• Crédito: Divulgação


Balanço fashion
Veja o que rolou dentro e fora da passarela da semana de moda carioca
Por Fernando Puga • 23/01/2007

Chegou ao fim a batalha carioca da guerra fashion. Foram cinco dias submerso no mundinho das tendências, incansável na exaustiva peregrinação por desfiles, backstages, corredores, salas de imprensa. Um autêntico intensivão de estilo, no convívio diário com quem faz, dentro e fora das passarelas e dos refletores, moda no Brasil - e no mundo, por conseqüência.

Foi a décima edição de Fashion Rio. Heloísa Simão, curadora e organizadora do evento, contou, logo na coletiva de lançamento, no domingo dia 14, que havia se dado conta de que montou a primeira semana de moda carioca com apenas 15 mil dólares. Não se sabe exatamente o orçamento deste evento de 2007, mas quem olha os enormes galpões montados na Marina da Glória, a extraordinária infra-estrutura oferecida para quem vai trabalhar, expor, se divertir, pode ter uma idéia do crescimento do evento. Na verdade, um acompanhamento coerente do desenvolvimento fulminante da moda brasileira no mundo, que acabou tendo como símbolo Gisele Bündchen que, não por acaso, como era de se esperar, acabou se transformando na grande atração deste Fashion Rio.

Aliás, foi na Colcci, o último desfile de todos, a maior concentração de famosos na platéia, como Sônia Braga e Lulu Santos. Todos garantindo estarem ali para ver os passos de Gisele Bündchen, que levou R$ 2,2 milhões de cachê.


O tempo cinza no Rio durante toda a semana (durante todo o mês!) ajudou a contextualizar as coleções de inverno. Foi um show da cor por todos os cantos, em todas as tonalidades possíveis. O preto e o verde militar também foram coringas em quase tudo. Os comprimentos também estavam esmagadoramente mínimos. O truque para manter as pernas bem vestidas, mas aquecidas, nas microssaias, microshorts e microvestidos ficou nas leggings e nas meias-calças escuras. Curtos também, os pelerines e os casaquinhos. As peças são superelegantes e não dão aquele look senhorinha. As silhuetas estão seguindo a tendência arredondada. Tudo tem um certo clima balonê ou casulo. Plissados e pregas também surgiram aos montes. Veja no slideshow.

Mas a verdade é que, olhando as coleções do ano passado, a sensação é de um certo déjà vu Tudo isso, incluindo as calças skinny e os metalizados, já estava nas passarelas no último inverno. E todo mundo, de uma certa maneira, comentava esse detalhe nos corredores. Se é para eleger alguma diferença, o que foi notado este ano foi o crescimento de uma estética futurista (não o futurismo dos anos 60, de astronauta e mundo de plástico, mas uma evocação dos ETs, como no desfile da Sommer) em detrimento de um romantismo, começando a ficar meio passê. Ou seja, nada de anos 40 e 50. O lance é 60 e 80, com náilon, cirê e vinil, e nos pés, botas de cano alto sem salto e botinhas curtas de salto alto. Não pintou um scarpin sequer para contar a história. E, nos bastidores, o hit foi a sapatilha nos pés das fashionistas. De verniz, de oncinha, preta, colorida e, principalmente, as de glitter.

Uma coisa muito legal da maioria das coleções é que as grifes estão colocando nas lojas uma grande quantidade de peças com uso em aberto, ou seja, avulsas, que não dependem do resto da coleção para fazerem sentido, vestidas em reles mortais nas passarelas do dia-a-dia. Isso pode assustar um pouco, porque pode parecer mais fácil comprar um look pronto, seguro e todo certinho, mas possibilita um encontro interessante com a própria imagem e um desenvolvimento do estilo individual.

À parte disso tudo - ou não - a atmosfera, digamos, social de uma semana de moda é uma peculiaríssima fonte de diversão. A começar pelas primeiras filas dos desfiles, em que grifes e celebridades se dão as mãos para promoverem-se juntas. Choveu gente de todos os escalões, uns ávidos por entrevistas e flashes dos repórteres destinados especialmente à cobertura do balacobaco, outros um pouco mais retraídos, e também tinham aqueles com esquemas especialmente montados para o ar de suas graças. Marcos Paulo e sua namorada, Mariana Mantega, por exemplo, só chegaram à poltrona 1A do desfile da Colcci, depois que as modelos já estavam na passarela, numa manobra em função dos paparazzi. Aliás, foi na Colcci, o último desfile de todos, a maior concentração de famosos na platéia, como Sônia Braga e Lulu Santos. Todos garantindo estarem ali para ver os passos de Gisele Bündchen, que levou R$ 2,2 milhões de cachê.

Sua passagem, encerrando o Fashion Rio, ganhou ares de apoteose do evento. Antes, o acesso ao backstage da Colcci já havia se transformado num enorme e natural tumulto. Gisele não estava muito bem humorada e não recebeu ninguém, apenas a equipe do Fantástico, que fez com ela uma matéria ensinando a andar de salto. Mas, a caminho da passarela, respondeu educadamente uma pergunta de cada um dos poucos repórteres que foram autorizados a aguardá-la.

Dois dias antes, no desfile da TNG, Reynaldo Gianecchini também causou frisson. Sua chegada, cercada de infinitos seguranças, ao camarim caprichosamente preparado para ele, meia hora antes do desfile, foi um verdadeiro inferno. Jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas com ânimos exaltadíssimos desorganizaram a fila que os assessores tentavam com muito esforço, mas em vão, formar, para que acontecesse uma espécie de coletiva informal. Com o empurra-empurra, impossibilitaram até mesmo a entrada de maquiadores, camareiras e demais modelos.

As tentativas de transformar o evento de moda em baladinha noturna também vingaram com a profusão dos lounges. Enquanto alguns ofereciam programas zens, como massagem, reflexologia ou sushi bar, outros eram verdadeiras boates, com música em volumes ensurdecedores e clima uísque-com-energético. A idéia de diversão nem é das piores, mas a barulheira que começava às oito da noite, antes do meio do expediente de quem cobria o evento e trabalhava em computadores dispostos em espaços vizinhos, fez chover apelos por decibéis mais razoáveis. Sem muita atenção, é verdade, seguimos até o último dia escrevendo e entrevistando ao som de Bob Sinclair. Mas perrengues assim também fazem parte da moda.

Fernando Puga   Leia mais deste autor.





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