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Doce amigo
Emagrecer sem tirar os doces da dieta? Sim, é possível!
Por Pilar Magnavita • 03/10/2007

Nos consultórios médicos, a recomendação para quem deseja emagrecer é uma só. "Duas colheres de arroz, uma concha de feijão, carne branca grelhada, vegetais tipo A à vontade, vegetais tipo B moderadamente, e uma cota de fruta. Substitua o açúcar por adoçante e nada de doces". É nesse momento que você começa a se arrepender de ter pagado pela consulta: "como assim, ‘nada de doces'?", você pensa. Afinal, ele é a alegria do lanche da tarde, das sobremesas e do café da manhã, ao lado do pãozinho francês com manteiga que, aliás, também fora proibido. O doce é condição sine qua non para o bem viver. Não se tem notícia de uma pessoa feliz que não sinta, pelo menos de vez em quando, um gosto bom de doce na boca. Nem mesmo os diabéticos, pois de amargo, já bastam as lembranças ruins.

Na verdade, o doce ao qual os médicos se referem são, em geral, a base de sacarose, um tipo de carboidrato que é a base do açúcar refinado. "As pessoas estão viciadas nela (na sacarose) e se esquecem que a natureza e os laboratórios oferecem outras mil opções de doces tão bons e tão mais saudáveis do que a sacarose", afirma a nutricionista clínica Mariza Silva Gomes. "Há, por exemplo, tanta coisa boa que a gente pode fazer com as frutas, mas não existe doce que não engorde. Aliás, tudo contém calorias: algumas coisas mais, outras menos".A nutricionista alerta que o doce é importante para o organismo: "além de conter os açúcares necessários para o metabolismo, ele estimula a produção de serotonina, que é o hormônio ligado ao prazer. Mas não é só o doce que contém açúcar. Ele está em vários produtos industrializados como as massas e, principalmente, nas bebidas como os refrigerantes". Por isso, os profissionais de nutrição recomendam, hoje, o uso de alimentos frescos, poucos industrializados. Não são necessariamente os produtos naturais, que possuem muitos nutrientes, mas também muitas calorias na maioria das vezes."Ninguém pode comer doce à vontade. O que existe são doces menos calóricos do que outros e mais nutritivos também", ressaltou. "Quando tenho um paciente que é viciado em açúcar, porque, de fato, ele vicia, recomendo um chocolate diet no fim de semana e muita fruta e iogurte no resto dos dias", concluiu.

Que adoçante dietético usar?

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), adoçantes são produtos formulados para adocicar os alimentos. De todos eles, a sacarose (o açúcar extraído da cana) é a campeã da preferência dos consumidores, em todo o mundo. Já os adoçantes dietéticos foram desenvolvidos para atender quem não deve consumir carboidratos simples - ou seja, os diabéticos - e é por esta característica, de baixíssimas calorias, que eles passaram a ser grandes aliados para quem faz regimes.

Em pó, tabletes, grânulos ou líquido, os adoçantes dietéticos são constituídos por edulcorantes. Os primeiros são substâncias químicas que dão o sabor doce superior ao da sacarose e por isso, é utilizado em doses muitíssimo menores, às vezes, sem nenhuma caloria. Em outras palavras, é um doce mais doce do que o açúcar, porém, sem nenhum risco de ganhar alguns quilos a mais.

Engana-se quem pensa que adoçantes são todos iguais. Primeiramente, há duas classificações: os não nutritivos (sacarina, ciclamato, acessulfame-k, sucralose e o esteviosídeo), com alto poder de doçura e sem calorias; e os nutritivos (frutose, sorbitol, aspartame), que, por serem semelhantes ao açúcar, são utilizados em grandes quantidades e contêm certa quantidade de calorias.

Além da divisão em grupos de nutritivos e não nutritivos, os adoçantes dietéticos também classificam-se quanto à origem: os edulcorantes tanto podem ser naturais - extraídos da natureza - quanto artificiais - produzidos em laboratório.

Entre os artificiais estão o acessulfame-k, aspartame, ciclamato de sódio, sacarina e a sucralose. Atualmente, este último adoçante é o que tem feito a cabeça de quem procura manter a forma


Entre os artificiais estão o acessulfame-k, aspartame, ciclamato de sódio, sacarina e a sucralose. Atualmente, este último adoçante é o que tem feito a cabeça de quem procura manter a forma sem perder o doce prazer dos sabores. De todos os outros, ele é o que mais tem sabor próximo à sacarose - açúcar comum - e com o poder de adoçar cerca de 600 vezes mais que ela. O motivo? Ele próprio é uma derivação da substância. Sem nenhuma graminha de caloria, a sucralose pode ser consumida por diabéticos e não perde o sabor quando é levado ao fogo.

Dos edulcorantes artificiais, o aspartame é o único calórico (insignificantes 4Kcal/g). Ele é largamente usado por seu sabor próximo à sacarose e adoça 180 vezes mais que a substância, tal como os adoçantes a base de acessulfame-k (com zero caloria). O aspartame não deve ser usado por portadores de fenilcetonúria e deve ser consumido restritamente na gravidez.

Os menos usados atualmente, embora com zero caloria, são a sacarina, com poder adoçante de 300 vezes maior do que o açúcar e de sabor amargo e o ciclamato de sódio, de sabor doce 100 vezes menor que a sacarina. O ciclamato deve ser consumido com parcimônia por quem tem hipertensão.

Já quem faz uma opção mais natural deve procurar adoçantes com edulcorantes extraídos do meio ambiente. É o steviosídeo (ou estévia), a frutose e o sorbitol. O primeiro é o mais amargo, embora adoce 300 vezes mais que o açúcar. Extraído de uma planta de mesmo nome, ele costuma ser caro e não contém calorias. Já a frutose tem origem nas frutas e no mel. È um dos mais saborosos e próximos do açúcar (adoça 20% mais) e, ironicamente, provoca cáries. Contém 4 kcal por grama e seu uso por diabéticos deve ser autorizado pelo médico. Quem tem problemas com a insulina não deve chegar perto também do sorbitol. Seu consumo é baixíssimo: ele é 50% menos doce, com custo elevado, de efeito laxativo e com 2,4 kcal/g.

Na escolha do adoçante dietético nos supermercados ou em lojas de produtos naturais, o consumidor deve estar atento à embalagem. Vale ressaltar que os estudos que associam os edulcorantes artificiais ao câncer ainda não são conclusivos, embora haja pesquisas que apontem o ciclamato como o que possuí maior potencial cancerígeno entre as substâncias.







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