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A rainha da praia vai a Pequim > Perto de um sonho
Por Isabel Kieling • 22/07/2008
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O que uma medalha Olímpica vai representar para você?

Primeiramente, será o reconhecimento do meu trabalho. E a concretização de um sonho. Quando você tem uma carreira no esporte você sonha com o máximo: ir a uma Olimpíada e ganhar uma medalha lá. Nossa primeira meta já foi atingida. Vamos lutar pela medalha.

Você já se imaginou decidindo a medalha de ouro?

O primeiro jogo vai ser o mais difícil. Já me imaginei fazendo todos os jogos, do primeiro ao último. Essa Olimpíada será a mais disputada no vôlei de praia feminino. São nove times que têm condições de chegar. Nas Olimpíadas anteriores havia quatro duplas que poderiam chegar. No ano passado, oito duplas diferentes ganharam os torneiros da liga mundial. Todo mundo está tecnicamente muito bem. Todo o circuito acredita que as seis cabeças de chave podem chegar (as duas duplas brasileiras são cabeças de chave). Tecnicamente e fisicamente, todo mundo está preparado. O que vai fazer diferença é o psicológico.

Vocês acham que a poluição de Pequim pode atrapalhar?

Fizemos testes em Saquarema para ver a reação à poluição. A gente acredita que não fará grande diferença. Não tive reação nenhuma no teste. Eu até estava com medo, porque sou alérgica. A gente se adapta muito fácil, porque na nossa competição, na Liga Mundial, tem a etapa de Xangai.

E as viagens? Dá para curtir, conhecer alguma coisa?

O torneio da Liga Mundial começa quarta-feira e a gente chega na segunda, pois no vôlei de praia não dá tempo pra gente chegar com antecedência. É uma etapa atrás da outra. Se você joga até o final de cada torneio, fica difícil de curtir o local onde se está. É a diferença das Olimpíadas. Num torneio do circuito, a gente joga sete jogos em três dias. Nas Olimpíadas, a gente vai jogar os sete jogos em quinze dias. Vai ser mais tranqüilo. Talvez dê para conhecer mais um pouco de Pequim.

Você estuda?

Comecei a faculdade de Educação Física em Maceió. Estou continuando aqui no Rio. Vou fazendo aos poucos. Faço um período, algumas matérias. Eu tenho várias turmas. Os colegas de faculdade já sabem.

O que você faz nas horas de lazer?

Gosto de ir ao cinema, sair para jantar, receber os amigos. Para outro esporte, como lazer, não levo jeito nenhum. Tem pessoas que são talentosas e jogam de tudo. Eu não.

Você não é daquelas que, nas suas horas de lazer, joga vôlei?

Eu até brinco: "Me chamem para tudo, menos para jogar uma pelada de vôlei"! Vôlei pra mim só profissionalmente.

Você sente falta da família?

Sinto falta, sim. São dez anos fora de casa, sozinha. Hoje eu convivo melhor com isso. No começo, eu sentia muita falta da minha mãe me cuidando. Sempre que posso, se tenho uma folga, vou para a casa dos meus pais em Mato Grosso do Sul. Ou então, se vou ficar direto no Rio, minha mãe vem. E tenho uma irmã de 14 anos que sempre vem nas férias.

Por serem super saradas, bonitas e bronzeadas, as jogadoras de vôlei de praia são quase símbolos sexuais. Vocês são muito assediadas?

É... Bem, ouvimos muitas coisas. Mas dentro do circuito não. Nossos colegas homens estão acostumados com a gente e nos tratam como profissionais.

Você já recebeu algum convite para fazer ensaios sensuais ou posar nua?

Não, ainda não. Não tenho nada contra, mas prefiro pensar que vou ganhar dinheiro jogando vôlei.

Você acha que hoje as meninas já pensam no vôlei como uma profissão? Já há aquele pensamento "quando crescer vou ser jogadora de vôlei de praia"? Com você foi assim?

Eu acredito que sim. Desde criança gostei de esportes. Tem um tio que é técnico de vôlei. Comecei a jogar vôlei por influência dele. Quando criança, era muito competitiva e não gostava de perder. Eu era exigente comigo mesma. Sempre procurava melhorar, treinar. Sempre trabalhei para ser a melhor do time em que estava. Mas não achava que ia ser minha profissão. As coisas foram acontecendo e comecei a ver que dava para viver do vôlei.

Quais os planos para o futuro, depois das Olimpíadas?

Continuar jogando em alto nível e parar quando sentir que não dá para o acompanhar esse nível. Até quando eu possa competir bem. Eu quero parar feliz.



Isabel Kieling é gaúcha, moradora apaixonada do Rio de Janeiro, e jornalista de formação. E, contrariando o senso comum, entende muito de futebol. Por isso, inaugura a nossa mesa redonda virtual para comentar os melhores lances dos esportes e dos atletas - claro. Mas ela também bate a sua bolinha – só que a de golfe! Isabel também é golfista, e atualmente luta para sair das últimas posições do ranking.  Leia mais deste autor.




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