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Dia Mundial da Menopausa
Os sintomas afetam 13,5 milhões de brasileiras. Previna-se desde já
Por Daniela Pessoa • 18/10/2008

Fogacho, suor, aquele calor... Infelizmente, não é o que parece! Estes são os primeiros sintomas da menopausa, que indicam a chegada da terceira idade e, de quebra, de alguns fantasmas bem reais que assombram a saúde e o bem-estar da mulher: osteoporose, secura vaginal, atrofia da uretra, insônia, depressão, perda da libido e até mesmo maior risco de problemas do coração. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2030, mais de 1 bilhão de mulheres estarão na menopausa. Somente no Brasil, são mais de 13,5 milhões que passam pelo climatério.

Mas não vá pensando que este é num beco sem saída. Para marcar o Dia Mundial da Menopausa deste ano, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Associação Brasileira do Climatério (SOBRAC) se uniram para elaborar a primeira Diretriz Brasileira sobre a Prevenção de Doenças Cardiovasculares em Mulheres Climatéricas e a Influência da Terapia de Reposição Hormonal. O documento traz recomendações para a prevenção de fatores de risco para as doenças cardiovasculares nas mulheres neste período, como: controlar a hipertensão, a diabetes e o colesterol, abandonar o cigarro, praticar atividades físicas regulares, adotar uma dieta equilibrada e rica em frutas, verduras e vegetais etc. Além disso, lembre-se de que a medicina está do nosso lado e trouxe uma solução para livrar a mulherada dos sinais desagradáveis e preocupantes da menopausa - a chamada Terapia de Reposição Hormonal (TRH). Cercada de polêmica, especialistas desmistificam alguns fatos e indicam quando, por que e como recorrer a ela.

É guerra!

Por volta dos 50 anos, a mulher começa a entrar na menopausa. É quando os hormônios sexuais estrogênio e progesterona vão deixando de ser produzidos. E é justamente a partir dessa idade que se deve pensar na adoção de uma terapia de reposição hormonal. "Ela deve ser feita assim que ocorre a falência dos ovários", aconselha Jorge Nahás Neto, co-responsável pelo ambulatório de Climatério da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP e professor de Pós-Graduação em Ginecologia da mesma instituição.

Mas, segundo o endocrinologista Ricardo Meirelles, antes mesmo da falência ovariana podem ocorrer algumas irregularidades menstruais, decorrentes das alterações hormonais que precedem a interrupção total das regras. "Já nesse momento, é importante procurar o médico para avaliação clínica e laboratorial e, se necessário, iniciar a terapia hormonal", alerta Ricardo. Outro sinal que deve ser considerado como gatilho para procurar assistência médica, de acordo com o endocrinologista, são as ondas de calor. E para quem quiser matar a curiosidade e descobrir se a menopausa está batendo à porta, antes mesmo de visitar o médico, já está à venda nas farmácias o "Confirme Menopausa", um exame de urina parecido com o de gravidez que custa cerca de R$ 20 e detecta em cinco minutos se os seus hormônios estão em baixa e a menstruação, indo embora.

Pois é, quando ela se vai, é um alívio cá, mas uma porção de problemas do lado de lá. Fora os já conhecidos sintomas, a menopausa traz, ainda, outros inimigos, silenciosos, como a diminuição, pouco a pouco, da capacidade cognitiva, de raciocínio e de memória, diminuição da massa muscular e óssea, aumento da gordura abdominal, perda do prazer sexual, maior propensão a doenças cardiovasculares etc. Sem falar nas alterações vaginais! "A vagina perde lubrificação e sua mucosa torna-se mais fina, pálida e menos elástica", revela o ginecologista César Eduardo Fernandes, coordenador científico da Associação Brasileira do Climatério (SOBRAC).

Dada a magnitude dos problemas, é bom recorrer a um tratamento que reduza esses sintomas a zero ou pelo menos os suavize. "A idade a gente não consegue mudar, mas conseguimos pelo menos aliviar, ou até mesmo extinguir, alguns sintomas", garante César Eduardo. É aí que entra a TRH, repondo hormônios que o organismo vai deixando de produzir. "Acima de tudo, a terapia de reposição hormonal é uma questão de bem-estar da mulher", afirma Jorge Nahás. E, quanto à questão sexual, completa: "Achar que a sexualidade na maturidade já não tem importância é um equívoco. Qualquer disfunção nessa fase da vida merece ser avaliada com cuidado, porque implica na saúde física e psíquica da mulher, e também do homem".

Sob medida

Progesterona e estrogênio: essa dupla faz a maior falta, mas eles não são os únicos hormônios envolvidos no tratamento. Existem vários tipos de terapia de reposição hormonal, que envolvem diferentes hormônios e métodos. Comprimido, gel, implante, adesivo, creme vaginal... O que não falta é opção! "O que vale é o conforto e a comodidade da paciente", diz Jorge Nahás. De acordo com Ricardo Meirelles, em geral, se utilizam vias não orais, apesar de pílulas serem ainda muito comuns na TRH. "Por vias não orais, são usadas doses menores de hormônios, porque eles são jogados direto na circulação ao invés de percorrerem todo o trajeto da digestão", explica o endocrinologista. E completa: "Evita-se, assim, a ocorrência de possíveis efeitos adversos".

Já a injeção de hormônios, segundo o Dr. César Eduardo, está perdendo status, porque pesquisas alertam para o fato de que ela não mantém os níveis hormonais no organismo. Falando neles, eis a prescrição básica de especialistas no assunto:

Mulheres sem útero - terapia apenas com estrogênio.

Mulheres com útero - estrogênio + progesterona. "A progesterona só entra nessa história porque ela protege o endométrio, camada interna do útero. Mas, ao mesmo tempo, traz algumas desvantagens, como irritabilidade e inchaço. Reaviva-se, de certa forma, alguns sintomas da TPM", afirma César Eduardo. No entanto, sem a progesterona, ele conta que o risco de câncer no útero aumenta.







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