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Estilo de Viver
À bientôt, Paris!
Paris, cidade para onde sempre queremos voltar...
Por Daniela Pessoa • 15/07/2008

Na semana passada (minha última em Paris), tentei escapar do clima nostálgico de despedida, mas o vôo está marcado e a hora chegou. É agora ou nunca! Então, vamos lá! Última chamada para conhecer a Cidade-Luz como ela realmente é - ou pelo menos como foi - aos olhos da colunista que aqui escreve. Espero, de coração, que tenham curtido toda a viagem! E que aproveitem esse finalzinho também!

Mais alguns últimos fatos sobre Paris... e sobre a França!

1) Os prédios têm digicode, os apartamentos não têm número e o lixo não vai para a lixeira.

Outro dia eu estava vendo um filme no qual dois personagens, em Paris, se falavam ao telefone. O diálogo era mais ou menos assim: "Oi,estou chegando na sua casa!", "Ih! Não te dei meu código, dei? É 4678YZ". "Ah, obrigado!". Você deve estar se perguntando: "código?" Eu, pelo menos, me imaginei fazendo essa pergunta se eu não soubesse que, em Paris, a porta principal dos prédios tem um código. É que aqui não existe a famosa figura do porteiro, que fica ali na entrada vigiando quem entra e sai, abrindo a porta da garagem... Aliás, a maior parte dos prédios em Paris não tem garagem, já que eles são muito antigos. Mas, voltando ao assunto do porteiro, pois é, aqui ele não existe. No máximo, um gardien, que é alguém que toma conta da limpeza e de algumas outras coisas nos edifícios.

Quanto ao lixo, os parisienses são muito solidários. Se eles querem se livrar de roupas, eletrodomésticos, eletrônicos, bicicletas e afins, deixam na rua para quem quiser pegar

É por isso, então, que existe o chamado digicode, que nada mais é do que um código que você digita para entrar no prédio. Quando eu estava procurando apartamento aqui em Paris, cansei de perder visitas, porque havia esquecido de perguntar aos proprietários qual era o código de entrada (e alguns nunca atendiam o celular. Paciência!). Mas, quando eu conseguia passar do primeiro obstáculo - a porta - vinha o segundo: qual é o número do apartamento? Ops, não tem número! Aqui, é assim quando você vai visitar alguém: "digita o digicode XXXX e eu moro no terceiro andar, segunda porta à esquerda". No meu caso, moro no RDC (rez-de-chaussé), vulgo "térreo", à direita. Aí fica mais fácil! Quando os amigos vêm me visitar, batem na janela.

Quanto ao lixo, os parisienses são muito solidários. Se eles querem se livrar de roupas, eletrodomésticos, eletrônicos, bicicletas e afins, deixam na rua para quem quiser pegar. Conheço muita gente que tem bicicleta do lixo, colchão do lixo, e mais não sei o quê também do lixo. Hoje, entendo por que tantos mendigos em Paris têm camas, sacos de dormir e até barracas de camping.

2) Olha a água!

Os franceses são loucos por água. Não necessariamente na hora do banho, mas eles são capazes de beber litros do líquido. Aqui, aliás, pode-se beber água da torneira, mas muitos ainda compram garrafas no mercado, porque aí você pode escolher o sabor (e são vááários), se vai querer com ou sem gás etc. Na loja Colette, o bar de águas é top de linha, como já descrevi em outra coluna, e faz a cabeça não só dos parisienses, mas também dos turistas. Por falar em bar, aliás, aqui em Paris também tem um outro bar de água - de gelo, na verdade. É o Ice Kube, que, por sinal, é um hotel. Isso mesmo: as cadeiras, mesas, paredes - tudo é de gelo. É preciso até usar um casaco especial para agüentar o frio de cinco graus negativos.

Na cosmética francesa, água também é tudo. Vide as famosas águas termais La Roche-Posay, Vichy e Avène, por exemplo. Na cidade de Avène, aliás, estão as águas termais mais conhecidas da França. Rica em sais minerais, a água vinda de fontes termais integra vários tratamentos para o rosto e para o corpo, tendo suas propriedades reconhecidas como ingredientes perfeitos na fórmula da beleza, porque garantem nutrição, hidratação, defesa e revitalização da pele. Mais um segredinho das francesas: cosméticos - elas não vivem sem o crème du jour e o crème de la nuit (creme para passar no rosto de dia e outro para a noite).

3) Franceses não assistem muita televisão (e andam muito de metrô).

Eles preferem marcar uma reuniãozinha em casa com os amigos, sentar num banco do Sena ou ler um bom livro / jornal. Eles lêem muito, inclusive no metrô. Aliás, todo mundo usa esse que é o transporte mais conhecido de Paris. Do operário ao executivo de alto escalão. Mas o engraçado é ver como as pessoas mudam de uma linha para outra e de um horário para o outro.

Na linha 13, por exemplo, que leva até o subúrbio de Sant-Denis, tem muitos árabes e africanos. Em trechos de linhas mais turísticas, como a linha 9 (uma das que dá acesso à Torre Eiffel e à Champs Elysées), tem de tudo: desde japoneses com câmeras penduradas no pescoço até brasileiros, americanos, ingleses, árabes, africanos, franceses, é claro, e por aí vai. No mais, quem você vê de dia não é quem você vê de noite. Se quiser conhecer pessoas realmente diferentes, pegue o metrô à noite / de madrugada. Já vi uma mulher com bolsinha em formato de abóbora e uma ratazana de estimação passeando pelo pescoço.

4) Franceses não são tão pontuais quanto os ingleses, mas 15 minutos é o tempo de tolerância máxima.

Às vezes, é até educado chegar a algum encontro - como um jantar entre amigos - 15 minutos atrasada. Coisa de etiqueta. E, falando em boas maneiras, nunca ouse comparar um francês a um inglês, como acabei de fazer. Apesar de muitos franceses já terem superado a antiga rivalidade com os ingleses, muitos, se bobear, ainda se recusam a dizer até "pizza". Quando fui ao Mc Donald's pela primeira vez aqui, fiz o pedido como sempre, puxando o sotaque para o inglês (já que o nome dos lanches são... em inglês!). Ninguém, no Brasil, chama um Mc Chicken de "M.C. CHIQUEM". Todo mundo diz algo do tipo "Mac Tiquen". Não os franceses. A moça do caixa se fez de desentendida e, só depois de me fazer repetir o meu pedido umas mil vezes, disse "ahhh! Você quer um... (e forçou a pronúncia francesa das palavras)". Enfim, coisa de francês!







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