• Crédito: Stock


Mioma: desconhecido íntimo
O diagnóstico causa medo, mas ele é comum e simples de ser tratado
Por Mônica Vitória • 02/04/2008

Numa simples visita ao ginecologista, Rita Cordeiro, de 35 anos, se deparou com a possibilidade de estar com mioma. Assim como ela, muitas mulheres ficam angustiadas ao verem confirmado tal diagnóstico. Poucas sabem, porém, quais são os reais perigos que a miomatose pode trazer à saúde. De acordo com os especialistas, não há razão para preocupação: o mioma uterino é uma das doenças mais comuns do sistema reprodutor feminino e não oferece risco de morte. Em muitos casos, não requer tratamento específico, apenas acompanhamento médico periódico.

Maria Cecília Erthal, ginecologista do Centro de Diagnóstico e Tratamento de Miomas da Rede D'Or de hospitais, explica que o mioma é um tumor benigno que surge a partir da musculatura do útero, originado de uma de suas células. "É uma doença bastante freqüente, chegando a ter 60% de incidência em mulheres com mais de 35 anos", afirma a médica, que destaca que as chances de um mioma se tornar maligno - ou seja, canceroso - são quase nulas: "Apenas em 0,29% dos casos haverá malignidade", diz.

Os grandes problemas que pedem o tratamento efetivo do mioma são as hemorragias, que levam a casos de anemia e esterilidade, se a mulher ainda quiser ter filhos

As causas do mioma uterino ainda são obscuras, mas acredita-se que o seu aparecimento seja geneticamente determinado. O desenvolvimento dos tumores também pode estar relacionado a uma maior sensibilidade à estimulação hormonal, principalmente à produção de estrogênio. Por isso, alguns fatores, influenciados pela hereditariedade ou por alterações hormonais, podem favorecer o surgimento, como a existência de um histórico familiar de mioma, pele negra, obesidade, diabetes, hipertensão, nunca ter engravidado, consumo exagerado de carne vermelha e tabagismo. "No entanto, apesar de todos os estudos que têm sido feitos sobre o tema, não se chegou a uma conclusão clara do motivo pelo qual o fatores genéticos interferem na incidência dos miomas, ou por que essas lesões são hormônio-dependentes", reitera o ginecologista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Nilo Bozzini, especialista em miomas.

Diagnóstico

A presença de miomas é comumente levantada em um exame preventivo ginecológico no consultório e pode ser confirmada com um ultra-som. O tamanho e a localização dos nódulos variam muito. Em alguns casos, eles causam crescimento do útero e, conseqüentemente, da região abdominal e pélvica, o que incomoda muitas mulheres e até as confunde, já que podem pensar que estão grávidas. Em boa parte das vezes, os miomas são múltiplos, então é comum encontrar até mais de dez tumores ao fazer um único exame. "Quando fui ao ginecologista, ele disse que deveria haver três pequenos miomas, e me pediu uma ultra-sonografia transvaginal, que mostrou que havia, na verdade, nove tumores! Fiquei assustada, mas logo o médico me tranqüilizou, explicando que eu poderia tirá-los sem riscos", conta Rita Cordeiro.

Quanto à localização, os miomas podem ocupar qualquer posição no útero, sendo, geralmente: subserosos, quando estão na porção mais externa do útero e crescem para fora, causando desconforto somente pelo seu tamanho e pela pressão sobre outros órgãos; intramurais (mais comuns), quando crescem no interior da parede uterina e se expandem para dentro, podendo provocar, além do aumento do tamanho e do peso do útero, dor pélvica e fluxo menstrual intenso; ou submucosos (menos comuns), quando localizam-se logo abaixo do revestimento interno do útero, intensificando e prolongando bastante os períodos menstruais.

Na maioria das vezes, os miomas são assintomáticos, ou seja, a mulher pode não sentir absolutamente nenhuma alteração em seu organismo e, de repente, descobrir que tem os nódulos. Entretanto, dependendo de sua localização e tamanho, alguns destes sintomas podem se manifestar: cólicas fortes (dismenorréia), sangramentos anormais (dentro ou fora do período menstrual), dor durante as relações sexuais (dispareunia), crescimento considerável do volume abdominal, sensação de peso na barriga, dor pélvica constante e compressão do intestino ou da bexiga, gerando aumento da freqüência urinária ou prisão de ventre (constipação).

Rita Cordeiro chegou a sofrer com sintomas por alguns meses, e não tinha idéia do que estava acontecendo até marcar uma nova consulta com seu ginecologista. "Realmente, senti que minha barriga tinha aumentado um pouquinho, mas pensei que estava apenas mais gordinha. O que me incomodou mesmo foram as alterações na menstruação. Sempre tive cólicas, mas elas estavam se tornando cada vez mais fortes e o fluxo durava até oito dias", relata Rita, que recorreu à técnica da embolização para ficar livre do problema. "Dependendo do diagnóstico, da evolução do mioma e dos sintomas (se a paciente apresenta ou não), pode ser que nem haja necessidade de fazer qualquer tratamento", observa o médico Nilo Bozzini.

Complicações

A maioria das mulheres que possuem mioma pode conviver pacificamente com ele, tomando o cuidado de apenas acompanhá-lo periodicamente depois do diagnóstico. Mas algumas sofrem com a doença e precisam saná-la. Entre as causas mais freqüentes de indicação de remoção cirúrgica do mioma estão o sangramento uterino excessivo, as dores fortes e a dificuldade de engravidar. "Os grandes problemas que pedem o tratamento efetivo do mioma são as hemorragias, que levam a casos de anemia e esterilidade, se a mulher ainda quiser ter filhos", descreve a ginecologista Maria Cecília Erthal. Contudo, a miomatose, isolada, é responsável por apenas 5% dos casos de infertilidade, em média. "Quando associada a outros fatores, a incidência pode chegar a 10 ou 15%. Aí, as demais causas precisam ser investigadas e tratadas também", acrescenta Nilo Bozzini.

O ginecologista alerta que as gestantes que possuem mioma devem estar atentas, pois complicações como partos prematuros, sangramentos e abortos tornam-se mais comuns. Quanto mais perto do centro do útero o tumor se desenvolver, maior será a probabilidade de dificultar a gravidez.

Já para mulheres próximas à menopausa, de acordo com Maria Cecília Erthal, a preocupação é desnecessária, pois quase sempre a diminuição nos níveis de estrogênio, decorrente do fim da idade fértil, gera a involução (redução) do mioma. "O crescimento dos tumores é estimulado pela produção de hormônios", esclarece a médica. Por este motivo, o uso de anticoncepcionais orais ou a reposição hormonal também pode influenciar o aumento.







bolsa de mulher no seu celular

downlevel description
This video requires the Adobe® Flash® Player. Download a free version of the player.


Compartilhe: Facebook Del.icio.us LiveSpaces RSS
Últimos comentários
Comentários (8)
  • Janereide
  • Zohar
  • eleana61
  • Luka79
  • dayanax23
  • inha79
  • tha0587


Para enviar sua resposta identifique-se ou então crie já o seu cadastro! É rápido, é fácil, é GRATUITO!




XML Assine nosso RSS