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Claro que você já ouviu falar e já está cansada de escutar sobre todos os males do cigarro: o câncer, o infarto, aquele rapaz tão moço que morreu o ano passado de uma hora pra outra etc etc. E aquele seu amigo chato, ex-fumante, não te deixa em paz com essa conversa...
Mas, você, tão cheia de vida, tão ativa, elétrica, já pensou no que a pele do seu rostinho tem sofrido com o fumo? Você sabia, por exemplo, que o cigarro praticamente "come" o colágeno que está na camada mais profunda? Justamente o colágeno, responsável pela firmeza, hidratação, viço e sustentação da cútis.
Mesmo em mulheres jovens, na faixa dos 30 anos que fumem há cerca de três anos, é possível detectar os sinais clínicos que traduzem esta queima de colágeno: perda do frescor, aspecto mais pálido e abatido, pele amarelada e sem vida, olheiras fundas ou bolsas inchadas sob os olhos, marcas de expressão com ruguinhas na lateral dos olhos, dos lados da face, em torno da boca, sulcos que se aprofundam e traçam uma linha triste dos cantos do nariz aos cantos da boca.
As pálpebras parecem sempre inchadas pela manhã e leva algumas horas para ficar apresentável. Nas fotos, principalmente o pescoço pode aparecer mais flácido, com pregas verticais, especialmente após os 35 anos nas fumantes. As mãos tornam-se sempre muito secas, grossas, e os vasos começam a ficar visíveis.
Como a circulação sanguínea no couro cabeludo também logo se torna deficiente, pois a nicotina estreita os vasos e torna a chegada de sangue bem mais difícil, temos freqüentemente que nos deparar com a queda de cabelo, especialmente nas regiões anteriores do couro cabeludo. Os fios vão ficando mais fininhos e o couro cabeludo fica cada vez mais visível próximo à testa. O crescimento dos fios torna-se mais lento e, se o cabelo já foi agredido por procedimentos químicos, como descoloração e os alisamentos, há alarmantes possibilidades de os fios partirem com mais facilidade.
Além disso, as sobrancelhas ficam finas e com falhas, os cílios parecem menores do que já foram no passado.
A celulite surge com a menor circulação sanguínea nas sofridas áreas dos quadris e coxas. O fumo prejudica consideravelmente a chegada de sangue na região e aí então, até mesmo nas mais magrinhas, podem começar as alterações progressivas e nada agradáveis: flacidez, menos firmeza, ondulações profundas e os temidos furinhos em "casca de laranja".
A cicatrização fica mais lenta e difícil, as arranhaduras e feridas demoram a fechar e ainda por cima deixam manchas escuras de recordação, que custam a ir embora depois de algum tempo (mas que parece uma eternidade).
Que fazer? Gritar? Não, porque a voz da fumante vai ficando lentamente mais grossa e rouca, assemelhando-se à voz de uma mulher mais velha! Mas as unhas, estas ficam mais moles, fracas e desfolham facilmente, graças à menor nutrição sanguínea que recebem na matriz.
Enquanto você não se resolve ou não consegue largar definitivamente este vício maldito, vá antagonizando, ainda que em parte, os efeitos danosos do cigarro, usando revitalizadores como a vitamina C local, o ácido glicólico e retinóico, além de estimuladores de colágenos como o glycans (pentaglycan e glicosaminoglycan).
Alimente-se equilibradamente, repondo sais e minerais como o zinco, a vitamina C e o ácido fólico, e os complexos de aminoácidos para os cabelos, como a biotina e a queratina.
Mas, se possível, já jogue o maço fora assim que terminar de ler este artigo. Você vai ver como será magnífico para sua pele!
Ligia Kogos é dermatologista, formada pela Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e diretora da Clínica Ligia Kogos de Dermatologia.  Leia mais deste autor.
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