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Há alguns anos, as academias tinham seus ambientes bem divididos: aulas de ginástica localizada para as mulheres, enquanto os homens se aventuravam nas lutas, na musculação pesada, e em atividades de maior contato como o futebol. Mas, pelo jeito, isso acabou. Depois de ocupar de vez o mercado de trabalho e se desvincular da imagem apenas doméstica, a mulher moderna foi quebrando paradigmas e tabus cada vez mais e entrando também na onda dos esportes que, até então, eram considerados "masculinos". Tudo isso para manter a saúde e o corpo bonito que toda mulher sonha ter.
Futebol, automobilismo, esportes radicais e lutas marciais caíram nas graças do público feminino e os próprios instrutores passaram a se adaptar a essa tendência. Vagner Coelho, professor de Educação Física e Muay Thai da academia Rio Sport, afirma que, no fundo, as mulheres sempre tiveram vontade de praticar lutas, mas o contato excessivo - e a possibilidade de se machucar - dessa prática esportiva as desestimulava.
Segundo o professor, o Muay Thai não foi difundido por aqui como arte marcial, mas como defesa pessoal. "Era uma luta traumática, com técnicas asiáticas e, por isso, poucas pessoas praticavam", explica Vagner. Lá pela década de 80, porém, profissionais da área de Educação Física começaram a praticar o Muay Thai e colocaram pontos mais esportivos na luta, abolindo joelhadas, criando novas regras e tornando-o mais acessível às pessoas de todos os tipos.
Essas modificações passaram a chamar a atenção do público feminino, bem como a mudança dos nomes de algumas lutas, que afastaram delas um certo preconceito que existia. O professor diz que, quando os exercícios do boxe foram adaptados e passou-se a chamar as aulas de Tae Bo, a atividade desvinculou-se um pouco do estigma de "brutalidade" das lutas, o que atraiu as mulheres. Outro atrativos para elas é o fato de que essas modalidades conseguem conjugar exercícios aeróbicos, coordenação, flexibilidade e queima de calorias. Afinal, boa parte das mulheres que buscam algum esporte desejam um corpo com menor percentual de gordura e músculos torneados.
Qualquer um(a) pode!
Talvez você pense que não é capaz de praticar um esporte assim, porque não tem resistência ou coisa do tipo. Que nada! Vagner Coelho destaca a flexibilidade desse tipo de exercício, que pode ser adaptado à resistência corporal do aluno. Logo, não há limite de idade para aprender lutas, muito menos distinção de gênero. Aliás, o professor garante que as mulheres têm muito mais facilidade do que os homens: "A mulher tem mais jeito, pois os golpes precisam de uma base de alavanca, que é o giro do quadril, e o movimento correto imprime a força necessária ao golpe", esclarece ele, acrescentando que o homem chega às aulas com o intuito de usar somente a força e, por isso, acaba tendo mais dificuldades em aprender.
E, para o corpo feminino, os benefícios das artes marciais são muitos. Há aumento da coordenação motora; trabalha-se, em uma aula, diversos grupos musculares de forma mais dinâmica que numa aula de ginástica localizada; e gasta muita, mas muita energia. Só de pensar que uma hora de aula substitui o tempo que você ficaria na esteira, correndo no mesmo lugar, já é um grande estímulo. Enquanto um jump ou spinning queima, em média, 500 a 600 calorias, uma aula de Muay Thai, por exemplo, se trabalhada com circuito, ajuda a perder até 900 calorias.
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