• Crédito: Divulgação
A menina que roubava livros
Você já se imaginou lendo algo narrado pela “Dona Morte”?
Por Liliana de La Torre • 11/10/2008

Você já imaginou se a sua história pudesse ser contada por alguém com quem todos, eu afirmo, absolutamente todos nós vamos nos encontrar um dia, mesmo sem querer e sem nem se preparar para tal? Alguém temido e defenestrado de nosso vocabulário? Não? Pois bem, Liesel Meminger teve. A história do livro recomendado esta semana é a de Liesel, uma garota alemã que durante a Segunda Guerra tem sua vida drasticamente transformada com os acontecimentos da Alemanha nazista, e foi salva diariamente pelas palavras encontradas nos livros que começou a "surrupiar" muito cedo.

Tendo como fundo a segunda grande guerra, a protagonista Liesel tem sua vida drasticamente transformada pelo que acontece na Alemanha nazista em sua cidade, a pequena e pacata Molching, próxima a Munique. Órfã, ela rouba livros, ou melhor dizendo, rouba palavras, rouba um sentido para tudo de ruim que uma guerra traz.

Mas só quem está ao lado da menina e sempre testemunha a dor e a poesia da época é a nossa narradora. Aquela sobre a qual falei nas primeiras frases desta coluna e que um dia todos irão conhecer

Embora o livro traga todos os componentes para ser um drama, o estilo de Markus Zusak, jovem autor australiano, acaba por nos apresentar uma visão leve e humanizada. No best seller "A Menina que roubava livros", as palavras que Liesel encontrou nas páginas do primeiro livro roubado, chamado "O Manual do Coveiro" (não se assustem, é assim mesmo, mas a delicadeza do texto elimina qualquer teor mórbido desta bela obra), seriam mais tarde aplicadas ao contexto da sua própria vida, sempre com a assistência de pessoas muito especiais: Hans Hubberman, acordeonista amador e amável e Max Vanderburg, o judeu do porão, o amigo quase invisível de quem ela prometera jamais falar.

Há outros personagens na história de Liesel, como Rudy Steiner, seu melhor amigo e o namorado que ela nunca teve, ou a mulher do prefeito, sua melhor amiga que ela demorou a perceber como tal. Mas só quem está ao lado da menina e sempre testemunha a dor e a poesia da época é a nossa narradora. Aquela sobre a qual falei nas primeiras frases desta coluna e que um dia todos irão conhecer.

Mas ter a sua história contada pela Dona Morte é para poucos. Tem que valer a pena. E Liesel fez por merecer. A morte (permita-me abrir um parênteses aqui porque é impossível deixar de dizer como a sua narrativa é às vezes muito irreverente, bem humorada até e, noutros momentos, resignada em trabalhar tanto - imaginem só como deve ser duro para a morte uma guerra...) narrou tudo e devolveu à menina o que a vida rouba das pessoas em territórios minados. Não, não falo da guerra com armas de fogo, mas a guerra existencial de cada um de nós. Minas de mágoas, rancores e ódio.

A menina que roubava livros resgatava em palavras a dignidade e felicidade de estarmos vivos. E viver, mesmo com uma narração brilhante da morte, é algo maravilhoso.

Uma leitura imperdível, mas por favor, comprem, não roubem o livro, ok?

Serviço:

"A menina que roubava livros"

Editora Intrínseca

Preço médio: R$ 25,00



Liliana de La Torre é jornalista, carioca da gema, da clara e da casca, e mãe de João Paulo e Gabriel, suas grandes paixões. Bibliófaga, lê até bula de remédios com letras corpo 5. Começou a carreira na TVE Brasil, passou pelo Jornal do Brasil e foi assessora de imprensa por mais de dez anos. Atualmente, faz parte da equipe de Novas Mídias de uma grande agência. Apaixonada por Comunicação, diz que o mais importante não é o que se diz ou escreve, e sim, o que os outros interpretam.   Leia mais deste autor.





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