maior produtor de uvas viníferas, com aspirações grandiosas de se tornar o maior produtor mundial de vinhos. Estima-se que até 2058, a China liderará a produção mundial, "com Cabernets capazes de concorrer com os de Bordeaux". Ela já possui os vinhedos, mas ainda não a técnica.

Há dez anos o consumo de vinho cresce no país: 50% na primeira metade dessa década, e estima-se em mais 70% na segunda metade. Claro que produtores, comerciantes e outros luminares do vinho no ocidente começaram a ver o país mais seriamente

No mercado de vinhos finos, a presença chinesa não é nada sutil. Os novos ricaços do país não param de correr atrás dos grands crus franceses. Por conta dessa voragem, os preços dos Romanée-Conti e Lafite, normalmente altíssimos, chegaram à estratosfera.

Jancis Robinson esteve na China em 2002, 2005 e recentemente, em março de 2008. Ficou impressionada com a baixa qualidade dos vinhos e com a grande proporção destes que buscavam lembrar, mesmo longinquamente, os tintos franceses. Em março, a crítica inglesa notou o grande número de chineses com aspirações crescentes pelo estilo de vida ocidental, e como o vinho tornou-se um acessório cada vez mais familiar a esse estilo.

Hoje, Hong Kong já rivaliza fortemente com Londres e Nova York como um importante centro comercial de vinhos. Estima-se que os colecionadores da Hong Kong respondam agora por um quarto dos vinhos vendidos em leilões. A atual empresa líder do mercado de leilões nos Estados Unidos, a Acker Merrall & Condit, realizou o seu primeiro evento em Hong Kong e a resposta foi exuberante: venderam US$ 8,2 milhões.

Há dez anos o consumo de vinho cresce no país: 50% na primeira metade dessa década, e estima-se em mais 70% na segunda metade. Claro que produtores, comerciantes e outros luminares do vinho no ocidente começaram a ver o país mais seriamente. O "imperador" do vinho Robert Parker, o mais famoso crítico do ocidente, acaba de fazer a sua primeira visita ao país, que incluiu um jantar de US$ 2.300 por cabeça na Grande Muralha. O site de Jancis Robinson já está sendo traduzido para o chinês. Contam-se às centenas as visitas de diretores de vinícolas para apresentar seus vinhos. Inclusive, produtores brasileiros ofereceram seus vinhos na International Wine Exposition em Shangai, em março último.

Novos ricos

Recentemente, um milionário chinês, David Li, participou de um badalado leilão em Napa, Califórnia, e adquiriu por meio milhão de dólares seis magnums do Screaming Eagle 1992 (é considerado o melhor Cabernet Sauvignon do país - e um dos melhores do mundo; uma garrafa custa a partir de US$ 1 mil, isso quando puder ser encontrada). David Li declarou que "os vinhos do Vale de Napa são os melhores do mundo".

E muita gente torce para que para que os demais novos ricos chineses imitem David Li. O problema é que eles cobiçam mesmo apenas os grandes vinhos franceses, particularmente os de Bordeaux e Borgonha: são suas pedras de toque, suas referências mais importantes. Já começaram a comprar vinícolas em Bordeaux, como acaba de acontecer com a venda do Château Latour-Laguens (que não tem relação com o famoso Château Latour). O Château Lafite transformou-se numa obsessão para os chineses fãs de vinho. Segundo apurou Jancis Robinson, eles preferem o Lafite a outros de mesmo porte, como o Mouton-Rothschild, Margaux, Latour ou o Haut-Brion, pois seu nome é mais fácil de pronunciar em mandarim do que os de outras marcas francesas. Será?

O caso é que os novos ricos chineses não diferem muito dos nossos: compram mais pelo prestígio do rótulo, bebem marcas famosas, o que está na moda (desde que seja em Paris, Londres ou Nova York).







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