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As coisas simples da vida
A auto-observação é o segredo da medicina preventiva
Por Luiz Felipe Guimarães • 14/11/2006

Nossos encontros abordam assuntos de saúde. Saúde é um conceito muito amplo e requer atenção. Já diz o ditado popular que prevenir é melhor que remediar. Isto é verdade e sempre será. A função dos médicos na antiguidade era impedir que as pessoas adoecessem e, só eventualmente, tratar das doenças. O médico é um consultor de saúde e não somente um tratador de doenças. Entre uma coisa e outra existe uma enorme diferença. Na verdade, o ponto chave da questão é a irresponsável transferência de responsabilidades.

Se eu só procuro saber de mim mesmo quando adoeço é porque houve realmente uma inversão nas minhas reais prioridades. Talvez isso seja conseqüência da preponderância do aspecto físico e palpável da doença. A doença só é considerada se for algo que possa ser demonstrado por exames de laboratório ou de imagens. Se não for, não é doença, ou então é caracterizada como distúrbio mental e tratado como tal. Tudo fica compartimentado. O que é físico é físico, o que não é não existe ou é "invenção da mente". Parece óbvio, mas não é assim.

Quem nunca teve uma sensação ou um sintoma quando esteve doente e teve vontade de relatar isso ao seu médico, mas não o fez por vergonha de ser taxado de maluco ou de ser caso de psiquiatria ou, então, de ser ridicularizado? Saibam que toda a doença é chamada desta forma porque existem grupos de sinais e sintomas parecidos, que podem ser reunidos e catalogados. Depois que fazemos isso dizemos: "Temos uma doença"! Mas, vejam: cada pessoa adoece de forma única, individual, exclusiva ou à sua maneira.

Segundo a Homeopatia, o ser humano tem diversos estágios de adoecimento que seguem uma linha de evolução, desde suas sensações e sentimentos até quando a doença se instala


Querem fazer um teste? Perguntem a uma amiga o que ela sente quando está resfriada, por exemplo. Vocês dirão: "Ah! Isso é fácil, ela tem febre, fica com dor muscular, nariz entupido, espirros, dor de cabeça etc, exatamente como eu!". Aí eu direi: Aprofundem um pouco mais o interrogatório e verão que há pessoas que nesta situação ficam mais agitadas, outras têm vontade de ficar deitadas, umas vão querer atenção de toda a família, outras querem ficar absolutamente sozinhas. Umas querem se cobrir, outras querem ficar com as janelas abertas... A coriza de uma é irritante, já a outra tem dor de cabeça com arrepios...

Novamente vocês dirão: mas o que tem isso a ver? No final o remédio é o mesmo! Pois estão redondamente erradas! O que eu quero que vocês percebam é que essas informações foram consideradas sem importância, porque os remédios chamados de sintomáticos não conseguem atuar de forma individual, somente parcial.

Então, tudo aquilo em que ele não atua, ficou em segundo plano, sem valor! Esta atuação parcial induziu as pessoas a descreverem o que sentem também de forma parcial e incompleta! Não porque elas quisessem isso, mas porque não havia sentido em abordar o que não podia ser medicado!

Segundo a Homeopatia, o ser humano tem diversos estágios de adoecimento que seguem uma linha de evolução, desde suas sensações e sentimentos até quando a doença se instala (e aí pode ser demonstrada pelos exames complementares).

Os comportamentos do resfriado que eu descrevi antes são maneiras exclusivas, individuais de reagir. Não seria óbvio, então, que reações diferentes sejam medicadas de formas diferentes e individualizadas, mesmo que no final todos tenham o mesmo nome: "resfriado"?

Os remédios homeopáticos permitem que atuemos desta forma. O seu resfriado vai exigir um remédio homeopático, o resfriado de sua amiga, outro! A Homeopatia proporciona tratamento de uma pessoa, qualquer que seja o seu incômodo, desde uma sensação ou um sentimento, até a doença instalada.

Desta maneira, podemos ter uma Medicina que respeita a pessoa na sua maneira de adoecer e não apenas sendo portadora de uma doença, entendem? No primeiro caso, o que importa é a pessoa com uma doença, no segundo só a doença.

Agindo assim você pode se abrir com o seu médico inteiramente, com sinceridade, sem medir palavras, nem disfarçar coisa alguma. Todos os seus sintomas têm valor.

Quando você age assim, começa a se educar para se conhecer e a prestar mais atenção em si mesma, nos detalhes de sua vida, tornando-se, portanto, mais responsável e auto-suficiente em relação a sua saúde e felicidade.

Isso sim é que é Medicina preventiva! O primeiro interessado em mim mesmo, sou eu! Quando me consulto, procuro um amigo para me ajudar a viver cada vez mais e melhor!

Um abraço, fiquem bem e até a próxima!

Dr. Luiz Felipe D. Guimarães é médico homeopata, especialista em clínica médica, membro da Federação Brasileira de Homeopatia. Possui especializações nas áreas de terapia ortomolecular, acupuntura e fitoterapia.

Luiz Felipe Guimarães é médico homeopata, especialista em clínica médica, membro da Federação Brasileira de Homeopatia. Possui especializações nas áreas de terapia ortomolecular, acupuntura e fitoterapia. Para entrar em contato escreva para drluizfelipe@yahoo.com.br.  Leia mais deste autor.





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