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Memória: central de arquivos
É a memória que nos garante a capacidade de armazenamento das informações. E, para manter um bom arquivo, cuidar da mente é essencial.
Por Camila Barcellos • 03/01/2006
O que é, o que é? Sem ela não seria possível dar continuidade às tarefas do dia-a-dia, às histórias de amor, muito menos às de verão. Adivinhou? Estamos falando da memória. É ela a responsável pelas nossas lembranças, sejam boas ou ruins, alegres ou sofridas, recentes ou antigas. A memória é nosso passado vivo. Depois do momento, é ela quem fica para contar história. Reviver uma viagem através da música que tocava no carro, recordar o ex-namorado por causa de um cheiro, ou lembrar de um jantar especial após provar o tempero do restaurante. Tudo isso acontece graças à memória. Sem ela, somos pessoas sem referência.
Há dois tipos de memória: a declarativa e a de procedimentos. A declarativa é a que nos permite verbalizar um fato. Mas não fica por aí. Dependendo da duração que ela tiver, ela pode ser considerada imediata, de curto prazo, ou longo prazo. Sabe aquele esforço que fazemos para gravar o número de um celular? Quem nos ajuda é a memória imediata, e dura frações de segundos. Já a de curto prazo tem duração de algumas horas. Assim, nos permite lembrar detalhes como com quem nos encontramos no dia anterior, ou o que almoçamos no último domingo. A de longo prazo, obviamente, dura um pouco mais. Meses ou até mesmo anos, como acontece com o aprendizado de uma nova língua.
Você deve estar se perguntando o que pode ter sobrado para a memória de procedimentos fazer. Ela nos permite reter e processar informações que não podem ser verbalizadas, como tocar um instrumento ou andar de bicicleta. Esta é mais estável e mais difícil de ser perdida.
Selecionando as informações
A memória tem a característica de ser seletiva, ou seja, se desfaz daquilo que, aparentemente, não tem mais importância. Isso acontece para dar espaço para informações mais recentes. "Para aprender ou realizar uma nova tarefa, nosso cérebro tem de fazer novas conexões. Com isso, acaba sendo necessária a desativação de conexões antigas. Mas quando estamos com a cabeça cheia, este processo é complicado, pois temos um número maior de informações a serem organizadas", explica o neurologista Benito Damasceno. Benito, que é professor de neuropsicologia e pesquisador da memória na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, ajuda a desvendar o que se passa por trás do processo de memorização. "Sem esse mecanismo, as conexões antigas iriam interferir nas novas, e não conseguiríamos aprender ou realizar qualquer tarefa com agilidade ou precisão adequadas", explica.
Outro especialista no assunto, o neuropsiquiatra John J. Ratey, afirma que são tantas as combinações possíveis de circuitos neurais que o ser humano acaba utilizando apenas uma ínfima parte do seu potencial cerebral. “Temos um manancial de riquezas dentro da nossa própria cabeça, mas nem sempre aproveitamos. É como ter a faca e o queijo na mão, mas não saber cortar”, defende Ratey, autor do livro “Cérebro, um Guia para o Usuário”.
Malhando a mente
Assim como o corpo, a mente também merece cuidados. Da mesma forma que exercícios físicos melhoram os músculos, certas atividades são capazes de estimular o cérebro, aumentando seu potencial. Foi sabendo disso que os neurocientistas Lawrence C. Katz e Manning Rubin desenvolveram estudos sobre um programa de exercícios cerebrais. A idéia era ativar os circuitos neurais e estimular a produção de nutrientes que desenvolvem os neurônios (células nervosas), fazendo com que eles se mantivessem saudáveis por muito mais tempo do que se imaginava possível.
Esta malhação cerebral, conhecida como neuróbica, tem a quebra da rotina como uma das regras. Isto porque, ao modificarmos a forma como fazemos uma coisa, nossos neurônios precisam se adaptar ao novo contexto. Um exemplo de exercício é escovar os dentes com sua mão não dominante, pois assim estará estimulando novas conexões neurais. “Com esse tipo de atividade, seu cérebro precisa mobilizar energia para vencer um desafio, e isso estimula a produção de neurotrofinas, responsáveis pelo crescimento dos neurônios. Isso ocorre até durante a prática de esportes”, explica a neurocientista Suzana Herculano-Houzel.
Já para aumentar a capacidade de aprendizado, é necessário um trabalho mental constante, capaz de estimular o cérebro a produzir novos neurônios, assim como a realizar novas conexões cerebrais. “O hábito de fazer palavras cruzadas, de ler textos de qualidade e que gerem interesse, e a prática de exercícios físicos regulares prazerosos, são excelentes atividades para o cérebro”, cita o psiquiatra Fábio Azeredo.
Estresse, inimigo da memória
Apesar de eficiente, a memória vive nos pregando peças. Não são raras situações de esquecimentos, como quando pensamos: “Huummm... O que eu ia falar mesmo? Cadê a chave do carro? Será que desliguei o ferro?”. Nesses momentos, o importante é não entrar em pânico! Na verdade, esse tipo de lapso pode ser sintoma de estresse. Sim, o estresse faz mal para o corpo. Quando chega à mente, produz hormônios que matam os neurônios, fazendo com que a cabeça nos deixe na mão. Outros vilões da mente são a falta de sono e uma dieta alimentar desequilibrada. Ovos, peixes com ômega-3, frutas e óleos vegetais são alguns dos alimentos que não devem faltar à mesa para a manutenção de uma boa memória.
Mas se o que você quer é uma memória turbinada, anote aí a receita dada pelos médicos: não dispensar aqueles minutinhos sagrados de relaxamento, nem abrir mão do otimismo e do convívio social, com amigos e familiares. Estas são atividades que, além de deixarem todos mais felizes, também estimulam as células neurais.
Camila Barcellos   Leia mais deste autor.
Há dois tipos de memória: a declarativa e a de procedimentos. A declarativa é a que nos permite verbalizar um fato. Mas não fica por aí. Dependendo da duração que ela tiver, ela pode ser considerada imediata, de curto prazo, ou longo prazo. Sabe aquele esforço que fazemos para gravar o número de um celular? Quem nos ajuda é a memória imediata, e dura frações de segundos. Já a de curto prazo tem duração de algumas horas. Assim, nos permite lembrar detalhes como com quem nos encontramos no dia anterior, ou o que almoçamos no último domingo. A de longo prazo, obviamente, dura um pouco mais. Meses ou até mesmo anos, como acontece com o aprendizado de uma nova língua.
Você deve estar se perguntando o que pode ter sobrado para a memória de procedimentos fazer. Ela nos permite reter e processar informações que não podem ser verbalizadas, como tocar um instrumento ou andar de bicicleta. Esta é mais estável e mais difícil de ser perdida.
Selecionando as informações
A memória tem a característica de ser seletiva, ou seja, se desfaz daquilo que, aparentemente, não tem mais importância. Isso acontece para dar espaço para informações mais recentes. "Para aprender ou realizar uma nova tarefa, nosso cérebro tem de fazer novas conexões. Com isso, acaba sendo necessária a desativação de conexões antigas. Mas quando estamos com a cabeça cheia, este processo é complicado, pois temos um número maior de informações a serem organizadas", explica o neurologista Benito Damasceno. Benito, que é professor de neuropsicologia e pesquisador da memória na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, ajuda a desvendar o que se passa por trás do processo de memorização. "Sem esse mecanismo, as conexões antigas iriam interferir nas novas, e não conseguiríamos aprender ou realizar qualquer tarefa com agilidade ou precisão adequadas", explica.
Outro especialista no assunto, o neuropsiquiatra John J. Ratey, afirma que são tantas as combinações possíveis de circuitos neurais que o ser humano acaba utilizando apenas uma ínfima parte do seu potencial cerebral. “Temos um manancial de riquezas dentro da nossa própria cabeça, mas nem sempre aproveitamos. É como ter a faca e o queijo na mão, mas não saber cortar”, defende Ratey, autor do livro “Cérebro, um Guia para o Usuário”.
Malhando a mente
Assim como o corpo, a mente também merece cuidados. Da mesma forma que exercícios físicos melhoram os músculos, certas atividades são capazes de estimular o cérebro, aumentando seu potencial. Foi sabendo disso que os neurocientistas Lawrence C. Katz e Manning Rubin desenvolveram estudos sobre um programa de exercícios cerebrais. A idéia era ativar os circuitos neurais e estimular a produção de nutrientes que desenvolvem os neurônios (células nervosas), fazendo com que eles se mantivessem saudáveis por muito mais tempo do que se imaginava possível.
Esta malhação cerebral, conhecida como neuróbica, tem a quebra da rotina como uma das regras. Isto porque, ao modificarmos a forma como fazemos uma coisa, nossos neurônios precisam se adaptar ao novo contexto. Um exemplo de exercício é escovar os dentes com sua mão não dominante, pois assim estará estimulando novas conexões neurais. “Com esse tipo de atividade, seu cérebro precisa mobilizar energia para vencer um desafio, e isso estimula a produção de neurotrofinas, responsáveis pelo crescimento dos neurônios. Isso ocorre até durante a prática de esportes”, explica a neurocientista Suzana Herculano-Houzel.
Já para aumentar a capacidade de aprendizado, é necessário um trabalho mental constante, capaz de estimular o cérebro a produzir novos neurônios, assim como a realizar novas conexões cerebrais. “O hábito de fazer palavras cruzadas, de ler textos de qualidade e que gerem interesse, e a prática de exercícios físicos regulares prazerosos, são excelentes atividades para o cérebro”, cita o psiquiatra Fábio Azeredo.
Estresse, inimigo da memória
Apesar de eficiente, a memória vive nos pregando peças. Não são raras situações de esquecimentos, como quando pensamos: “Huummm... O que eu ia falar mesmo? Cadê a chave do carro? Será que desliguei o ferro?”. Nesses momentos, o importante é não entrar em pânico! Na verdade, esse tipo de lapso pode ser sintoma de estresse. Sim, o estresse faz mal para o corpo. Quando chega à mente, produz hormônios que matam os neurônios, fazendo com que a cabeça nos deixe na mão. Outros vilões da mente são a falta de sono e uma dieta alimentar desequilibrada. Ovos, peixes com ômega-3, frutas e óleos vegetais são alguns dos alimentos que não devem faltar à mesa para a manutenção de uma boa memória.
Mas se o que você quer é uma memória turbinada, anote aí a receita dada pelos médicos: não dispensar aqueles minutinhos sagrados de relaxamento, nem abrir mão do otimismo e do convívio social, com amigos e familiares. Estas são atividades que, além de deixarem todos mais felizes, também estimulam as células neurais.
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