• Crédito: Jupiter Images
Ansiedade: controle a sua!
Não deixe a rotina atarefada roubar sua calma e ameaçar sua saúde
Por Ana Brasil • 19/09/2008

Estresse no trabalho, mau desempenho em provas, nervosismo ao falar em público e até crises de choro freqüentes. Estes fatores, comuns em um cotidiano turbulento, podem ser traduzidos em uma palavra: ansiedade.Esta sensação, descrita nos dicionários como "estado emocional angustiante acompanhado de alterações somáticas (cardíacas, respiratórias, etc) [...] que pode ser referente a situações reais ou não", é capaz de causar problemas bem maiores do que uma taquicardia momentânea. Algumas conseqüências são imediatas, como a falta de calma e concentração, a afobação exagerada e a incapacidade de realizar tarefas cotidianas. E é bom ter em mente que a ansiedade pode afetar qualquer pessoa, sem distinção de raça, faixa etária ou ocupação.

E indiferente do sexo, também. Apesar de haver a impressão popular de que é a mulher que sofre mais com estes distúrbios, a verdade é que ela apenas demonstra mais. O homem vem de uma tradição de ocultar seus problemas e muitas vezes nem percebê-los. As mudanças neste aspecto são muito recentes. A mulher, por outro lado, sempre foi incentivada a aceitar sua sensibilidade e lidar com suas emoções. Quando deixou de ser apenas "do lar" e avançou no mercado de trabalho, endureceu um pouco, mas não deixou de se cuidar e de ser mais emotiva.

Luiz Cláudio Maciel, psiquiatra especializado em transtornos de ansiedade, diz que, no Serviço Público de Saúde, a proporção de procura por tratamentos para o problema ainda é de cerca de 75% para mulheres e 25% para homens. Mas isto ocorre somente devido à herança cultural, já que em seu consultório particular, por exemplo, os pacientes estão meio a meio. "Nas classes mais baixas, os homens alegam falta de tempo para buscar auxílio. Já nas mais altas, eles são mais bem informados e contam com o incentivo da parceira. A mulher, por sua vez, percebe logo quando há algo errado, seja ela rica ou pobre", comenta.

Na verdade, esta aflição, que pode impelir alguém a buscar ou fugir de algo, é universal e inerente a todos os seres humanos. A ansiedade pode ser fisiológica ou patológica - o que diferencia é a intensidade das sensações. O médico afirma que ela move o mundo. "A ansiedade é essencial, seja para buscarmos algo que queremos, com a expectativa, ou para nos afastarmos, quando sugere ameaça. Cada um reage de forma diferente e se, a intensidade passar dos limites aceitáveis, gera sintomas", observa.

Enxergar o problema é o primeiro passo

Essas sensações provocadas pela ansiedade podem ser benéficas para o organismo se forem transformadas em algo positivo. A psicóloga Lucy Santos explica: "Descargas de energia fazem bem ao corpo, mas dependem do grau, da quantidade. Se forem excessivas, a pessoa não consegue absorvê-las". Os sintomas mais comuns são agitação, sudorese, alterações da pressão arterial, problemas gástricos, medo e, em alguns casos, estado de pânico. As dificuldades começam quando a situação sai do controle. Tanto o psiquiatra quanto a psicóloga enfatizam que todos têm condições de prestar atenção a seus episódios de ansiedade e identificar quando o limite está sendo ultrapassado. Como? Bem, de acordo com Lucy, quando a ansiedade começa a comprometer outros campos da sua vida, o sinal de alerta é ativado. Uma preocupação, por mais real que seja, não pode se tornar o foco da vida de ninguém. O Dr. Luiz Cláudio adverte, porém, que as ocorrências não devem ser freqüentes nem muito intensas.

Duas manifestações muito comuns causadas pela ansiedade são o Transtorno de Ansiedade Generalizada e a Síndrome do Pânico. Na primeira, a pessoa se sente angustiada constantemente, sofre com sintomas depressivos (apesar de não haver depressão), sono interrompido, alterações no apetite e, por vezes, compulsividade. A ansiedade passa a fazer parte da rotina, torna-se diária. Já a segunda é caracterizada justamente por episódios eventuais, mas muito fortes, como mencionou Luiz Cláudio: há momentos com picos de ansiedade e extremo mal-estar, que podem levar a pessoa ao pronto-socorro.







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