• Crédito: Divulgação
  • Rubem Alves


Aos mestres, às crianças
Rubem Alves lança livros em homenagem às crianças e aos professores
Por Liliana de La Torre • 04/10/2008

Olhei o calendário e vi que em breve, teremos duas datas que, de uma certa forma, se complementam. Dias 12 e 15, respectivamente Dia da Criança e do Professor.

A primeira data está aí em todas as vitrines, lotadas de brinquedos, bonecas e até notebooks. Já a segunda, a dos professores, não é tão valorizada assim, digamos, comercialmente. Mas, verdade seja dita, em se falando de livros, geralmente são eles, nossos primeiros mestres, que nos iniciam no mundo literário.

Rubem Alves faz a ponte necessária entre o aprendiz e o educador. Aprender é para a vida toda. Assim como ler

Lembro-me bem da professora Marisa, com seus cabelos negros presos em um rabo-de-cavalo que se movia freneticamente quando andava pela sala, me convencendo em gestos e fala das maravilhas que eu iria encontrar nas páginas de "A Chave do Tamanho", de Monteiro Lobato. Uma boneca que toma uma poção e fica bem pequena a ponto de cair em um tubo de ensaio? Uau! Não preciso nem dizer que as aventuras no Sítio do Pica-Pau Amarelo jamais saiu do meu gosto. Tanto que meus filhos e, tomara, meus netos, ainda saibam quem são Emília, Visconde de Sabugosa e achem as Narizinhos e Pedrinhos uma dupla incrível. Mas deixemos de delongas e vamos até à estante.

A dica desta vez é um autor que combina - e muito bem - essa história de professor e criança. Rubem Alves, mineiro, tem a veia de contador de estórias e é fácil perceber em seus textos simples. Mas nota-se também sua vasta cultura, como ele mescla conhecimento com sabedoria numa escrita direta e de frases curtas. Rubem estudou Teologia pela Union Theological Seminary, em Nova York, é professor e psicanalista.

Para as crianças, a dica é "Caindo na real: Cinderela e Chapeuzinho Vermelho para o tempo atual", onde encontramos uma Chapeuzinho que pinta os cabelos e anda de BMW, uma madrasta que só quer saber de colunas sociais e um príncipe cego. Dois clássicos em uma releitura criativa e inteligente. Sobre sua versão, ele conta: "Em Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, não poderia falar sobre uma menina que usa uma capa vermelha e sai pela floresta, pois meninas não fazem mais isso. Assim, Chapeuzinho se tornou uma menina ruiva que gostaria de ser modelo e visita sua avó na Rocinha". Mais atual, impossível.

Para os professores, Rubem Alves escreveu "Conversas com quem gosta de ensinar", em que diz que não saberia como preparar o educador. "Talvez porque isso não seja nem possível, nem necessário... É necessário acordá-lo. Basta que chamemos do seu sono, por um ato de amor e coragem. E talvez, acordados, repetirão o milagre da instauração de novos mundos". Rubem Alves faz a ponte necessária entre o aprendiz e o educador. Aprender é para a vida toda. Assim como ler.



Liliana de La Torre é jornalista, carioca da gema, da clara e da casca, e mãe de João Paulo e Gabriel, suas grandes paixões. Bibliófaga, lê até bula de remédios com letras corpo 5. Começou a carreira na TVE Brasil, passou pelo Jornal do Brasil e foi assessora de imprensa por mais de dez anos. Atualmente, faz parte da equipe de Novas Mídias de uma grande agência. Apaixonada por Comunicação, diz que o mais importante não é o que se diz ou escreve, e sim, o que os outros interpretam.   Leia mais deste autor.





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  • janna62


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