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Parente
O corte chanel
Sinônimo de classe, o corte chanel volta com tudo em Paris
Por Tiago Parente • 09/05/2007
Olá, leitoras!
Esta semana, vou contar que a moda de cabelos em Paris, para a coleção primavera-verão, é o visual retrô. Ou seja, looks inspirados nos anos 20 e 30. E, que me perdoem as "Iemanjás", mas o corte chanel vem com tudo. Mas não precisa ficar triste quem deseja preservar as madeixas, cabelos bem compridos vão poder usar o famoso rabo de cavalo.
O corte chanel, assim como o rabo de cavalo, é uma maneira de expressar liberdade, em que a mulher fica livre de tantos cuidados diários com os cabelos. Mas gostaria de contar um pouco como tudo aconteceu:
Mademoiselle Chanel não entrou para a história da moda apenas por sua inegável habilidade com as tesouras, agulhas e o dedal - mais do que criar, esta francesa, que nasceu pobre e passou parte da infância em orfanatos, libertou a mulher do espartilho, dos vestidos pesados e opressores e da absoluta falta de conforto de um figurino que insistia em manter suas raízes no século 19. A agulha de Chanel ajudou a moldar, nas primeiras décadas do século passado, o que mais tarde seria conhecido como feminismo. Suas criações, libertárias na forma e no conceito, foram sinônimo de um tipo de mulher que, em pouco tempo, passaria a ganhar as ruas, o direito de votar, de trabalhar e de ser elegante sem necessariamente ser rica.
Gabrielle Chanel nasceu em Saumur, um dos maiores pólos de equitação da França, encravado no Vale do Loire, no dia 19 de agosto de 1883. Filha de vendedores ambulantes, ela e os quatro irmãos passaram os primeiros anos de vida como saltimbancos. Tinha pouco mais de seis anos quando perdeu a mãe, e o pai a enviou para um orfanato. Os casaquinhos escuros usados pelas internas e os imensos muros brancos do local, mais tarde, serviriam de inspiração para suas primeiras criações, nas quais ela já se aproximava da geometria empregada, um pouco depois, na confecção de seus famosos tailleurs.
Aos 24 anos, ela já havia deixado de lado o nome Gabrielle e se apresentava nas festas e nas corridas de cavalo como Coco Chanel. E foi numa dessas corridas de cavalo, em Longchamp, que ela chocou a burguesia francesa ao surgir em público com um visual masculino: camisa com uma gravata de tricô e o cabelo preso num impensável rabo-de-cavalo. Começava a nascer o mito.
A estilista abriu sua primeira loja em 1910, na Rua Cambon, número 21. Vendia apenas chapéus, uma de suas obsessões ao longo da vida. Dois anos depois, instalada em outro endereço, ela lançou o cardigan e as primeiras malhas. Mas isso era apenas o embrião de uma revolução que ganharia as ruas em 1916, quando Chanel encurtou as saias, empregou jérsei e crepes nos seus modelos, redesenhou a silhueta feminina e lançou o corte de cabelo que até hoje leva seu nome.
Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, Chanel era o maior nome da costura francesa - vendia, em média, 28 mil modelos por ano e empregava centenas de funcionários em sua maison.
Chanel morreu aos 88 anos, no dia 10 de janeiro de 1971. Sua grife, conhecida em todo mundo pelas duas letras "C" entrelaçadas, hoje está sob o comando do estilista alemão Karl Lagerfeld.
Quem acabou de adotar o corte eternizado por Chanel foi outra mulher marcante: Madonna. Sim! A material girl anda desfilando por Londres com os cabelos na altura do queixo, mais clássica e aristocrática, impossível!
E, de agora em diante, só posso lhes dizer... coragem... e sucesso!
Tiago Parente é cabeleireiro, membro da Haute Coiffure Française, Paris, e sócio do salão Fashion Clinic, em Ipanema, no Rio de Janeiro.  Leia mais deste autor.
Esta semana, vou contar que a moda de cabelos em Paris, para a coleção primavera-verão, é o visual retrô. Ou seja, looks inspirados nos anos 20 e 30. E, que me perdoem as "Iemanjás", mas o corte chanel vem com tudo. Mas não precisa ficar triste quem deseja preservar as madeixas, cabelos bem compridos vão poder usar o famoso rabo de cavalo.
O corte chanel, assim como o rabo de cavalo, é uma maneira de expressar liberdade, em que a mulher fica livre de tantos cuidados diários com os cabelos. Mas gostaria de contar um pouco como tudo aconteceu:
Mademoiselle Chanel não entrou para a história da moda apenas por sua inegável habilidade com as tesouras, agulhas e o dedal - mais do que criar, esta francesa, que nasceu pobre e passou parte da infância em orfanatos, libertou a mulher do espartilho, dos vestidos pesados e opressores e da absoluta falta de conforto de um figurino que insistia em manter suas raízes no século 19. A agulha de Chanel ajudou a moldar, nas primeiras décadas do século passado, o que mais tarde seria conhecido como feminismo. Suas criações, libertárias na forma e no conceito, foram sinônimo de um tipo de mulher que, em pouco tempo, passaria a ganhar as ruas, o direito de votar, de trabalhar e de ser elegante sem necessariamente ser rica.
E foi numa dessas corridas de cavalo, em Longchamp, que ela chocou a burguesia francesa ao surgir em público com um visual masculino: camisa com uma gravata de tricô e o cabelo preso num impensável rabo-de-cavalo. Começava a nascer o mito
Gabrielle Chanel nasceu em Saumur, um dos maiores pólos de equitação da França, encravado no Vale do Loire, no dia 19 de agosto de 1883. Filha de vendedores ambulantes, ela e os quatro irmãos passaram os primeiros anos de vida como saltimbancos. Tinha pouco mais de seis anos quando perdeu a mãe, e o pai a enviou para um orfanato. Os casaquinhos escuros usados pelas internas e os imensos muros brancos do local, mais tarde, serviriam de inspiração para suas primeiras criações, nas quais ela já se aproximava da geometria empregada, um pouco depois, na confecção de seus famosos tailleurs.
Aos 24 anos, ela já havia deixado de lado o nome Gabrielle e se apresentava nas festas e nas corridas de cavalo como Coco Chanel. E foi numa dessas corridas de cavalo, em Longchamp, que ela chocou a burguesia francesa ao surgir em público com um visual masculino: camisa com uma gravata de tricô e o cabelo preso num impensável rabo-de-cavalo. Começava a nascer o mito.
A estilista abriu sua primeira loja em 1910, na Rua Cambon, número 21. Vendia apenas chapéus, uma de suas obsessões ao longo da vida. Dois anos depois, instalada em outro endereço, ela lançou o cardigan e as primeiras malhas. Mas isso era apenas o embrião de uma revolução que ganharia as ruas em 1916, quando Chanel encurtou as saias, empregou jérsei e crepes nos seus modelos, redesenhou a silhueta feminina e lançou o corte de cabelo que até hoje leva seu nome.
Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, Chanel era o maior nome da costura francesa - vendia, em média, 28 mil modelos por ano e empregava centenas de funcionários em sua maison.
Chanel morreu aos 88 anos, no dia 10 de janeiro de 1971. Sua grife, conhecida em todo mundo pelas duas letras "C" entrelaçadas, hoje está sob o comando do estilista alemão Karl Lagerfeld.
Quem acabou de adotar o corte eternizado por Chanel foi outra mulher marcante: Madonna. Sim! A material girl anda desfilando por Londres com os cabelos na altura do queixo, mais clássica e aristocrática, impossível!
E, de agora em diante, só posso lhes dizer... coragem... e sucesso!
Tiago Parente é cabeleireiro, membro da Haute Coiffure Française, Paris, e sócio do salão Fashion Clinic, em Ipanema, no Rio de Janeiro.  Leia mais deste autor.
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