• Crédito: Jupiter Images
Corpo e Bem-estar
De salto alto
É lindo e te deixa arrasadora! Mas é bom também ter cuidado com ele...
Por Luana Martins • 24/06/2008

"O salto alto é tudo na minha vida. Não passo um dia sem que ele me acompanhe. Preciso estar sempre elegante por causa da profissão e à noite também não posso tirá-lo. Tenho apenas 1,60 m e meu namorado tem 1,80 m de altura . Aí, já viu!", confessa a estudante de direito Isabella Soares. Assim como ela, algumas mulheres simplesmente não vivem sem um salto alto. Além da inegável sensualidade, elegância e imponência que o acessório proporciona, a plataforma eleva o bumbum e define alonga as pernas. E ainda há quem garanta que ela até facilite o orgasmo feminino! Mas, antes que você saia por aí de-ses-pe-ra-da por um salto 15, saiba que não é só de benefícios que vive este tipo de sapato. Seu uso indiscriminado traz sérios problemas para a coluna e facilita o aparecimento de varizes, barriguinha e da temida celulite.

O uso de saltos altos altera o caminhar normal. A pressão plantar fica toda concentrada no dedão e no segundo dedo, levando à dor, calosidades e deformidades, como o joanete

Há milênios que os saltos fazem a cabeça e os pés de muitas mulheres. Historiadores encontraram esses acessórios em tumbas egípcias que datam de 1.000 a.C. E no Japão, as cortesãs usavam tamancos com quase 30 centímetros de altura para ficarem mais sensuais. No entanto, a invenção do salto alto é atribuída a Catarina de Médici. Filha de uma rica família italiana, ao se casar com o príncipe francês Henry II, fez questão de levar na bagagem centenas de sapatos com saltos que a deixavam com altura suficiente para alcançar o esposo. A novidade fez sucesso na aristocracia francesa e até os homens aderiram à moda. Além de impedirem que os pés ficassem enlameados, os saltos ganharam simbologia de status social. Com o passar dos anos, foram surgindo diferentes tipos de saltos. Anabelas, plataformas e, para desespero dos ortopedistas, os temidos saltos agulhas.

Bem-te-quer, mal-te-quer

É que a fama do salto alto não é das melhores. Pesquisas revelam que 20% das mulheres sentem algum tipo de dor durante a primeira hora de uso do salto, número este que sobe para 40% na segunda hora. Que atire a primeira anabela quem nunca sentiu uma dor insuportável nas costas depois de uma noite inteira sobre um salto agulha! Conhecidos por causarem problemas posturais, os saltos levantam o pé da mulher, encurtando a panturrilha e projetando o corpo para frente. Para compensar esse movimento, a pessoa acaba jogando o corpo para trás, o que pode culminar em uma hiperlordose e até naquela indesejável barriguinha! E os males não param por aí. "O uso de saltos altos altera o caminhar normal. A pressão plantar fica toda concentrada no dedão e no segundo dedo, levando à dor, calosidades e deformidades, como o joanete. O ideal é que a mulher escolha um salto de, no máximo, três centímetros, já que este não altera a marcha normal e ajuda no bombeamento sangüíneo", aconselha a ortopedista e especialista em medicina e cirurgia do pé, Cibele Réssio.

Além de dores e problemas na coluna, os saltos também são conhecidos por prejudicar a circulação sangüínea e originar micro-vasos nas pernas. Porém, com um pouco de cautela e bom-senso, é possível reverter o efeito e usá-los a seu favor. Recentemente, o professor da Unicamp e cirurgião vascular João Potério Filho desenvolveu uma pesquisa que constatou que o salto alto melhora a postura e evita o surgimento de varizes. Confusa? A Dra. Cibele explica: "Quando estamos de salto, a musculatura da panturrilha fica contraída, facilitando o retorno do sangue para o coração, diminuindo os inchaços e melhorando ou prevenindo as varizes", ensina. Mas os benefícios só acontecem se o salto for de até sete centímetros. Do contrário, o efeito é o inverso.

Potério chegou a essa conclusão ao realizar um teste com mulheres usando saltos de sete e dez centímetros. O método usado foi o "estudo de marcha". Nele, as mulheres caminhavam por um minuto em cima de uma esteira que registrava a pressão interna nas veias. A conclusão que o cientista chegou foi a de que o salto aumenta em até 30% o bombeamento sangüíneo. Quanto à postura, Potério concluiu que quando uma pessoa usa salto alto, ela é obrigada a contrair os músculos da perna com mais força e a assumir uma postura mais elegante, deixando a coluna lombar ereta. A pesquisa revelou, ainda, que o salto alto corrige defeitos como o pé chato, o joanete e o genuvarum - aquele desvio das pernas para fora, comum na maioria das mulheres.







bolsa de mulher no seu celular


Compartilhe: Facebook Del.icio.us LiveSpaces RSS


  
Os últimos comentários






XML Assine nosso RSS