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De acordo com Seibel, a memória, a atenção e a concentração ficam afetadas após o consumo de álcool etílico. "A intoxicação aguda, como descrita pela Organização Mundial da Saúde, é uma condição transitória que resulta em perturbações da consciência, cognição, percepção, afeto e comportamento", alerta. O álcool ocasiona, ainda, efeitos no hipotálamo e na glândula pituitária, que influenciam o comportamento sexual e a excreção urinária. À medida que a concentração da substância sobe, o controle da libido pode ficar menor, mas o desempenho sexual também diminui. Os rins também produzem mais urina, e por isso a vontade de ir ao banheiro torna-se mais constante.
O organismo responde ao álcool em estágios, que correspondem a um aumento da concentração no sangue. Se a concentração estiver entre 0,03 e 0,12%, a pessoa passa pelo primeiro estágio, de euforia. Já neste estágio é possível perceber uma diminuição da atenção e da capacidade de raciocínio, assim como um aumento da autoconfiança, da desinibição, da impulsividade e do relaxamento. A pessoa, portanto, não é capaz de decidir se realmente pode ou não dirigir um automóvel e já pode ser vítima de algum acidente. Os outros estágios são mais avançados: estado de excitação (quando a concentração de álcool no sangue está entre 0,09 e 0,25%, e as pessoas passam a ficar sonolentas), de confusão (0,18 a 0,30%), de letargia (0,25 a 0,4%) e de coma (0,35 a 0,50%). Este último estágio pode, inclusive, levar à morte. "Quando o paciente entra em coma alcoólico, pode apresentar hipotermia, hipoglicemia, cetoacidose, hipotensão arterial, hipoventilação, depressão respiratória, e até morrer", ressalta o médico Sergio Seibel.
A longo prazo, os constantes excessos causam inúmeros malefícios ao corpo, como envelhecimento precoce, insuficiência cardíaca, risco de pneumonia e outras infecções. Seibel enumera mais problemas: "O impacto de substâncias como o álcool no organismo vai provocando lesões mais sérias, atingindo praticamente todos os sistemas orgânicos, sendo responsável por alterações gastrointestinais, como diarréias crônicas, infiltração gordurosa do fígado, cirrose hepática, câncer nos mais diferentes órgãos, além de estar diretamente relacionado à enorme mortalidade por acidentes de trânsito, homicídios e violência doméstica", destaca. Apesar de certas conseqüências variarem de pessoa para pessoa, devido ao metabolismo e ao peso de cada um, os danos são significativos para todos. "Qualquer um que beba ininterruptamente terá problemas hepáticos decorrentes do consumo abusivo de álcool", frisa o nutrólogo José Alves Lara Neto.
O vício é outro mal proporcionado pelas bebidas. No caso das mulheres, o alcoolismo tende a se manifestar na juventude ou na meia-idade, provocando diversos problemas específicos, como ciclos menstruais irregulares, aumento de massa gordurosa abdominal (a famosa "barriguinha de chope"), infertilidade e prejuízos para o bebê durante a gravidez. "O álcool também é um fator de risco para a osteoporose. Além disso, por ser uma substância depressora do sistemo nervoso central, levando as mulheres a quadros de depressão emocional mais facilmente", observa o vice-presidente da ABRAN. Ele lembra, ainda, que mesmo que a pessoa não perceba (ou demore para perceber) os efeitos imediatos do álcool enquanto bebe, o seu corpo já pode estar sofrendo pequenos danos.
Mônica Vitória   Leia mais deste autor.
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