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Au Revoir, Paris!
Chegou a hora de fazer as malas - e de eternizar todas as lembranças
Por Daniela Pessoa • 13/07/2008

Não conheço uma pessoa, na face da Terra, que goste de despedidas. Você gosta? Eu, pelo menos, não. Nada mais triste, mais angustiante, do que olhar nos olhos de alguém e ter que dizer aquele "tchau", uma mistura de "adeus" com um esperançoso "a gente se vê por aí". Confesso que se despedir de pessoas é muito mais difícil do que de coisas, mas, quando a gente passa metade do ano em uma cidade, ela se transforma em alguém de carne e osso, em alguém de verdade. Assim é Paris para mim: a mãe, a irmã, a amiga que me acolheu nesses seis meses que passaram voando (raios! Por que tudo que é bom dura pouco?). Então, nada mais justo do que, nessas últimas colunas em terras de Napoleão, prestar uma homenagem alegre (pois é, nada de chororô!) a essa cidade que me surpreendeu a todo o momento, seja pela sua beleza, pelo povo, pelas curiosidades, enfim, por cada detalhe.

Paris é mesmo impossível de ser esquecida. É coup de foudre, amor à primeira vista. É só olhar para o rio Sena que o coração dispara. Depois, chegando ao Arco do Triunfo, a boca fica seca. Quando você dá de cara com a Torre Eiffel, então, o corpo todo estremece, vem o frio na barriga, e aí, você já sabe, você sente - é paixão! Engraçado, porque, desde que eu cheguei aqui, eu ficava brincando: "Quando é que a torre vai me parecer tão banal quanto o Cristo Redentor para os cariocas?". Pois é, mas ela nunca foi (e meu palpite é de que nunca será) banal. Acho que nunca vou conseguir olhar para ela sem sentir o coração disparando, o sorriso nos lábios - "estou em Paris! Uh, lá lá!".

Viver aqui é como estar num estado constante de paixonite. Tudo parece sonho! No entanto, quem ama também briga, também reclama, discute, diz que odeia. As coisas não são só flores em 100% do tempo. E, se fossem, também não teria graça, teria? Por isso, para fechar com chave de ouro (ou pelo menos tentar), resolvi fazer uma lista de tudo o que achei mais interessante, surpreendente e - por que não? - irritante nesses meus dias de parisiense.

Alguns últimos fatos sobre Paris... e sobre a França!

1) As francesas são chiques, poderosas e magérrimas!

OK, elas têm o charme de quem segura uma Louis Vuitton em uma mão e uma sacola Dior em outra, elas ficam graciosas com um lencinho Hermès amarrado no pescoço ou na cintura, mas o segredo de beleza das francesas, meninas, é a alimentação! Pois é, coisa que a gente já está careca de saber, mas que é uma "verdade verdadeira". E aí vai o exemplo das francesas para corroborar, mais uma vez, o que os médicos, nutricionistas, nutrólogos etc dizem há anos: tenha uma alimentação equilibrada.

Os franceses, tanto homens quanto mulheres, têm uma preocupação enorme com a alimentação. Eles também comem fast food e outras porcarias, é claro, mas procuram maneirar nas quantidades, coisa que brasileiras como eu não têm a habilidade (ou seria força de vontade?) de fazer. Se eu abro um pacote de biscoito, por exemplo, já era, devoro até o final, sem dó nem piedade. Um francês, nunca. Ele pega um, dois, no máximo três biscoitos e já se dá por satisfeito. Além disso, nas propagandas de TV que anunciam alimentos há sempre uma legenda que chama a atenção para hábitos alimentares saudáveis, como "não belisque entre as refeições" ou "consuma diariamente X frutas, Y legumes e Z verduras".

Uma vez, levei brigadeiros para uma festinha achando que ia conseguir corromper o código francês de conduta alimentar - "ahá! É agora que eles vão se entupir de doce!" - mas não deu certo. Não interessa se é brigadeiro, crepe de Nutella, bombom, ou seja lá o que for: os franceses não se entregam à tentação. Nas festinhas ou nos restaurantes, são sempre os brasileiros que comem mais!

2) Se você pode confiar nas dicas alimentares de uma francesa, nunca confie nas que dizem respeito aos cabelos...

A não ser que você queira saber o segredo para deixá-los menos oleosos mesmo estando há semanas sem lavá-los. Não posso generalizar dizendo que todo francês não gosta de banho, mas com certeza posso dizer que eles não têm muito o hábito de lavar a cabeça. E digo isso por experiência própria, tirada do tempo em que trabalhei como baby sitter aqui em Paris. A menina de quem eu tomava conta tinha ste anos e já detestava um chuveiro. Quando eu tinha essa idade e estava brincando, de fato, quando me mandavam para o banho, eu fazia birra, porque a boneca me parecia bem mais interessante do que o banheiro. Mas era só ir com jeitinho, levando o brinquedo junto ("vamos dar banho na boneca?"), que eu ia, feliz - e ainda fazia festa.

Mas, enfim, a menininha francesa fugia, realmente, da água. Não adiantava levar bola, inventar mil jogos, nada. Consegui contornar a situação algumas vezes, tentando tornar o banho divertido, pedindo para os pais conversarem com ela, comprarem xampu que não faz os olhos arderem e por aí vai. Um dia, o sermão do pai começou bem: "Olha, filha, você tem que tomar banho e lavar a cabeça quando a Daniela pedir. É para o seu bem, é para a sua higiene". "Mas, pai, eu não gosto". "Tudo bem, mas tem que fazer". Palmas para o pai, até que veio a segunda metade da frase: "... Nem que seja só duas vezes por semana". Engasguei, tossi, respirei fundo e pensei: "Meu Deus, a menina só toma banho nas duas vezes por semana em que venho aqui". Juro que tentei fazer o meu máximo para que aqueles dois dias por semana fossem os mais limpos da vida dela, mas às vezes meu esforço era em vão.

E foi essa menininha de sete anos que me apresentou, no final das contas, a um produto que não pode faltar na nécessaire das francesas: o démelant, que eu chamo de "desmelante". Sabe aquela história de passar talco na raiz do cabelo para disfarçar a oleosidade? Pois é, tática muito ultrapassada! Aqui, o negócio é mais evoluído e até invadiu a indústria de cosméticos. Em toda prateleira de mercado, na mesma seção dos xampus, você vai encontrar o démelant, um líquido cheirosinho (pode-se escolher aroma de framboesa, morango) que geralmente vem em spray e serve justamente para "desmelar" o cabelo, para tirar aquele aspecto de gorduroso. Dá para acreditar? Melhor do que o talco, pelo menos.







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Comentários (2)
  • velazquez
  • amada do senhor


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