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Estilo de Viver
Bolhas, tiros e minhocas
Dentro da garrafa não havia um gênio, mas uma minhoca vermelha!
Por Sonia Melier • 15/05/2008

Coquetel de Champagne. Leitora pede uma receita, que seja "clássica". Bem, faço uma que chamo de "clássica", pois é a que faço sempre. E faço sempre porque é sucesso garantido. É deliciosa, festiva como os espumantes devem ser, e facílima de preparar. Fazemos dez delas tão rapidamente quanto apenas uma. E tem mais uma vantagem: não é preciso utilizar a Champagne verdadeira. Qualquer espumante seco de boa qualidade será bem-vindo. Logo, não precisa ser cara.

Minha receita: numa flute de Champagne, coloque uma colher de sobremesa de açúcar. Em seguida, deixe cair sobre o montinho de açúcar no fundo da taça algumas gotas de Angostura. Deixe pingar até que o tal montinho fique ensopado com o genial e aromático bitter. Uma opção ao açúcar em grãos é o formato em cubos, embora mais difícil de encontrarmos por aqui.

No livro, Bond revela que esse martini é criação sua, que vai até patenteá-lo assim que encontrar um nome apropriado, o que acontece em seguida. Dá a ele o nome de Vesper

Vagarosamente encha a taça com o espumante até dois terços de sua altura. E está pronto! Teremos uma mistura doce, picante, aromática que harmoniza muito bem com o vinho espumante. Será elogiada em ambientes casuais e também nos mais formais. Experimente.

O Martini de James Bond. Leitora quer saber mais sobre o drinque do 007 - esse, sem dúvidas, um clássico. Que eu saiba, é o martini que ele mesmo criou. Aparece no primeiro livro de Ian Fleming, Casino Royale, publicado em 1953, e reapareceu em 2006, no filme de mesmo nome, com o novo Bond, Daniel Craig.

No livro, quando está no cassino, Bond pede ao garçom um dry martini, uma taça de champagne (daquelas clássicas, não uma flute). E dá a receita: "Três medidas de Gordon's (o célebre gim inglês, criado há 200 anos por Alexander Gordon e que não utiliza extratos, apenas ervas e especiarias autênticas como aromatizantes), uma de vodca e meia media de Kina Lillet. Mexa bem até que esteja geladíssimo e, então, junte uma casquinha de limão. Entendeu?"

Atenção que Kina Lillet não é um vermute. É um apéritif feito à base de vinho branco, originário da cidade de Podensac, em Bordeaux. Foi criado pelos irmãos Paul e Raymond Lillet em 1887. E leva quinino, origem da Kina em seu nome, derivada do principal ingrediente do quinino, a casca da árvore peruana kina-kina (ou cinchona). Esse apéritif já apareceu na série Os Sopranos e também era consumido pelo terrível Hannibal Lecter, no filme O Silêncio dos Inocentes.

No livro, Bond revela que esse martini é criação sua, que vai até patenteá-lo assim que encontrar um nome apropriado, o que acontece em seguida. Dá a ele o nome de Vesper, da agente inglesa (Vesper Lynd, interpretada por Eva Green na recente versão) que o acompanha no cassino - e por quem 007 tem um olho espichado.

No filme de 2006, Daniel Craig pede o mesmo martini e dá a mesma receita. Um drinque sempre sacudido, nunca mexido. Ian Fleming preferia os seus sacudidos (numa coqueteleira), pois achava que assim os sabores sobressaiam. Mas cientistas do Departamento de Bioquímica da Universidade de Ontário, Canadá, descobriram que na sua preparação os martinis feitos com gim, se sacudidos, são capazes de reduzir a quantidade de peróxido de hidrogênio (a nossa popular água oxigenada) em apenas 0,072% do volume total. Se mexidos, esse resíduo é maior: 0,157%. Mas acho que James Bond não está nem aí para os peróxidos. O martini sacudido fica um pouco mais turvado que o mexido. Em compensação, geladíssimo como quer o agente secreto.







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