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A mais bela das rainhas
Preta Gil provou que ser bonita vai além do que o espelho reflete
Por Ciça Mattos • 09/03/2007
Sapucaí, dia 18 de fevereiro. A Estação Primeira de Mangueira prepara-se para entrar na avenida. À frente da bateria, Preta Gil. Sorridente, simpática, divertida, segura de si, sem pudores ou receios em mostrar o corpo cheio de curvas. Mesmo fugindo aos tradicionais padrões estéticos, a rainha da bateria de 2007 arrasou. Fez bonito neste carnaval. Levantou o público, envolveu, emocionou. Pensando bem, não seria esse o verdadeiro papel de quem abre caminho para a bateria? O que são uns quilinhos a mais quando se tem o carisma e a personalidade de uma legítima rainha?
A verdade é que é muito difícil resistir a frituras, pães, bolos, doces e um chopinho no fim de semana. Infelizmente são inúmeras as opções para uma dieta rica em carboidratos e gorduras. O índice de obesos vem crescendo progressivamente no mundo todo - há tempos já deixou de ser característica única dos norte-americanos - e a preocupação com uma alimentação saudável tem sido pauta recorrente na mídia e nas instituições de ensino.
Por outro lado, o excesso de magreza também é preocupante. O ideal de beleza atual impõe a ditadura das magras e a corrida pelo emagrecimento a qualquer custo torna-se inconsequente e perigoso na maioria das vezes.
Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, pelo menos 130 mil crianças e adolescentes submeteram-se, no ano passado, a operações plásticas Entraram literalmente na faca só para ficarem mais bonitos. Ou pelo menos para se sentirem mais próximos ao que se estabeleceu como modelo de beleza.
Uma outra pesquisa feita pela MTV revelou uma verdadeira neurose em relação à aparência física. Indagados se trocariam 25% de inteligência pela mesma proporção de beleza, 15% dos entrevistados admitiram a troca sem pestanejar. Se "esqueceram", talvez, que a beleza pode ser fundamental, mas é efêmera.
O que é beleza afinal? Não há dúvida de que beleza é hoje diferente do que foi ontem e será ainda mais amanhã ou depois. Porém, prefiro e defendo a beleza como algo mental muito mais que físico. Sem esse papo de "beleza interna", por favor! No mundo de hoje as mulheres já estão sobrecarregadas demais para ainda terem que seguir exigências tão difíceis de cumprir. Convenhamos, ter corpo de modelo com filho, marido, casa e trabalho é um pouco demais.
É lógico que o equilíbrio visual de um objeto, uma casa ou mesmo uma pessoa, provoca uma sensação agradável e muitas vezes mais envolvente do que algo em desarmonia. Mas o poder de sedução de uma pessoa supera em muito o aspecto físico. Ser belo é ser autêntico, natural, livre e, consequentemente, feliz. Aliás, só existe beleza quando existe felicidade. Não acham?
"A brasileira tem uma boa auto-estima e só se acha feia quando essa estima própria anda em baixa", afirma a pesquisa encomendada pela Dove, que veiculou mundialmente uma campanha publicitária com garotas-propaganda "gente-como-a-gente".
No século XVII, as gordinhas eram desejadas, assim como a pele alva, as grandes cabeleiras e a própria virgindade. Ser roliça significava ser abastada, ter conforto, não precisar trabalhar e, principalmente, ter o que comer. As regras sociais eram outras, assim como a moda e as formas de expressão artística. Hoje o que vemos muitas vezes é um sacrifício desmedido em busca da tão almejada beleza padrão. Não sou contra o exercício nem a alimentação balanceada, mas percebo que alguns valores estão sendo deixados de lado em prol de uma imposição da sociedade moderna.
Ao longo do tempo, já tivemos diferentes musas, que representaram de formas singulares e individuais, tipos estéticos admirados. Grace Kelly, a princesa-atriz; Marilyn Monroe, a loira sensual; Twiggy, a andrógina juvenil; Cindy Crawford, a eterna modelo anos 80; Gisele Bündchen, a top número 1. E outros novos surgirão em breve.
Porque a vida, assim como a beleza, passa.
Ciça Mattos 35 anos, é publicitária estudou Moda na London College of Fashion e Marketing na New York University (NYU). Trabalhou 15 anos em agência de publicidade e se dedica hoje ao estudo do comportamento de consumo de moda.  Leia mais deste autor.
A verdade é que é muito difícil resistir a frituras, pães, bolos, doces e um chopinho no fim de semana. Infelizmente são inúmeras as opções para uma dieta rica em carboidratos e gorduras. O índice de obesos vem crescendo progressivamente no mundo todo - há tempos já deixou de ser característica única dos norte-americanos - e a preocupação com uma alimentação saudável tem sido pauta recorrente na mídia e nas instituições de ensino.
Hoje o que vemos muitas vezes é um sacrifício desmedido em busca da tão almejada beleza padrão. Não sou contra o exercício nem a alimentação balanceada, mas percebo que alguns valores estão sendo deixados de lado em prol de uma imposição da sociedade moderna.
Por outro lado, o excesso de magreza também é preocupante. O ideal de beleza atual impõe a ditadura das magras e a corrida pelo emagrecimento a qualquer custo torna-se inconsequente e perigoso na maioria das vezes.
Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, pelo menos 130 mil crianças e adolescentes submeteram-se, no ano passado, a operações plásticas Entraram literalmente na faca só para ficarem mais bonitos. Ou pelo menos para se sentirem mais próximos ao que se estabeleceu como modelo de beleza.
Uma outra pesquisa feita pela MTV revelou uma verdadeira neurose em relação à aparência física. Indagados se trocariam 25% de inteligência pela mesma proporção de beleza, 15% dos entrevistados admitiram a troca sem pestanejar. Se "esqueceram", talvez, que a beleza pode ser fundamental, mas é efêmera.
O que é beleza afinal? Não há dúvida de que beleza é hoje diferente do que foi ontem e será ainda mais amanhã ou depois. Porém, prefiro e defendo a beleza como algo mental muito mais que físico. Sem esse papo de "beleza interna", por favor! No mundo de hoje as mulheres já estão sobrecarregadas demais para ainda terem que seguir exigências tão difíceis de cumprir. Convenhamos, ter corpo de modelo com filho, marido, casa e trabalho é um pouco demais.
É lógico que o equilíbrio visual de um objeto, uma casa ou mesmo uma pessoa, provoca uma sensação agradável e muitas vezes mais envolvente do que algo em desarmonia. Mas o poder de sedução de uma pessoa supera em muito o aspecto físico. Ser belo é ser autêntico, natural, livre e, consequentemente, feliz. Aliás, só existe beleza quando existe felicidade. Não acham?
"A brasileira tem uma boa auto-estima e só se acha feia quando essa estima própria anda em baixa", afirma a pesquisa encomendada pela Dove, que veiculou mundialmente uma campanha publicitária com garotas-propaganda "gente-como-a-gente".
No século XVII, as gordinhas eram desejadas, assim como a pele alva, as grandes cabeleiras e a própria virgindade. Ser roliça significava ser abastada, ter conforto, não precisar trabalhar e, principalmente, ter o que comer. As regras sociais eram outras, assim como a moda e as formas de expressão artística. Hoje o que vemos muitas vezes é um sacrifício desmedido em busca da tão almejada beleza padrão. Não sou contra o exercício nem a alimentação balanceada, mas percebo que alguns valores estão sendo deixados de lado em prol de uma imposição da sociedade moderna.
Ao longo do tempo, já tivemos diferentes musas, que representaram de formas singulares e individuais, tipos estéticos admirados. Grace Kelly, a princesa-atriz; Marilyn Monroe, a loira sensual; Twiggy, a andrógina juvenil; Cindy Crawford, a eterna modelo anos 80; Gisele Bündchen, a top número 1. E outros novos surgirão em breve.
Porque a vida, assim como a beleza, passa.
Ciça Mattos 35 anos, é publicitária estudou Moda na London College of Fashion e Marketing na New York University (NYU). Trabalhou 15 anos em agência de publicidade e se dedica hoje ao estudo do comportamento de consumo de moda.  Leia mais deste autor.
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