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Beleza
Beleza revelada
Saiba para que servem todos os ativos presentes nos cremes para a pele
Por Mônica Vitória • 22/07/2008

Você passa pela estante de cremes ou assiste ao mais novo comercial de cosméticos pela TV. Eles prometem mundos e fundos, e você, na esperança de ficar com a pele mais bonita e bem tratada, tenta decifrar para que serve aquele monte de substâncias com nomes esquisitos. Logo, desiste: é um tal de ácido isso, dimetil aquilo, "hidro-o-quê-mesmo?". Pelo menos com aquelas vitaminas você já tem alguma intimidade - mas que efeitos, afinal, elas causarão no seu rosto? E será que funcionam? Para que você não fique confusa ou compre gato por lebre, o Bolsa de Mulher pesquisou os principais ativos presentes nos cremes de beleza atuais e trouxe para vocês, tintim por tintim, o que cada um deles é e faz.

Confira alguns cosméticos no nosso slideshow!

De acordo com o químico Angel Lizárraga, que já atuou em empresas como Natura e Ox , vale a pena, sim, investir em alguns cremes para manter a pele jovem e macia. "É preciso ter em mente que os cosméticos não fazem milagre, mas realmente ajudam a proteger a pele e amenizar rugas de expressão. Você não pode evitar as conseqüências cronológicas, mas é possível chegar aos 50 anos de idade com o aspecto de uma mulher de 35, 40", garante ele, que hoje é diretor da Adcos Cosmética de Tratamento.

O creme à base de retinol auxilia na regeneração da pele, mas deve ser passado somente à noite, pois à luz do dia pode provocar manchas

Para Angel, a tendência é que cada vez mais as pessoas se mantenham bonitas por mais tempo. "Antigamente, as mulheres buscavam tratar de sua pele apenas quando apareciam os sinais do tempo. Hoje, o maior acesso a esses cosméticos e a preocupação com a saúde e o bem-estar permitem que desde cedo elas comecem a se cuidar, prevenindo os problemas ao invés de só repará-los. Já é possível e recomendável se proteger mais intensamente a partir dos 25, 30 anos", aponta. E isso pode ser feito sem dor, com base na escolha de produtos de boa qualidade.

Vamos a eles:

Colágeno: O colágeno (ou gelatina) é a classe mais abundante de proteínas do organismo humano e representa mais de 30% de sua proteína total. Quem explica é o dermatologista Sergio Serpa, da Rede Labs D'Or: no corpo humano, o colágeno desempenha várias funções, unindo e fortalecendo os tecidos. Na pele, ocupa a sua segunda camada (a derme) e, com o envelhecimento e exposição solar, vai diminuindo de quantidade e se degradando. O colágeno humano e de outros animais pode ser utilizado no preenchimento de rugas. "Alguns cosméticos em forma de creme e xampus usam o colágeno em sua formulação, mas não há comprovação científica de que tenha utilidade na forma tópica. Da mesma forma, ainda não há comprovação de que o uso de colágeno por via oral melhore ou rejuvenesça a pele", ressalva Sergio.

Ácido retinóico e retinol: Estas são substâncias derivadas da vitamina A, que é obtida nos carotenos (vegetais laranjas ou abóboras) e em produtos animais, como carne, leite e ovos. São também chamados de retinóides. "Os retinóides tópicos são utilizados no tratamento da acne há muito tempo e, recentemente, verificou-se sua ação rejuvenescedora, revertendo a atrofia (afinamento) cutânea e produzindo maior produção de colágeno. Assim, melhora o turgor da pele, trata as rugas finas e dá brilho", destaca Sergio Serpa. Além disso, a sua ação no estímulo de produção de colágeno também melhora as estrias recentes. "O creme à base de retinol auxilia na regeneração da pele, mas deve ser passado somente à noite, pois à luz do dia pode provocar manchas", adverte o químico Angel Lizárraga.

Ácido glicólico: Faz parte de um grupo de substâncias chamado alfa-hidroxiácidos, que são ácidos orgânicos derivados de frutas. Após a sua aplicação, estes compostos afinam a camada córnea, alisando a superfície cutânea. Derivado natural da cana de açúcar, atualmente sintetizado em laboratório, o ácido glicólico é usado nos tratamentos do envelhecimento cutâneo provocado pela luz solar, nas peles muitos desidratadas, ásperas e com pequenas irregularidades como poros abertos, nos pacientes portadores de acne e inflamações dos pêlos em virilhas nas mulheres e área de barba nos homens. De acordo com Marcelo Molinaro, chefe do departamento de cosmiatria da Sociedade de Dermatologia do Rio de Janeiro, além de hidratar, o ácido promove um leve clareamento e um aumento da densidade epidérmica. Segundo Angel, é um agente de esfoliação valioso, muito usado em peelings químicos. Já os estudos sobre a ação do ácido glicólico na flacidez são controversos. "Alguns mostram aumento na produção de colágeno e outros negam isso", diz Sergio Serpa. É, em geral, bem tolerado pelos pacientes, sem efeitos adversos, mas os dermatologistas também recomendam que seja aplicado à noite.

Hidroquinona: Derivado do fenol, é um despigmentante que atua nas células produtoras de melanina (os melanócitos), indicado para o tratamento de manchas. "Ela bloqueia a produção e aumenta a degradação dos grânulos que contém melanina, o pigmento do bronzeamento", esclarece Sergio Serpa. A hidroquinona também bloqueia a ação da enzima tirosinase, que tem participação na formação da melanina. O químico Angel Lizárraga alerta que, por ser um ativo clareador, alguns cuidados precisam ser tomados durante sua aplicação: "Deve-se evitar a exposição ao sol, assim como os peelings e outros procedimentos dermatológicos", lembra. Além de ser contra-indicada na gravidez, Marcelo Molinaro adverte que, se utilizada em altas concentrações em pessoas mais escuras, pode provocar um fenômeno chamado ocronose, uma hiperpigmentação difícil de ser tratada. "Como efeito adverso, a hidroquinona pode causar alguma irritação, como vermelhidão e ardência, o que é contornado com o uso de antiinflamatórios tópicos e redução de sua concentração. Alguns indivíduos apresentam intolerância, necessitando de troca para um clareador de origem vegetal", avisa o dermatologista.







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