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Os recursos da Fitoterapia
As plantas medicinais oferecem recursos diversos na cura de doenças
Por Luiz Felipe Guimarães • 30/10/2006

A natureza sempre exerceu fascínio no ser humano. De alguma forma temos um impulso natural de nos aproximarmos mais dela, convivermos com harmonia e retirarmos da terra tudo o que necessitamos, de maneira racional, sem agressão ou imprudência. Desde tempos imemoriais o homem faz uso de plantas para se alimentar, prevenir e curar doenças e até mesmo em rituais religiosos. As plantas ultrapassam as barreiras das convenções e das culturas através dos tempos. Hoje são re-estudadas pela ciência moderna.

Toda planta medicinal é, na verdade, um complexo de coisas, um aglomerado de substâncias conhecidas ou não que fazem parte de sua estrutura química. Ficou complicado? Vou explicar melhor. Quem nunca viu na rua, num programa de televisão ou num anúncio de revista alguém dizendo que determinada planta serve para as mais diversas doenças? Como se dizia antigamente, parece uma grande panacéia - um remédio que serve para tudo, desde unha encravada até a algo mais sério. Isto se deve, sempre guardando as devidas proporções, aos mecanismos de defesa e adaptação da planta no seu próprio meio ambiente.

Complicou mais? Bem, vamos lá: quando fazemos uso de uma planta seja por alimentação ou para fins medicinais, ingerimos um grande emaranhado de compostos - alguns destes são antiinflamatórios, outros são estimulantes, outros calmantes, outros ajudam a digestão, outros ainda são antibióticos, outros previnem o câncer e assim por diante... O que acontece é que vem tudo misturado numa mesma composição (nem todas as plantas têm todas essas propriedades, ok?), mas algumas características se sobressaem frente às outras, e é por isso que dizemos que tal planta é antiinflamatória, e que outra é digestiva etc.

Talvez, num futuro breve, a Fitoterapia dê o grande impulso ecológico em massa de que precisamos


Isto é um conhecimento fabuloso, pois ao consumirmos algo assim podemos ajudar a pessoa com sua queixa principal e, além disso, ainda oferecer ao mesmo tempo algum outro efeito positivo. Por exemplo: quando prescrevemos a Angélica (Angélica sinensis), para diminuir as cólicas menstruais da TPM e para regularizar o ciclo menstrual, nós ainda oferecemos à mulher alguma proteção cardíaca para as palpitações, protegemos o fígado, aliviamos a dor e a inflamação, melhoramos a constipação, e ainda exercemos certo efeito sedativo e calmante nesta fase tão complicada. Tudo isso com uma planta só! Bom, não é à toa que a Angélica é chamada na China a "planta da mulher".

Não se engane

É claro, que por ser um composto de substâncias, as ações tendem a ser mais suaves do que uma substância isolada em laboratório, mas é uma vantagem para os sintomas leves e uma possível associação de medicamentos para os sintomas mais intensos.

Quero, agora, fazer alguns esclarecimentos: o nome correto de uma planta é sempre o nome científico. O nome popular varia de uma região para outra e existem casos em que há o mesmo nome popular para plantas diferentes! Os exemplos são vários: dependendo do lugar, o que chamamos de "Erva-Cidreira", pode ser a Melissa officinalis (deve-se evitar o excesso em quem tenha hipotireoidismo), a Lippia Alba (efeitos mais sedativos e antiespasmódicos), ou o Cymbopogon citratus (mais analgésico e fungicida). Quando foi lançado nos EUA, o Hypericum perforatum, usado em depressão leve e moderada, aqui no Brasil começou-se a usar o Ageratum conyzoides (que serve para cólicas e dores) para a mesma função, isto tudo porque lá nos EUA o Hypericum perforatum tinha o nome de "Erva de São João", o que causou confusão com a nossa, que tinha nome popular idêntico.

A Lippia Alba, que já citamos antes é, por sua vez, chamada de: erva-cidreira, falsa-melissa, carmelitana, cedrilha, salsa-brava, salsa-limão, e por aí vai...

As plantas interagem com os medicamentos usados, o médico que pratica Fitoterapia sabe disso, e você deve ter todo o cuidado. O próprio hypericum pode diminuir o efeito dos anticoncepcionais, o alcaçuz (Glycyrrhiza glabra) e ginseng (Panax ginseng) podem diminuir ou anular o efeito de alguns diuréticos etc.

Fique atenta

Nunca use plantas por conta própria, sobretudo se estiver grávida ou amamentando. O boldo (Peumus boldus), por exemplo pode induzir o aborto, a espinheira-santa (Maytenus ilicifolia) reduz a secreção de leite e também pode ser abortiva.

Todas as plantas, como tudo em terapêutica exige parcimônia e conhecimento para o seu bom uso. As plantas medicinais são uma magnífica possibilidade a mais de alívio e de cura à disposição de todos, produzidas diretamente pela Mãe-Natureza. Elas exigem cuidados, assim como o ser humano. Estão sendo maltratadas e intoxicadas pela poluição do ar, dos rios e mares, pelos inseticidas e agrotóxicos. Estão sendo sub-nutridas quando cultivadas em solo pobre e desmineralizado.

Assim o homem vai perdendo uma excelente oportunidade de ter um recurso de tratamento altamente eficaz e barato, se produzido em larga escala. Talvez, num futuro breve, a Fitoterapia dê o grande impulso ecológico em massa de que precisamos. As indústrias e farmácias que quiserem produzir medicamentos fitoterápicos de qualidade, terão que ter preocupação ecológica real e prática, sob a pena de serem descartadas por um ser humano mais consciente e pleno. Todos nós queremos plantas cultivadas com inteligência, sem agredir o meio ambiente, longe de poluição, e acessível a baixo custo a todos os que precisem, em qualquer parte do nosso planeta.

Fiquem bem, e até a próxima!

Dr. Luiz Felipe D. Guimarães é médico homeopata, especialista em clínica médica, membro da Federação Brasileira de Homeopatia. Possui especializações nas áreas de terapia ortomolecular, acupuntura e fitoterapia.


Luiz Felipe Guimarães é médico homeopata, especialista em clínica médica, membro da Federação Brasileira de Homeopatia. Possui especializações nas áreas de terapia ortomolecular, acupuntura e fitoterapia. Para entrar em contato escreva para drluizfelipe@yahoo.com.br.  Leia mais deste autor.





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  • eliane.almeida00_escorpiana


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