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Seu casamento já não é mais aquele do primeiro mês. As brigas, cada vez mais freqüentes. A paciência está miúda e o amor, cadê ele? Crise. Quem é casado sabe que, mais cedo ou mais tarde, ela chega. Às vezes, dá vontade de jogar tudo pro alto. Mas e o bebê pequeno? E o papel assinado? E a casa comprada em conjunto? E o cachorro? E o papagaio? O Bolsa conversamos com algumas mulheres para saber se isso tudo segura o casamento, adia o fim ou se, não tem jeito: chega um ponto em que nada é motivo para continuar casada.
Até onde você vai por ele? Faça o teste e descubra!
Só no tempo das nossas avós é que filho segurava casamento. Hoje em dia é absolutamente normal ser filho de pais separados e repetir o comportamento no futuro. O fato é que os filhos podem não ser garantia de matrimônio eterno, mas que dificultam o divórcio, ah, dificultam. E como! A publicitária Ana Cristina diz que quase se separou do marido em um momento de crise. Nessa hora, o que a fez contar até mil foi seu bebê de colo. "Um filho precisa de um pai e eu quero fazer de um tudo para garantir esse direito ao meu. Por ele, sou mais tolerante, cedo mais, passo por cima de certas coisas pra que meu casamento sobreviva", diz Ana, que não pretende separar e, sim, fazer os ajustes necessários.
Juliana Novaes, arquiteta, casada há 12 anos, diz que já enfrentou diversas crises ao longo do casamento, que só foram contornadas graças aos filhos. "Não só sou eu, não é apenas a minha vida que está em jogo, mas a deles também. Quando vou tomar uma atitude, tenho que pensar por três. Apesar disso, Juliana comenta que não faria nenhum sacrifício. "A felicidade dos pais também é importante, não viveria e os faria viver um calvário. Existem situações que a separação, de fato, é a melhor solução para a família".
Minha casa, sua casa
A funcionária pública Marta G., 35, não casou no papel, nem tem filhos. Para ela, a casa que comprou com o marido é como uma âncora que segura o seu casamento. "Ela é um sonho realizado junto! A gente lutou por isso, fez obra, deixou com a nossa cara", conta Marta, que tem a imagem da casa como um retrato do amor que a uniu ao marido. Se não fosse a casa, talvez o casal já tivesse se desfeito depois de brigas, segundo ela, homéricas. "Além da poesia, tem o sentido prático da coisa: se a gente se separar, como é que fica a casa? Nosso dinheiro está investido aqui e a venda certamente demoraria anos. Íamos ter que continuar morando nela por um tempo, e em quartos separados", imagina Marta, certa de que o lar é um vínculo muito forte, que faz qualquer casal lutar para manter o casamento de pé.
Água morro abaixo, fogo morro acima - mulher quando quer separar ninguém segura. Essa é a tese defendida pela professora de inglês Aline T., de 30 anos e dois casamentos. "Eu assinei papel, fiz festa, jurando amor eterno, comprei uma casa em sociedade, e tinha planos, a curto prazo, de ter um filho. Nada disso pesou: quando percebi que não estava feliz, que a relação não tinha mais jeito, encarei tudo de frente e caí fora", conta ela, que conversou com a família, entrou com o pedido de divórcio e vendeu a casa do casal.
Para ela, filho também não segura ninguém. "A prova é o meu segundo marido: a mulher dele engravidou pra prendê-lo ao pé da cama, mas, mesmo assim, ele se separou para ficar comigo", lembra, argumentando que o ser humano quer ser feliz e é capaz de tudo pela sua felicidade.
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Construindo obstáculos
Segundo a psicóloga especialista em relacionamento amoroso Mariana Mattos, nada concreto (casamento no papel, filhos, apartamento em comum etc) tem a capacidade de impedir o término de um relacionamento. "Servem apenas como argumentos para manter uma relação, possivelmente pela dificuldades de ambos em dar fim a algo que não vai bem", explica a psicóloga.
No entanto, Mariana Mattos destaca que os vínculos contam bastante quando se pensa em separação. "É muito mais fácil, em geral, terminar um relacionamento com alguém que conhecemos há um mês do que com alguém com quem ficamos por 10 anos, e, conseqüentemente, tivemos uma história mais longa. Mas, ainda assim, o que faz com que a pessoa tente solucionar dificuldades ou até protele um fim inevitável não são os vínculos concretos, mas o que há de subjetivo por trás deles", explica a psicóloga.
Ou seja, o que o que realmente importa não é, por exemplo, o imóvel em si, mas a história de sua compra, o que ele representou nos últimos anos e o fato de terem sido feitos planos juntos. "Quando o casal realmente optar pela separação, o que parecia ser obstáculo deixa de ser, e as soluções, aos poucos, são criadas", finaliza.
Bel Vieira   Leia mais deste autor.
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