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Celebre a vida!
Apesar dos sinais da vida no rosto, comemorar aniversário é sempre bom
Por Ligia Kogos • 17/12/2007

Na infância, geralmente todos nós adoramos nossos aniversários, temos orgulho das velinhas sobre o bolo e esperamos com ansiedade nossos convidados, observando cheios de excitação os preparativos para as festinhas.

As coisas já começam a mudar de figura na adolescência. Preocupamo-nos se nossas reuniões serão do agrado de nossos amigos, quem virá, quem poderá faltar, quem vamos cortar de nossa lista, se estamos magras ou gordas e se o vestido que mamãe comprou é ou não é brega.

Há um determinado momento, mais cedo ou mais tarde, em que a data de aniversário traz uma sensação inquietante. Será que fizemos e recebemos tudo o que a vida nos prometia até agora?

Nos anos que se seguem, no auge da juventude, um carrossel de acontecimentos marcam nossas vidas. Passamos nossos aniversários das maneiras mais diversas possíveis: desde viagens malucas, fins de semana com amigos e namorados, jantares íntimos só com os pais e avós, plantão no trabalho, pizza com os colegas e nada nos afeta!

Mas há um determinado momento, mais cedo ou mais tarde, em que a data de aniversário traz uma sensação inquietante. Será que fizemos e recebemos tudo o que a vida nos prometia até agora? Será que não perdemos tempo em bobagens? Ainda há tempo?

Em frente ao espelho as reações são as mais variadas (e muitas vezes mudam para a mesma pessoa de um dia pra outro). Parecemos jovens como nos sentimos? Será que alguém perceberia que completamos "X" anos? Ou já nos sentimos meio desanimados frente aos problemas?

O espelho geralmente é bem mais condescendente do que as cruéis fotos instantâneas que nos aprisionam nos piores momentos, nas mais desajeitadas e furtivas expressões e desagradam 80 % dos fotografados de 20 a 100 anos....

Não raro são estas fotos que nos impulsionam a fazer dieta, comprar uma roupa nova, deixar de fumar, fazer exercícios. Ah, o comovente impulso humano de melhorar, de se aperfeiçoar, de agradar aos outros, de tentar, ainda que sem sucesso, parecer mais nobre para si próprio!

O engraçado é que cada vez mais a idade caminha para a irrelevância, frente aos avanços da medicina, maior expectativa de vida e correspondente qualidade, evolução dos recursos médico-cosmiátricos que garantem aparência de idade vaga e indefinida.

Mas bem dentro de nós a dúvida a cada aniversário permanece como um segredo incômodo, a nos fazer perguntas que evitamos responder.

Observar as pessoas e estudar a História são dos mais gratificantes e úteis aspectos do conhecimento humano. Minha profissão me possibilitou o privilégio do contato próximo com milhares de pessoas de todas as idades e condições. Posso assegurar como um consolo a todos que sentem um leve aperto no peito em seus aniversários. A maioria de meus clientes e amigos com mais de 80 anos, com as mais distintas histórias de vida, alegrias e tragédias, sente-se feliz em comemorar seus aniversários, excita-se com os preparativos, com as velas sobre o bolo, como nas longínquas festas de sua infância perdida....

Talvez seja um poderoso e inequívoco sinal de que a vida vale mesmo a pena. No final, tudo acaba bem!

Feliz aniversário!



Ligia Kogos é dermatologista, formada pela Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e diretora da Clínica Ligia Kogos de Dermatologia.  Leia mais deste autor.





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